<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313</id><updated>2011-07-07T20:55:45.806-03:00</updated><category term='s'/><title type='text'>Dragão na Janela</title><subtitle type='html'>a poética vista a uma distância segura</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Krakadoum</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12989744737104954547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_4bvLkLEwi-4/SYS0a4Bqx7I/AAAAAAAAAAM/2xny4fFaWhE/S220/Krakadoum.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>91</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-6242838835000689470</id><published>2009-04-11T16:39:00.010-03:00</published><updated>2009-04-11T17:53:56.435-03:00</updated><title type='text'>Acima das sandálias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Às vezes parece que não escrevo porque as coisas são fáceis demais. É ao contrário, são difíceis demais. Dá até vontade de dizer que estou larvando, ou lavrando, um salto aqui. Mas é claro que não é o caso. Quantos Napoleões-para-si-mesmos, tantos Pessoas-para-si-mesmos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Exponho então uma teoria, um pouco como quem toca um piano - que é como vejo o escrever em geral -, mas, no caso, como quem toca um piano rápido demais, como quem declama um poema rápido demais: é o que li hoje, depois de tanto tempo. E com certeza prefiro tocar um piano rápido demais do que recitar rápido demais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É sobre uma teoria psicanalítica, se é que se a pode chamar assim, teoria psicanalítica. Empresta ares de seriedade, e o vulgo hoje se deixa contaminar tão facilmente pelos ares de seriedade. Não dá muito vem alguém e diz: é ciência. Diz-se de cada coisa que é ciência hoje em dia, como quando mudam de opinião sobre saber se ovo, se café, se um copo de vinho ao dia são bons ou maus para a saúde. E mudam de opinião ao menos duas vezes por ano que eu já reparei. Aliás, esse é o único motivo pra se ler jornal todos os dias hoje em dia, reparar em coisas como essa: que mudam de opinião tantas vezes por ano sobre a benevolência ou malevolência dos alimentos. Parece banal, mas é essencial, eu diria.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A teoria da qual estou falando é uma que diz, em linhas toscas, o seguinte: o único prazer verdadeiro é o prazer sexual, quer dizer, da cópula carnal, como se dizia nas aulas de Medicina Legal. Todo o resto seria sublimação - era essa a palavra? Assim ler um livro, assistir um filme, jogar futebol e videogame, certamente escrever poesia, ou gostar do trabalho que se faz. Não é essa aliás a fonte de toda civilização?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois aparece então essa separação bem curiosa entre o prazer verdadeiro - cuja repressão, e subo acima das sandálias, geraria histeria e coisas assim - e o prazer-sublimação, que é todas essas coisas acima, mais quando ficamos torrando no sol ou saímos pra dançar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E então vem uma consequência quase lógica disso: é preciso enterrar o prazer-sublimação e realizar o desejo em sua forma pura (por assim dizer). Por exemplo o padre que nem se toca mas fica estasiado no seu discurso de glória a Deus, os corintianos todos como pontinhos na arquibancada, o químico descobrindo uma reação que não conhecia, estamos todos sublimando. E haveria uma certa evolução, digamos assim uma evolução-regressão, em acabar com essa sublimação toda e ir direto ao que interessa. Quer dizer, haveria aí uma certa subversão do valor-trabalho e da repressão social, e portanto uma certa libertação.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Só que isso parece que não se sustenta à aplicação da lógica, isto é, não se sustenta se examinarmos a coisa em si e muito menos se pusermos a teoria em quinta, quer dizer, ao testar o motor até suas últimas conseqüências.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Um primeiro motivo pra desconfiar, e isso foi um amigo que me disse muito tempo atrás, é que essa tese, a tese do prazer verdadeiro, coincide com as teses da publicidade mais rasa. Por exemplo, a propaganda de cerveja (ou de Halls, for that matter): um piano, a mocinha de coque e óculos compenetrada tocando, um gentleman de colete ao lado, quem sabe porte um violino, quem sabe apenas escute com atenção encostado contra uma coluna grega. Entra a cerveja (ou a bala refrescante): saem o coque, os óculos, o colete e toda a roupa que pode sair no horário, saem o piano e o violino, entra uma praia, gente magra e bronzeada correndo, pranchas, cerveja ou bala refrescante. Fim.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que é isso senão um pequeno tratado que busca demonstrar justamente isso? Que todo refinamento, toda erudição, são sublimações. O prazer-ele-mesmo é cru e sensual. Você pode passar a vida fazendo receitas orientais, mas o que você realmente quer é uma batata do McDonald's dessas que não se decompõem na natureza. A receita oriental é uma sublimação como a música erudita, e o sexo explícito tem seu equivalente gastronômico na batata do McDonald's.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;É uma inversão até bastante simples, não sei como não percebemos antes, e podemos inclusive justificar cientitificamente. Até Darwin, vamos colocar, estava lá o homem bíblico, o homem grego, o homem que se distinguia justamente por ser capaz de controlar suas pulsões, por não ter como únicos motores pedaços de carne crua e odores de cio.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daí depois não. Era justamente o contrário. O homem nada mais é do que um animal domesticado, e essa domesticação é exatamente isso, a sua prisão. A prescrição é até óbvia, como não percebemos antes? Liberte-se, abra suas asas, solte suas feras, caia na gandaia, entre nessa festa. Me leve com você no seu sonho mais louco. Quero ver seu corpo lindo, leve, solto.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acho que a isso se chama a inversão do sentido do superego. É um bom nome, em todo caso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;p align="justify"&gt;Além dessa primeira constatação, e assumindo-a como verdade, sou a favor de não aplicar uma teoria tão revolucionária apenas parcialmente. Algo que nos mostra o verdadeiro em meio ao falso certamente precisa ser geometricamente estendido a todas as áreas da psique humana. Se libertamos nossas feras em Eros, naturalmente que o próximo passo parece ser libertá-las em Tânatos. Estou falando como um astrólogo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque as pulsões, se bem me lembro, são duas: a de criação e a de destruição. Se rejeitamos as falsas-criações como sublimação do prazer-verdade, proporcionado pelo sensual, nada mais natural que rejeitar também as falsas-destruições.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim sendo, precisariamos lembrar todos aqueles corintianos de que destruir moralmente os seus adversários é apenas uma sublimação; assim também o advogado, que tanta atenção dá à verdadeira pulsão sensual nas suas noites pós-trabalho, deverá aprender que a redação de um contrato impecável nas suas intermináveis jornadas pré-balada é apenas a sublimação de suas pulsões destruidoras - que só podem ser aplacadas pela destruição praticada pelo corpo, e não representada por uma promoção. Derrotar o outro em uma partida de tênis é o prazer-falseamento; o prazer-verdade estaria em, não digo matar o colega de trabalho, mas ao menos quebrar-lhe um braço através de uma manobra marcial. Há até gente, no Rio em especial parece, que está bastante avançada nesse aspecto da libertação do homem-animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que, colocada no papel e dada a mentalidade retrógrada que ainda assola nossos dias de hoje, essa teoria pode parecer um pouquinho revolucionária demais. Mas Larry Flint também teve seu julgamento. A contestação conservadora não resistirá por muito tempo à lógica. O homem verdadeiramente livre do processo civilizatório deve ser livre para matar e morrer. Por que, afinal de contas, libertar Eros de suas amarras sociais, incentivá-lo mesmo a aflorar, e ao mesmo tempo manter contido nosso Tânatos de tanto potencial? É preciso acabar com essa esquizofrenia e devolver às nossas teses a coerência dos gregos. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-6242838835000689470?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/6242838835000689470/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=6242838835000689470&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6242838835000689470'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6242838835000689470'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2009/04/acima-das-sandalias.html' title='Acima das sandálias'/><author><name>Krakadoum</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12989744737104954547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_4bvLkLEwi-4/SYS0a4Bqx7I/AAAAAAAAAAM/2xny4fFaWhE/S220/Krakadoum.JPG'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-8611472898967993226</id><published>2009-02-15T09:07:00.003-03:00</published><updated>2009-02-15T09:47:05.346-03:00</updated><title type='text'>Não permita Deus que eu morra</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tem algo de meio religioso na leitura de um livro foda. Quer dizer, se alguém me pedisse pra fazer pose de inteligente e explicar a diferença entre um bom livro e um grande livro, eu teria pouco a dizer, talvez um mot de algum autor importante repetido ou invertido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso e minha experiência pessoal com a leitura de certos livros, que nem sei se seriam os melhores numa escala de pontuação com vários quesitos dessas que as revistas de jogos de computador gostam de fazer (aliás, seria uma boa idéia aplicar isso a literatura - exceto que até a maioria dos escritores perderia a piada: apresentação; lisibilidade; harmonia de estilo; diversão; e, evidentemente, crescimento pessoal). Mas há umas leituras nas quais, lá pelos dois terços de livro lido, começo a me inquietar a cada vez que é preciso interromper a leitura pra comer, lavar roupa ou trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falo de mais que um incômodo, que um ter que parar a atividade como quando estamos assistindo um filme e chegam visitas. A questão é quase psicanalítica, é um medo mesmo de que algum desastre possa acontecer, uma fração de segundo, um assalto, um atropelamento estúpido e a leitura para sempre interminada. E pouco importa que, do ponto de vista da razoabilidade, a leitura interrompida seja por assim dizer o menor dos meus problemas: involuntariamente, sei bem que faço uma prece a alguma entidade superior - podemos chamar de Deus tout court? - pra que não me deixe morrer sem completar a experiência daquela leitura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira vez que aconteceu não sei. Posso dizer que foi com O Senhor dos Anéis?, com o atenuante ou agravante de que eu tinha entre 13 e 15 anos. Talvez até antes, com Matilda. Ainda me atinge essa sensação no Retrato de Dorian Gray, naquele capítulo em que Dorian estuda cheiros, pedras preciosas, e ele mesmo aprende a se prostrar diante de beauty, mere beauty. Com certeza no batismo de fogo do Conde Rostov, ou quando Pedro Bezukov é feito prisioneiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma sensação poderosa, avassaladora se der pra colocar assim: sentir que há no mundo um valor mais alto, uma força completamente alheia (e, de um ponto de vista científico, evidentemente não-existente) e que se assenhora de nós - o suficiente pra rezarmos por nossas vidas não pelo tanto que amamos andar descalços na grama, beber com os amigos e tirar fotos diante de monumentos milenares; mas por uma coisa ínfima, pelo miserável mínimo de podermos chegar ao outro lado do mergulho proposto por um único outro cérebro, que viveu toda uma outra vida mas de quem nos irmanamos durante todo esse mergulho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não reivindico esta sensação apenas pras tais grandes obras: não é nada impossível, inclusive, que a dona de casa e a empregada tenham exatamente esse sentimento na sexta-feira que precede o último capítulo de uma novela, ou que o marido de uma e namorado da outra (não digo que sejam a mesma pessoa, mas já que estamos estereotipando...) se sinta igualmente avassalado antes da final do Brasileiro. Imagino até que muita gente poderá se identificar com isso em Agatha Christie ou Stephen King ou Harry Potter. Não sei pelos outros. Sei é que neste exato momento Mítia está sendo interrogado pelo promotor e pelo juiz de instrução.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não permita Deus que eu morra antes de chegar ao fim desse mergulho.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-8611472898967993226?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/8611472898967993226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=8611472898967993226&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8611472898967993226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8611472898967993226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2009/02/nao-permita-deus-que-eu-morra.html' title='Não permita Deus que eu morra'/><author><name>Krakadoum</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12989744737104954547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_4bvLkLEwi-4/SYS0a4Bqx7I/AAAAAAAAAAM/2xny4fFaWhE/S220/Krakadoum.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-8565803847698557170</id><published>2009-02-03T06:59:00.001-02:00</published><updated>2009-02-03T07:02:01.842-02:00</updated><title type='text'>Alheio beat-emo</title><content type='html'>Ia apagando isso, talvez valha deixar aqui. Alheio sobre Alitto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;bando.&lt;br /&gt;jovens surradas e sexo ao som de The Doors&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.......&lt;/span&gt;ou qualquer rock and roll&lt;br /&gt;Yuppies, Armani e BMW&lt;br /&gt;manhattan pilotando canetas&lt;br /&gt;escritórios brancos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apenas chamado&lt;br /&gt;garotos e poetas.&lt;br /&gt;samba de cabeleira, jeans e camisetinha.&lt;br /&gt;Caetano e Gil&lt;br /&gt;Andy Warhol punk-indie-rock Underground&lt;br /&gt;o travesti novaiorquino&lt;br /&gt;e declarações machistas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sonho.&lt;br /&gt;não. muita cocaína.&lt;br /&gt;se chegou, sobreviveu&lt;br /&gt;paz &amp;amp; Yoko, blefe de Madonna, astronautas.&lt;br /&gt;na década de 70, lia fortunas, notícias, informativos.&lt;br /&gt;sentar e esperar. eu, que não sou hippie nem punk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;queria preto, glitter e Britney.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-8565803847698557170?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/8565803847698557170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=8565803847698557170&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8565803847698557170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8565803847698557170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2009/02/alheio-beat-emo.html' title='Alheio beat-emo'/><author><name>Krakadoum</name><uri>http://www.blogger.com/profile/12989744737104954547</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_4bvLkLEwi-4/SYS0a4Bqx7I/AAAAAAAAAAM/2xny4fFaWhE/S220/Krakadoum.JPG'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-8923305256627094187</id><published>2009-01-31T18:17:00.003-02:00</published><updated>2009-01-31T18:22:26.277-02:00</updated><title type='text'>A razão do silêncio</title><content type='html'>&lt;div&gt;Bem, não chega a ser uma razão. É mais como uma desculpa. É que informo a todos, até para resguardar os direitos de autor, que está oficialmente em construção o &lt;a href="http://edificiohamelin.blogspot.com/"&gt;Edifício Hamelin&lt;/a&gt;.&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;[A foto que segue é um detector de pessoas que deveriam pensar bem antes de clicar no link acima]&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SYSy2rIzLyI/AAAAAAAAAjE/MFHcIOTxxmU/s1600-h/Construc.JPG"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 123px; height: 106px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SYSy2rIzLyI/AAAAAAAAAjE/MFHcIOTxxmU/s400/Construc.JPG" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297555714056859426" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-8923305256627094187?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/8923305256627094187/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=8923305256627094187&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8923305256627094187'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8923305256627094187'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2009/01/razao-do-silencio.html' title='A razão do silêncio'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SYSy2rIzLyI/AAAAAAAAAjE/MFHcIOTxxmU/s72-c/Construc.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-7648269429677336077</id><published>2008-12-26T10:43:00.002-02:00</published><updated>2008-12-26T10:48:45.722-02:00</updated><title type='text'>Poema de Natal</title><content type='html'>Velhinho de um ano, e talvez até que bonitinho à sua própria maneira&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fadinha de &lt;span class="nfakPe"&gt;Natal&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Menos de um minuto, dizia Papai Noel&lt;br /&gt;- e fazia relógio com os braços.&lt;br /&gt;Pro cliente dava na mesma: era caber na caixa e mostrar a nota.&lt;br /&gt;O prazo era dela.&lt;br /&gt;Cada pacote, vinte centavos.&lt;br /&gt;Passou de um minuto, nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A supervisora fazia que não via&lt;br /&gt;só umas crianças é que exigiam o registro&lt;br /&gt;dedinhos curiosos no botão.&lt;br /&gt;Papai Noel ria, dançava e cantava&lt;br /&gt;o minuto escorrendo pela testa manchando a maquiagem&lt;br /&gt;o gorro firme preso com grampo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha cliente que trazia extra&lt;br /&gt;esquecia a nota, sorria e pedia. Era &lt;span class="nfakPe"&gt;Natal&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;e sempre sobravam umas outras notas, pegavam com amigas nas lojas, davam um jeito.&lt;br /&gt;Desses vinham também as melhores gorjetas&lt;br /&gt;que não podia mas todas &lt;span class="nfakPe"&gt;dividiam&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;(a Ana Paula, bonita,&lt;br /&gt;sempre ganhava mais)&lt;br /&gt;Viravam sorvete, cinema e besteirinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim, um pouco pra mãe&lt;br /&gt;umas roupas pro namorado&lt;br /&gt;brinquedos pros sobrinhos.&lt;br /&gt;Pra ela mesma, fez escondido uma vontade boba:&lt;br /&gt;gastou tudo na boneca da vitrine em frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-7648269429677336077?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/7648269429677336077/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=7648269429677336077&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7648269429677336077'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7648269429677336077'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/12/poema-de-natal.html' title='Poema de Natal'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-8280802325650970919</id><published>2008-11-03T14:16:00.003-02:00</published><updated>2008-11-03T16:14:32.491-02:00</updated><title type='text'>Superação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha idéia de superação vem de observações simples. Como quando não havia astrolábios mas o sujeito ia lá, olhava o poço da vila, subia num camelo e calculava o tamanho da terra. Errado, do ponto de vista de quem precisa lançar um míssil nuclear sobre um país e não sobre o país vizinho, mas não é esse o ponto. Por isso previno: não liguem para o título, é uma provocação.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma coisa que se observa facilmente é o quanto repudia a uma criança de doze anos tudo aquilo que lhe parece próprio a uma de dez. Ela está inclusive pronta a humilhar os colegas menores que têm práticas exatamente iguais às dela própria pouco tempo antes. Porém a mesma relação não se observa em relação a crianças tão menores que o maior não se sinta secretamente atraído por aquilo, ou seja, contaminável. Daí que, quando ele tiver quinze, repudiará o que le parece próprio dos de doze e assim por diante, até que se torne indiferente em relação a tudo o que é infantil - como coisa que existe e tem seu lugar, mas não mais lhe pertence nem lhe ameaça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro que essa observação tem pouco a ver com crianças. É inclusive mais fácil de notar em coisas como o gosto musical de adultos, por exemplo: o que se descreve como odiando determinado movimento apenas revela um certo medo de ser associado a ele. Provavelmente, se você perguntar para o Hobsbawn ou o Medaglia que música, dentre umas quatro ou cinco escolhas bem-postas, lhes parece melhor ou pior, farão uma escolha que pode dar preferência ao que é menos incômodo aos ouvidos, ou então tentar ser compreensivos e fazer uma escolha de cultural studies - privilegiando o que vem de cenários exóticos como a periferia das grandes cidades latinoamericanas ou o meio rural brasileiro. Mas se manifestarão sem grande emoção, buscando compreender (e vejam a lonjura até onde alcança esse verbo) as várias manifestações que estão subentendidas e talvez até limpar o terreno com uma vassoura num esforço para encontrar algo que brilhe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia falar também de uma concepção que tenho aqui sobre o vegetarianismo contemporâneo - nada a ver, evidentemente, com os indianos que desejam purificar o corpo. É de uma certa forma apenas a conseqüência imediata de uma geração que nunca viu a avó degolar galinhas no quintal, que nunca viu abater uma vaca e que descobre horrorizada, aos doze anos, que o pacotinho com sanguinho no supermercado já foi um bichinho! E não consegue encarar aquilo como parte do mundo, mas como algo que fizemos no passado e que, se ainda fazemos, não é por nossos estômagos e sim por estarmos atrasados. Depois há todo o discurso sobre os dez por cento de energia, mas na base é apenas o horror do ciclo da vida, que aparece em vídeos do youtube para uma geração que nunca viu uma cobra matar um sapo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não preciso extravasar e falar da luta sem trégua que se trava no Brasil entre os inimigos da ditadura militar e os inimigos da União Soviética - duas coisas que, como lembra com freqüência o Urso, já terminaram. Obviamente, nenhum dos contendores está disposto a reconhecer estar sozinho no ringue errado, e faz grandes esforços para demonstrar cientificamente que estrebuchamentos são sinais de vida afinal de contas. Não, é possível ser mais rasteiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na frente do Parlamento inglês, por exemplo, há uma estátua do Cromwell. Da qual ninguém dirá, como fazia meu Lonely Planet com as estátuas de Lênin, que é uma relíquia mórbida e que deve ser removida. Na França, por outro lado, não se encontram estátuas de Robespierre, por exemplo, enquanto todas as igrejas depredadas durante a revolução estão sofrendo grandes trabalhos para se parecerem com aquilo que gostaríamos de ter como fundo em nossas fotografias de viagem. O que diz muito sobre estarmos no país de Debord, afinal de contas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Brasil, não consigo pensar num só lugar onde encontrar estátuas das figuras mais interessantes de nossa história - o que quer dizer, no mínimo, que estão envergonhadamente longe da Paulista, da Sé, do Planalto e do Arpoador. Temos medo de todos, como crianças que ainda não superaram: de Antônio Conselheiro, de Domingos Jorge Velho, de Lampião, de Zumbi, provavelmente em São Paulo mesmo de Getúlio Vargas. Somos capazes de pagar para que as pessoas perdoem, mas não de levantar um monumento decente a Marighella, mais que uma pedra no caminho. Há, é claro, aquela estátua (feia, enfim, não é essa a questão) do Borba Gato no fim da Nove de Julho. E temos o Deixa-que-eu-empurro, que homenageia assim coletivamente os fundadores da cidade, sem muito escolher lado e sem botar a cara de sujeito nenhum pra bater. E, se escolher, já vem a turma do Terra em Transe: - Extremista, extremista! Talvez os gaúchos sejam os únicos capazes de ter/deixar seus heróis em paz, o que diz bastante coisa sobre a República dos Pampas. Há até estátua de Garibaldi em Porto Alegre, assim como na Argentina, na Rússia, por toda a Itália, na Hungria e em Nova Iorque. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso tudo pra dizer que o sinal da superação virá quando conseguirmos falar dessas pessoas todas, não como quem escreve estadunidense acreditando fazer seu voto de protesto, mas como quem entende, ao olhar brincar uma criança de dez anos, que não há ameaça de retorno, e compreende aquilo como algo que também está em nós, que nos forma e - mesmo como erro - constitui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, antes da pedreira destes outros todos, talvez haja uma figura bem menos difícil que precise ser melhor assimilada (outro verbo que escorrega perfeitamente de um lado a outro), porque - e isso é muito importante - nem isso fomos capazes de superar no Brasil. Trata-se do indivíduo que, fundado no mais puro acaso, por mais tempo governou o país, e que fez grande parte das escolhas (e não-escolhas) que determinaram o que somos hoje. Trata-se do nosso último imperador. É preciso reconhecê-lo e, talvez mais importante, revisitá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-8280802325650970919?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/8280802325650970919/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=8280802325650970919&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8280802325650970919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8280802325650970919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/11/superao.html' title='Superação'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-7016428533744235723</id><published>2008-10-29T08:16:00.004-02:00</published><updated>2008-10-29T10:09:47.218-02:00</updated><title type='text'>O que é difícil</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(uma nota p.s. que vai antes. Acabo de inventar um antigo adágio, que diz que é fácil dizer coisas fáceis; difícil é dizer as difíceis. Ocorreu-me porque o que segue é uma tentativa, como vêm sendo as tentativas, de largar as estrelas, os dedinhos viscosos que brotam de antigas histórias e uma pulsão de alaranjados sobre laranja que não dizem nada, e buscar algo bem mais próximo ao chão - mas apenas como alguém que estivesse andando pela rua com seu iPhone e seus livros da Cosac Naify e fosse subitamente golpeado por um andaime.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive uma revelação muito importante num desses dias. É que esteve em casa um amigo involuntário, que provavelmente prefere ser mantido no anonimato, e como com freqüência acontece descambamos para a literatura. E aí, como quase sempre acontece, tem aquele momento desagradável em que você fala que escreve umas coisas aí e a pessoa fica em dúvida se pede ou não pra ler, pra ouvir - e, é importante, estávamos talvez na segunda garrafa de vinho já, de forma que ele pediu pra ouvir, o que eu tivesse de melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Li duas ou três coisas e ele pediu autorização pra ser sincero e, antes que eu pudesse decidir se autorizava ou não disse que era uma bosta, que pedia desculpas mas que era uma bosta. E é claro que isso nunca é simples de se ouvir, mesmo quando se tem o tal ego à prova de balas que passamos 5 anos desenvolvendo. Porque tenho pra mim a ilusão de que é preciso que as pessoas gostem pra que eu finalmente tenha a coragem de chegar em 2011 e publicar o Caçador. E embora a peer review que eu tenho seja até razoável, quando alguém que leu bastante na vida vem e diz que acha uma bosta você é obrigado a pensar no assunto e se vale a pena gastar tempo e dinheiro com isso quando pode, sei lá, trabalhar pra comprar uma casa na represa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que conecto - e isso, desculpem agora vocês, não faz o menor sentido por enquanto - com uma conversa que tive uma vez com o &lt;a href="http://alanmills.blogspot.com/"&gt;Alan &lt;/a&gt;e que não me sai da cabeça e em que ele disse: a questão é que o Brasil tem um futuro, vocês têm essa perspectiva do Brasil-potência, e a Guatemala não tem nada. É isso, quer dizer, temos algo a perder, e um futuro de locomotiva que fica evidente quando se tem informação por outros veículos que não a imprensa paulista. E o Alan agora está morando em São Paulo, onde a Linha 4 ficará pronta para a Copa de 2014, e talvez até o trem-bala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o mais significativo sobre esse Brasil-potência que o Alan identificou pouco antes de conhecer o Capão Redondo é que a potência não faz a menor idéia do que deseja. Quer dizer, os europeus levam muito a sério sua tarefa civilizatória e a maior ambição da alemã que conheci ontem é civilizar a França. Os americanos estão lá com seus helicópteros iluministas difundindo os valores dos pais fundadores, enquanto russos e chineses pensam: é preciso retomar nosso império, temos apenas que segurar as paredes tempo o suficiente para que a casa de máquinas se abra e nossos rapazes tomem conta dela como já fizeram tantas outras vezes. Desconfio que até os indianos têm um plano maravilhoso sobre o que fazer com o mundo quando ficar demonstrada a inviabilidade da sociedade laica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Brasil, porém, não faz a mínima idéia do que deseja fazer com todos os seus quilômetros quadrados, toda a sua porcentagem de água e inclusive com sua democracia racial incompleta. E "incompleta" é uma palavra que ocupa exatamente a fenda que eu estava procurando, na verdade, porque certamente nenhum brasileiro recomendaria a outro país que adote qualquer coisa semelhante ao que criamos. E o "criamos" aqui parece  deslocado, na verdade, tendo em vista que não temos a menor sensação de ter criado nada, ou mesmo de sermos capazes de escolher uma alternativa e seguir pela estrada que ela abre. Um professor uma vez fez uma observação precisa, sobre um assunto outro: quando chega no Brasil, já é teoria mista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me aproprio então do discurso do Pasta, que transformou uma vez o Brás Cubas fantasma numa espécie de alegoria do Brasil - opinião sobre a qual Brás Cubas escreveria bem uns dois capítulos -, pra perguntar em seguida se a essência da sociedade brasileira não é exatamente de ser essa que, como o defunto autor, avança, mas não supera. Ou seja, é como se fosse uma sociedade que nunca se forma, como um universitário que nunca se forma, e continua sempre com umas matérias por fazer, e isso apesar de galgar postos mais e mais avançados. Só completa o ciclo sob forças externas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não levem a sério isso que vai acima, evidentemente: não é o momento de um discurso sobre a reforma agrária ou a questão racial ou o direito do consumidor avançadíssimo, muito mais que na França e talvez qualquer país do continente. Não é um discurso sobre eleições e sexualidade, também, pois esse tipo de novidade há coisa de quinze anos não é novidade. Esta bagunça, afinal de contas,  deve ter um centro discernível, que é a literatura, ou ao menos foi o fardo que alguém - o snoop? - colocou nesse subtítulo no qual eu nunca me dei ao trabalho de mexer, e que aliás as circunstâncias cuidaram de tornar ainda mais apropriado do que ele já era quando da confecção do presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a pergunta é se têm algum valor nossas buscas pela abolição dos índios na literatura brasileira, como pediu o Vicente. Ou nossas tentativas de voltarmos a ser bregas, quando todo o problema é que nunca fomos bregas, apenas quando entramos na sala alguém nos disse que era possível que houvéssemos sido. Como abolir o espaço ou a forma que nunca estiveram sob nosso controle? O problema da revolta não é, como gostaríamos, a falta de armas, mas a absoluta elasticidade dos muros, prontos a se transformar em poltronas assim que desejarmos descansar um pouco. Acho  cada vez mais difícil não concordar com o ridículo das tentativas de arrebentar com a porta que se abrirá automaticamente assim que nos aproximarmos dela a 200 km por hora, quando então nos encontraremos em meio ao salão e nos perguntarão se desejamos vinho ou champanhe. Ou, alternativamente, seremos congratulados por aquela voz abafada que diz: obrigado, volte sempre!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Colocado de forma mais crua: no nuevo século latinoamericano, nesse Brasil do sebastianismo invertido que simplesmente não chegará, nada está determinado, nenhuma escolha foi feita,  mas todas as portas parecem assustadoramente abertas e todos os bilhetes já foram reservados e os lugares escolhidos. À medida em que ultrapassamos as comportas, vamos concluindo que não trouxemos nada do material com que pensávamos avaliar o que há para  além dessas comportas. Nos limitaremos a observar deslumbrados, e  adaptar os nomes quando voltarmos para contar como foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho como justificar isso. Mas, diante da perspectiva de um retorno duplo, talvez triplo, de uma missão em que descobri, para além das comportas que nunca me prenderam, o grande vazio de Kaspar Hauser, começo a acreditar que talvez ainda caiba à literatura a suja tarefa do romantismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-7016428533744235723?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/7016428533744235723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=7016428533744235723&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7016428533744235723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7016428533744235723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/10/o-que-difcil.html' title='O que é difícil'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-8435865018134022908</id><published>2008-10-21T06:53:00.003-02:00</published><updated>2008-10-21T06:59:07.698-02:00</updated><title type='text'>Do outro lado</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SP2Y4xpjGnI/AAAAAAAAAhk/N31TaZmhGUA/s1600-h/Banksy4.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SP2Y4xpjGnI/AAAAAAAAAhk/N31TaZmhGUA/s400/Banksy4.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259528041006307954" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SP2Y5E4ZfnI/AAAAAAAAAhs/HhZoqmo3H1g/s1600-h/banksy3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SP2Y5E4ZfnI/AAAAAAAAAhs/HhZoqmo3H1g/s400/banksy3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259528046168866418" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SP2Y5LlvSbI/AAAAAAAAAh0/SF87SFiQ-sk/s1600-h/Banksy1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SP2Y5LlvSbI/AAAAAAAAAh0/SF87SFiQ-sk/s400/Banksy1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5259528047969651122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-8435865018134022908?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/8435865018134022908/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=8435865018134022908&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8435865018134022908'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8435865018134022908'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/10/do-outro-lado.html' title='Do outro lado'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SP2Y4xpjGnI/AAAAAAAAAhk/N31TaZmhGUA/s72-c/Banksy4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-5822876615345593015</id><published>2008-10-18T19:03:00.005-03:00</published><updated>2008-10-18T20:03:12.644-03:00</updated><title type='text'>Uma proposta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(escrevo de um teclado extranjero, que todavia no fue submetido a minha tropicalizaciòn)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vezes me sinto mal por no ser propositivo o bastante. Afinal, como sabemos, no es suficiente apontar todas as imperfecciones e todos os sem-sentido e todas as falsidades de um modelo determinado se no formos capazes de apresentar uma alternativa viàvel - normalmente, na opiniòn de alguém que ya decidiu que no hay uma alternativa viàvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou me concentrar num pequeno problema - na verdade, enorme e extensible a todo o resto do espetàculo - de algumas peças a que assisti: a incapacidade, verdadeiramente transatlàntica, dos atores para interpretar crianças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois no sei se ustedes ja repararam. Se no repararam, parem pra reparar, preferencialmente num ambiente pùblico como uma praça ou um omnibus, e numa criança que no suspeite de estar sendo objeto de um estudo. Es que crianças se comportam ao menos noventa por cento do tempo, e eu diria mesmo cem por cento do tempo, bastante diferente de adultos imitando crianças. Elas no tienem um olhar vago como alguém incapaz de focar ou que temesse ser observado, mas ao contràrio, olham direta e demoradamente para aquilo que lhes interessa e isso mesmo quando isso é um outro ser humano em estado deprimente ou ameaçador: o desviar o olhar é que é o aprendido. Também no tienen um sorriso neutro na face nem ficam arregalando os olhos como quem estivesse imitando um balòn inflado. E principalmente no caminham em saltitos, com as pernas afastadas nem cambaleando de um lado a outro - esquece os joelhos, levanta e anda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Correndo o risco de passar uma mà impressiòn como a daquele critico inglés que faz a apologia do Bob Dylan enquanto poeta, darei como o exemplo de boa interpretaciòn infantil a dos atores de Chavo del Ocho. Estàn eretos e andam normalmente como crianças sem defeitos andam normalmente, no fazem voz de falsete e nem dàn entonaciones extranhas às suas frases. No necessitam fingir-se menores como crianças do que son como atores, nem hacer cara de idiotas, para que saibamos - todos - que estào ali representadas pessoas pequenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que distingue uns de outros, entào? No teatro, eu diria primeiro o avassalador das emociones quando essas se apresentam: a criança no caminha entristecida, mas se senta e chora. E no pega no ombro mas corre e abraça. Depois e relacionado, um ocupar-se plenamente do brinquedo, do alimento, do jogo, de um ferimento - do presente. Terceiro, o olhar curioso da criança, que no se dirige indistintamente a todo o mundo que a cerca como se estivesse permanentemente entrando num parque de diversiones, mas se concentra sobre pequenas coisas e se fascina com elas como a adultos sòbrios em situaciones sociais é absolutamente proibido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No posso me deter demais sobre o olhar da criança: olhar tenho o meu, me basta e na verdade quase que no cabe em mim. No saberia transmiti-lo. Mas hay quem saiba, e recomendo pra isso um certo Picasso ya na idade em que se pode sem risco de reprimendas montar num cavalo magro, tomar um làpis na mano e sair a reparar o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que vem como no tronco de tudo isso entretanto, e tento trazer em palavras, é o esquecimento: a capacidade da criança de, a cada segundo, no carregar consigo nem um pequeno totem, nenhuma lembrança, nenhum souvenir do que anos atràs a feriu, nem considerar como cada movimento a deixarà mais preparada para o pròximo combate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apenas deixar que eles cheguem, e entào fazer o melhor que pudermos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-5822876615345593015?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/5822876615345593015/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=5822876615345593015&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/5822876615345593015'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/5822876615345593015'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/10/uma-dica.html' title='Uma proposta'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-3888812022658183702</id><published>2008-10-13T17:30:00.002-03:00</published><updated>2008-10-13T17:44:49.093-03:00</updated><title type='text'>Sinto falta</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há muitas coisas de que sinto falta, de que manco mesmo. Uma delas são amigos ranzinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem fui assistir a uma peça de teatro. Sofrível. Um texto péssimo (de adaptação da própria trupe, então culpa deles sim) daqueles em que os atores ficam narrando em vez de encenar, atuações entre medianas e risíveis (ok, ajudou o fato de que era um bando de ocidentais tentando se passar por taiwaneses), tentativas extremamente malsucedidas de encaixar canções no enredo e o mortal, pra mim - nem um pouquinho de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;esprit&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas acabou a peça e observei que uma das atrizes tinha sotaque brasileiro. Aí descobri que na verdade tínhamos vindo ver a peça porque a menina era amiga de uma das meninas (segunda vez que caio nessa), e logo havia outras pessoas que notaram que conheciam a menina - pois a comunidade aqui é cerradíssima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando menos vi estávamos dando parabéns esfuziantes e eu estava fazendo comentários sobre a dificuldade do tema, que era necessário embutir muitas explicações históricas sobre as guerras e ocupações que nos são infamiliares - o que é evidentemente mentira, uma guerra é uma guerra, uma ocupação é uma ocupação, e a inserção de momentos explicativos num texto dramático é uma confissão de falha. Falha em transmitir a mensagem pelo meio em que, teoricamente, o grupo sabe o que está fazendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora da matilha, tive de me contentar com comentários engolidos, passados discretamente pra uma amiga que ao menos não ficaria consternada pela minha falta de solidariedade com o esforço alheio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que uma obra de arte não pode ser avaliada pelo esforço do artista. Correndo o risco de se transformar em como aquela temporada do David Copperfield (ou o outro?, aquele negro) num tanque de gelo, que lhe rendeu mais três semanas no hospital.  Pode ser um esforço impressionante - mágica, não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vocês me mancam.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-3888812022658183702?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/3888812022658183702/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=3888812022658183702&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3888812022658183702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3888812022658183702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/10/sinto-falta.html' title='Sinto falta'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2942313720835304551</id><published>2008-10-10T02:02:00.006-03:00</published><updated>2008-10-10T02:39:08.778-03:00</updated><title type='text'>Um recomeço</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Havia muitas maneiras de recomeçar. Uma defesa apaixonada daqueles que passam a vida trabalhando onze horas por dia, atravessada de considerações sobre a capacidade humana de a tudo se adaptar; uma explicação de certo mau gosto sobre o estado das finanças e como conseguirei finalmente viajar um pouco em novembro, sem gastar a mais que  o planejado; uma confissão de fracasso simplesmente, que mal disfarçaria o retorno à confortável situação dos que têm o privilégio - no sentido francês da palavra - de trabalhar sentados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, como de costume, trapaceio.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Al Chavo del Ocho&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como explicar-lhes a alegria surda&lt;br /&gt;de um mundo que permanece?&lt;br /&gt;Onde as pessoas não se mudam,&lt;br /&gt;não casam, e os meninos&lt;br /&gt;são sempre meninos.&lt;br /&gt;A antiga paixão, pouco nos importa&lt;br /&gt;se é correspondida ou desdenhada,&lt;br /&gt;diante da certeza de que amanhã,&lt;br /&gt;ao acordarmos, ela ainda estará lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queremos garantias&lt;br /&gt;de que a moda é em vão,&lt;br /&gt;de que a todos é permitido passar anos&lt;br /&gt;com um único vestido, pobre ou rico,&lt;br /&gt;como se nunca houvesse um evento planejado,&lt;br /&gt;como se cada dia fosse igualmente&lt;br /&gt;alegre ou triste, e cada noite&lt;br /&gt;igualmente iluminada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exigimos que os vagabundos possam&lt;br /&gt;permanecer vagabundos, que os&lt;br /&gt;proprietários tenham sempre pena&lt;br /&gt;e que todos os atropelamentos&lt;br /&gt;não passem de imaginação das crianças.&lt;br /&gt;Pedimos a abolição de toda morte&lt;br /&gt;que não seja boato, que todos os que partem,&lt;br /&gt;retornem, e que todas as viagens&lt;br /&gt;sejam feitas, ao acaso, por todos.&lt;br /&gt;Festejemos com barulho e cartas&lt;br /&gt;todas as datas que não nos pertencem&lt;br /&gt;e temamos juntos o depois de amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem mais que o menino pobre&lt;br /&gt;terá sabido fugir e, como gato, voltar&lt;br /&gt;à casa em que não temos nada? Quem melhor&lt;br /&gt;terá sentido o toque macio das botinas&lt;br /&gt;de latinoamérica, que vendedor&lt;br /&gt;terá melhor se empanturrado sem pagar&lt;br /&gt;e, súbito rico, trocado milhões&lt;br /&gt;por meio sanduíche? Não importa,&lt;br /&gt;pois amanhã tudo retorna:&lt;br /&gt;voltarão a noite, a fome, o medo e o sereno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(haverá sereno? Não sabemos,&lt;br /&gt;pois não há chuva, e nem futuro:&lt;br /&gt;não é preciso olhar para o céu)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2942313720835304551?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2942313720835304551/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2942313720835304551&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2942313720835304551'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2942313720835304551'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/10/um-recomeo.html' title='Um recomeço'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-833809542684195057</id><published>2008-10-03T23:45:00.002-03:00</published><updated>2008-10-03T23:50:24.776-03:00</updated><title type='text'>Nada feito</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amanhã terei energia para um balanço da coisa toda. Hoje só digo que não deu certo meu teste, como em "eles esperavam alguém que realmente soubesse o que estava fazendo". E, a não ser que algum outro currículo distribuído semana passada se transforme num telefonema, creio que não sairei de novo atrás de trabalho nessa área.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz minhas contas e consigo viver com o que ganhei (o teste foi pago, óbvio) mais o que tenho - por mais esse mês e meio, e ficando novembro todo em casa de amigos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-833809542684195057?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/833809542684195057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=833809542684195057&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/833809542684195057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/833809542684195057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/10/nada-feito.html' title='Nada feito'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-6683847530224906122</id><published>2008-10-03T07:15:00.004-03:00</published><updated>2008-10-03T08:43:05.988-03:00</updated><title type='text'>Das coincidências</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem à noite saí com o ucraniano Dmitriy, ele queria saber sobre isso de associações estudantis e tal. Ele não me ligou até as oito como tinha dito, então fui pra casa e estava na cama lendo quando ele me telefona, umas nove e meia, e fala que vai prum bar com um amigo. Digo que não, que estou lendo e vou dormir, mas depois perco o sono e saio de casa pra ir num lugar que se chama Le Sympatique. Estão lá o Dmitriy, o amigo marroquino Amin e a irmã do Dmitriy, Lena. Ficamos mais um pouco e a Lena precisa ir pra trabalhar, então ela vai pra casa e logo depois nós três saímos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Amin quer ir no La Contrescarpe, onde o Dmitriy passa 9h de um dia normal. Ele não se opõe então vou seguindo mas quando chegamos digo que não tenho muita vontade de voltar lá, e o Amin diz que entende e então vamos para um lugarzinho libanês com sanduíches. Comemos e discutimos sobre como eu poderia passar por um marroquino mas não o Dmitriy e os dois poderiam passar por brasileiros, eles perguntam um pouco sobre raças e classes sociais no Brasil e o Amin precisa ir, então vamos com ele até a Place Monge, não sem antes passar no La Contrescarpe e conversar com o Mauro, aquele outro garçom, argentino que sonha em ser músico mas ainda tem de servir mesas mais duas horas do dia. De dentro do restaurante sai um garçom novo que não conhecemos e faz cara de curioso mas não vem conversar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos até a praça Monge e proponho ao Dmitriy ir tomar cerveja em casa por um quinto do preço de um bar. Compramos cerveja, ele diz que sua casa é mais perto e a única coisa é que sua irmã estará lá. Ele liga pra ela e falam francês, eu pergunto se sempre falam em francês entre si e ele me responde que sim, que a língua materna deles é russo mas que falam francês. Então falamos sobre a mãe que é contadora e está vindo morar com eles, e sobre como é morar com os pais e ele parece animado e dizendo que irá comprar um sofá-cama e que já calculou mesmo tudo, e eu digo que é a mãe que está vindo morar na casa deles e não o contrário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos um pouco no banco do Boulevard Arago enquanto a Lena se prepara, pois ela acabava de sair do banho. Entramos no prédio, o apartamento é no térreo à direita, tem um banheiro e depois um só cômodo de uns 20m²: uma pequena cozinha na lateral, duas mesinhas de trabalho, muitas malas, roupa e livros, e uma escada para a cama-mezanino, onde não é nem mesmo possível ficar de joelhos. Ele me mostra os quatro metros quadrados centrais do cômodo onde ele pretende instalar o sofá-cama para a mãe, e explica que assim ela poderá ter uma cama só pra ela. Olho em volta e pergunto interessado se os dois dormem na cama-mezanino e ele diz que sim, mas que a Lena tem um namorado e quando ele precisa ele telefona e ela dorme na casa do namorado, e ela ri e responde que quando a mãe vier provavelmente ela vai dormir bem pouco em casa. Digo que o apartamento realmente é bom pelo preço e o Dmitriy me explica que demorou um pouco pra achá-lo e que dormiu na rua três dias antes disso, que passava as noites numa lanhouse, as manhãs procurando apartamento e dormia à tarde no metrô, onde é mais quente. Então quando chegou ao apartamento viu que era perfeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Lena precisa trabalhar, de forma que pegamos nossas garrafas de cerveja, subimos a escada e ficamos sentados no colchão do mezanino, eles têm um gato que tem medo de mim mas está curioso e abrimos uma caixa de umas frutas que não conheço. Ele então pergunta da associação, explico como era na minha faculdade no Brasil e como é na Sorbonne, e ele me mostra que já pegou os e-mails de toda a sala e está mesmo empenhado, vai criar um grupo de e-mails ainda esta noite. Então ele pergunta sobre o Brasil, e sobre quão pobre é a população e respondo que a miséria é difícil de medir, que as pessoas no campo têm menos dinheiro mas podem até viver melhor e que nas cidades é mais complicado, mas há gente pobre que mora num lugar do tamanho do cômodo em que eles vivem, e ele pergunta se em várias pessoas e eu confirmo que em várias pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falamos um pouco do Lula e da Revolução Laranja e ele me explica que quer aproveitar que a Ucrânia fica na Europa pra conseguir um estágio, talvez até na Comissão Européia, ele fala inglês e alemão e está tendo aulas de espanhol, e eu falo sobre como funciona a OMC e ele diz que também pensou nisso pois a Ucrânia agora está na OMC. Ele explica que não fala ucraniano muito bem e que a língua materna dele é mesmo russo então precisaria se esforçar, e eu respondo que na OMC provavelmente ele quase não falará ucraniano e que o mais importante pode ser a língua materna ser russo pois não deve haver muitos não-russos que falam tão bem assim o russo e a Rússia está em processo de acessão. Então ele diz que tudo o que quer é garantir que não trabalhará como garçom no ano que vem pois já está no terceiro ano de faculdade e não quer fazer isso a vida toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É tarde e o Dmitriy ainda precisa digitar a lista de e-mails dos colegas da sala, então saio, pego uma bicicleta e aproveito o horário pra voltar pra casa num atalho que é contramão. Levo pensamentos estranhos na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-6683847530224906122?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/6683847530224906122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=6683847530224906122&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6683847530224906122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6683847530224906122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/10/das-coincidncias.html' title='Das coincidências'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-4605479912579506167</id><published>2008-10-02T03:57:00.006-03:00</published><updated>2008-10-02T04:20:07.479-03:00</updated><title type='text'>O que eu não disse</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu não disse que na terça, poucas horas antes de escrever a última mensagem, eu fazia entrevista num outro restaurante, o Au Père Louis, na rua Monsieur le Prince - uma rua longa como poucas por aqui, ligando o festivo Carrefour de l'Odéon à região do Panthéon e da Sorbonne. Rua estreita, cercada de pequenos prédios e sem horizonte visível, onde se concentram restaurantes japoneses e barzinhos universitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O turno é das 19h à meia noite (jornada de cinco horas, e não de nove - 17h às 2h), e sexta e sábado fica-se até a uma (e não até as quatro, jornada de seis horas em vez de onze). Ganha-se não tão menos assim, certamente cada hora é muito mais bem-paga. Meu teste é sexta-feira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-4605479912579506167?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/4605479912579506167/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=4605479912579506167&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4605479912579506167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4605479912579506167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/10/o-que-eu-no-disse.html' title='O que eu não disse'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-855120134378443194</id><published>2008-09-30T19:52:00.015-03:00</published><updated>2008-09-30T20:39:45.499-03:00</updated><title type='text'>La creazione dell'uomo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem, segunda-feira, devia ter sido meu último dia de trabalho no La Contrescarpe. Não foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes precisamos dos liberais, que nos lembram como é que as coisas são. O objetivo do meu comparecimento na segunda era digamos para ajudar, porque terça e quarta eram minhas folgas previstas e minha partida eu só a havia anunciado no domingo quando todas as cadeiras já haviam sido colocadas sobre as mesas. E evidentemente eles teriam tempo de arrumar um substituto até a quinta-feira mas não diretamente na segunda. Aí surgiu um evento muito mais interessante e importante e eu estava triste, melhor dizendo indecidido, porque tinha verdadeiramente me comprometido a dar essa ajudinha final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois fui lembrado que nossas relações não se passam num meio de ajuda mútua, de confiança e respeito. Estamos, nós ao sul das Guianas, muito mais acostumados, mais confortáveis até, com a relação de autoridade, de complementaridade, e alguns usariam até palavras mais fortes. Porém aqui impera exatamente o contrário: o encontro entre induvíduos na igualdade absoluta, isto é, a ausência total de autoridade, e é claro que por causa disso o poder se apresenta na sua forma mais nua, e se exerce sem motivação nem consideranda. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Autrement dit&lt;/span&gt;, estamos no mercado. Eu havia vendido minha força de trabalho, eles a tinham comprado - não havia nada mais que nos ligasse. Como cães que acabam de copular e, diante de um único bife, estão apenas seguindo seus instintos ao se estraçalhar pelo alimento. O mais forte vencerá, e será doloroso e comovente,  mas a espécie sairá ganhando. Mas eu não, eu estava ali, preso como mesmo com os cães às vezes acontece, e como que fisicamente impedido de avançar contra o meu parceiro de há tão pouco, tão pouco. E, evidentemente, essa fraqueza é tão indesejável, do ponto de vista da coletividade, quanto ter as patinhas dianteiras atrofiadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A diferença é que, ao contrário da atrofia física, a atrofia moral - e me desculpem se sôo oitocentista - é remediável. Pois foi aí que meu liberal particular me abriu os olhos: finda a relação de colaboração, eu é que tinha o poder (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;vous avez le droit&lt;/span&gt;, eles dizem) de simplesmente não aparecer. E foi o que fiz. Não sem alguns deslizes: telefonar avisando, ainda uma medida de cortesia, mas principalmente inventar ao telefone uma desculpa de saúde, um braço distendido e a impossibilidade de ajudar. Traindo o quanto de cana-de-açúcar nosotros levamos en la sangre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, passei ao lado e cobri a cabeça para não ser reconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SOK3JrNzO4I/AAAAAAAAAWs/EsCsvWCjO7A/s1600-h/Contrescarpe.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SOK3JrNzO4I/AAAAAAAAAWs/EsCsvWCjO7A/s320/Contrescarpe.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251961492314733442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SOK3-6swLgI/AAAAAAAAAW0/Zw56rLpy0YU/s1600-h/Contre2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://4.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SOK3-6swLgI/AAAAAAAAAW0/Zw56rLpy0YU/s320/Contre2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5251962407004155394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-855120134378443194?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/855120134378443194/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=855120134378443194&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/855120134378443194'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/855120134378443194'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/09/la-creazione-delluomo.html' title='La creazione dell&apos;uomo'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Rfl39m22IgM/SOK3JrNzO4I/AAAAAAAAAWs/EsCsvWCjO7A/s72-c/Contrescarpe.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-6620916006223280253</id><published>2008-09-28T23:17:00.003-03:00</published><updated>2008-09-29T00:24:22.359-03:00</updated><title type='text'>Dias difíceis</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem foi um dia difícil. Na verdade, ia entrar às 10 da noite e ficar no restaurante até as quatro da manhã. Acabei não fazendo nada o dia todo, um pouco por estar imprestável, um pouco porque é muito fácil passar o dia aprendendo notícias - o conhecimento com data de validade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas aí às 16h45 recebi um telefonema dizendo pra ir pra lá, que a norueguesinha que ia dividir comigo tinha cancelado e que eu deveria ir às 17h. Estava indo lavar roupa, disse que não podia chegar antes das 18h mas que iria o mais rápido possível. Lavei minha roupa e fui. A noite foi longuíssima - quer dizer, deve ter havido momentos de interesse mas tudo de que me lembro é de uma imensa vontade de ir embora e da sensação de tempo, esse esperar tão evidente na etimologia comparada do garçom, preenchendo todos os poros do corpo e deixando todos os acidentes, as reclamações tão francesas, a louça e talheres cantando, o dinheiro entrando e saindo, tudo como num volume mais baixo - até a volta pra casa às 4h30, quando cruzei a Praça do Panthéon e notei que estava inconscientemente tentando desviar os sapatos dos paralelepípedos mais íngremes, que pareciam ignorar a sola de couro (ou borracha, nunca soube) e atingir direto esses calos pouco familiares não do movimento mas da estática, aguçando a sensibilidade como a penumbra ou o álcool, calos que floresciam ainda jovens e expunham, como numa fratura, a vida que continua a correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordei com dificuldade e fui para a minha importante reunião de domingo: visitar Chartres com um amigo que não sei em que cidade verei novamente. Pegamos correndo o trem das 9h30, dormi o percurso todo, rodamos o centro velho todo da cidade e voltamos num trem que eu achei que era às 15h30 e na verdade era às 15h26. Por sorte ele não sabia dessa pequena diferença, ou teria ficado desesperado e teríamos perdido minutos importantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chartres em si é como outras cidades históricas européias. Me interessou mais pela vida quotidiana da gente dali, que tem de se equilibrar entre aderir às modas tão pouco inventivas saídas da cabeça de artistas publicitários, embalando corpos estéreis e sendo difundidas no ar que respiramos, e habitar um cenário de 300 a 700 anos de idade, do qual provavelmente pelo menos metade da sua família depende pra sobreviver. Pensem então uma Campos do Jordão onde o ar cheirasse menos a plástico, gesso e gelo seco, uma cidade com vida própria a qual se pode espiar, sem a certeza de que todos os momentos e surpresas foram cuidadosamente planejados numa sala de paredes brancas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dormi no trem da volta, corri pra casa, me troquei e cheguei ao La Contrescarpe (ele se chama assim, meu trabalho) umas 17h15. Estavam todos lá, ninguém reclamou e peguei mesas. A noite passou rápido e - concluo agora - evidentemente a tudo a gente acaba se acostumando. No fim da jornada, depois da meia noite, ganhei gorjetas incríveis, um escocês foi com a minha cara e me deu sete euros, um outro dois, três e depois mais dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fiz a conta, a notícia: faltavam dez euros. Simples assim: entre o que eu devia ter e o que eu tinha, a sobra era de dez euros. Como eu tinha trazido vinte em moedas pequenas, tinha dez a menos do que quando cheguei. Várias contas feitas, descobrimos que eu tinha perdido uma nota de cartão de dez euros, ou seja, empatei. Evidentementente, devo ter perdido mais que um tíquete de cartão. Foi aí que tomei a decisão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois das duas, sentamos pra comer todos, e foi o momento mais intimista que vivi ali, como num daqueles filmes tão movimentados como uma criança pedindo atenção mas em que o melhor momento é o mais despretensioso, onde os heróis deixam de ser heróis, as princesas deixam de ser princesas e bem, os servos nunca deixam de ser servos não é mesmo?, mas onde - eu disse onde - todas essas relações sociais parecem ter sido suspensas por um instante, todos parecem depender igualmente uns dos outros e poder se servir de porções iguais do coelho sobre a fogueira. (Pra que as relações sociais sejam suspensas com coerência, um filme precisa fazer crer que a própria sociedade está em suspenso - em stand by - naquele momento.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, depois de algumas canções e quando todos haviam ido embora menos o gerente, a garçonete amiga dele e eu, ele  levantou. Eu teria folga terça e quarta. E eu disse que talvez não voltasse na quinta, que não ia esperar perder duzentos euros pra parar. (E vejam que aí mostro uma habilidade para o cassino ou para a bolsa que não se apresenta quando o jogo vai além da superfície.) E ele me diz que eu é que tenho que escolher, que isso acontece com todos os novatos etc., e eu digo que vou pensar mas em princípio segunda-feira (isto é, daqui a doze horas) é meu último dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos os três pra casa pelo mesmo caminho. Eu tento lhes indicar bicicletas para alugar, mas nenhuma estação tem bicicletas que funcionem. Nos despedimos e volto para o meu quarto no sexto andar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinais de velhice: depois de seis dias, mesmo fora da religião o terceiro mendamento (quarto?) parece sábio o suficiente. Não serei o primeiro a não voltar do descanso. Às vezes é necessário abdicar de muitas alternativas e guardar apenas a essencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinal de juventude: devo retornar amanhã uma ligação de alguém que recebeu meu CV e me ligou ontem à tarde. Se forem menos de 45 horas por semana, quem sabe?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-6620916006223280253?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/6620916006223280253/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=6620916006223280253&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6620916006223280253'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6620916006223280253'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/09/dias-difceis.html' title='Dias difíceis'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2805506600059629899</id><published>2008-09-26T23:39:00.003-03:00</published><updated>2008-09-27T00:13:57.077-03:00</updated><title type='text'>Mais</title><content type='html'>Entrada: 22h.&lt;div&gt;Saída:4h30.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Total de caixa: 285,40 euros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Total de gorjeta: 21,96 euros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu dia começou assim: acordei às 9h30 da manhã depois de ter dormido umas 5 ou 6 horas, comi meia baguete tradição (1,05 euros cada) com manteiga. Fui pegar o vinho e o espumante que tínhamos comprado pra hoje, quando iam ser entregues as notas do Master. Fomos pra sala com isso, a Daphnée já estava com salgadinhos e toalhinhas vendo a sala. Empurramos cadeiras e mesas pra fora. Eram 10h3à e ia começar a reunião de recepção da nova turma, então saímos correndo pra nos apresentarmos, que éramos da associação de estudantes e tal. A coordenadora não se lembrava do meu nome. Dissemos um oi e voltamos pra espalhar salgadinhos pelas salas e abrir os vinhos (ficamos discutindo se se devia ou não abrir os espumantes antes de as pessoas chegarem, até que alguém cansou e resolveu abrir). Esperamos um pouco e as pessoas da nossa turma foram chegando, todos vestidos como estudantes que não estão acostumados a terem que parecer chiques se vestem quando têm que parecer chiques.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então finalmente acabou a reunião e vieram os novos estudantes, querendo parecer folhas em branco como alguém disse uma vez e nos pedindo para formatá-los para se darem bem no novo ano. Então a professora leu as notas, a que não lembrava meu nome, e a russa e a americana tinham sido reprovadas e eu tinha tido a melhor nota - não tem duas formas de dizer isso - fora o luxemburguês que já tinha tido sua nota há muito tempo e estava em Nova Iorque. Era uma nota que eles arredondaram pra cima, 15/20, e assim eu ganhava uma menção especial, "bien". A russa e a americana tinham pedido pra eu me certificar de que realmente elas tinham sido reprovadas e enviar e-mails pra elas, pois elas tinham ido embora antes da reunião.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então bebemos champanhe e vinho mas sobraram muitas garrafas, tentamos vender pro pessoal da outra turma mas eles já tinham as próprias, então decidimos ir almoçar num restaurante japonês. Deixei 15 euros, ou seja, um pouco menos do que minhas gorjetas de ontem (a cerveja chinesa custou 5 euros). Voltamos pegar as garrafas e trazê-las para o meu apartamento, e eu fiquei de dar uma festa pros novos alunos ainda em outubro com elas. Eu, o Noël, o Manuel e a Sonia, eles todos franceses, tomamos café aqui, depois a Sonia saiu pra uma reunião e o Manuel mostrou pra mim e pro Noël clipes de rap com letras sexuais e degradantes para as mulheres. O Noël é gay. Os dois foram embora e eu enviei os e-mails pra russa e pra americana, e tentei dormir mas consegui pouco só, talvez por causa do café. Li algumas coisas, escrevi pra amigos e saí pra uma comemoração onde eu não ficaria muito tempo, pois eram nove e às dez eu tinha que estar no restaurante - onde parece que o gerente iraniano estaria esta vez, me diziam que ele que não bebe e não fuma e fica brigando com as pessoas. Tomei apenas uma cerveja pequena na comemoração (3 euros).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui até o restaurante e o iraniano ficou tentando me ensinar as coisas, eu já sabia muitas pois estava no meu terceiro dia mas prestava muita atenção pois era disso que ele precisava. Era sexta-feira e as pessoas estavam generosas, eu não tinha muitas moedas então descobri que quando você pergunta se a pessoa tem vinte centavos normalmente ela te deixa ficar com o troco. O tempo passou rápido pra caramba, fechamos o terraço às duas e então eu fui pra cozinha lavar louça, copos e talheres, e a Ewelina me sacaneou de novo e perguntou se eu não tinha máquina de lavar louça em casa, mas eu respondi que eu lavo a louça na mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Limpamos vários utensílios de cozinha, tenho certeza que se eles soubessem o quanto eu ignoro a utilidade daqueles utensílios me mandariam embora na hora. Então me disseram que me pagariam os dois últimos dias e mais a meia jornada de hoje, e esse então fica sendo o meu primeiro salário nesse ramo - fora quando eu tinha doze anos e fui pra búzios na casa de um amigo dos meus pais, e o pai desse amigo era quem morava em Búzios e ele tinha uma fábrica de gelo. Eu e os netos dele passamos duas horas carregando gelo e ganhamos cinco reais cada um. Eu devia ter doze anos, mesmo, ou até um pouco mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então o iraniano (ele se chama Hussein, talvez seja iraquiano) me disse que eu não ia poder folgar domingo, pois já haviam pegado esse dia e eu expliquei que quando combinamos ele disse que seriam domingo e segunda minhas folgas, e que eu havia marcado uma coisa importante pra domingo (é verdade). Ele me disse que não ia ter jeito mas que eu podia falar com o argentino pra trocarmos. Não consegui falar com o argentino.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Limpamos tudo, recolhemos o terraço e voltei pra casa. Tenho a minha condição (o primeiro salário) e um bom motivo (a troca arbitrária do meu dia de folga, do qual eu precisarei) pra não aparecer mais, ou então reclamar, talvez até criar uma briga como se faz na França e sair por causa disso. Porém a verdade é que a experiência está me agradando, o dinheiro não é mau (pode-se viver a vida toda assim, o Dmitriy me explicou logo de cara) e acho que três dias é tão tão pouco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preciso ver se meu programa de domingo é maleável. Se não for, podemos ter problemas.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2805506600059629899?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2805506600059629899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2805506600059629899&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2805506600059629899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2805506600059629899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/09/mais.html' title='Mais'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-4030065145711545347</id><published>2008-09-26T14:45:00.004-03:00</published><updated>2008-09-26T15:44:48.907-03:00</updated><title type='text'>Uma noite interessante</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai, vocês acharam que eu não ia voltar, não é mesmo? Pois pus pra mim mesmo este &lt;span class="Apple-style-span" style="font-style: italic;"&gt;point d'honneur&lt;/span&gt;. Fico pelo menos até sair o primeiro salário. Depois fiz minhas contas, e se eu sair deste apartamento no fim de outubro, economizo o suficiente pra viajar em novembro e até um pouco em dezembro (coisas estranhas estão acontecendo).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então ontem voltei lá às 5 da tarde. Meu companheiro do dia se chamava Mauro e era argentino (o Dmitriy de folga nas quintas). O Jean, garçom francês, e até o chefe estavam menos intratáveis, e gosto cada vez mais dos marroquinos, banglas e mauritanianos da cozinha. O problema é mesmo a natureza do trabalho, o eterno permanecer de pé, as meias horas que se arrastam nos ponteiros do relógio da praça, a bandeja que vai se tornando mais e mais pesada, e finalmente o chegar em casa com a sensação de ter simultaneamente feito uma prova de 5 horas e jogado uma partida de rugby.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ontem não foi tão mau. Já consigo fazer as coisas sozinho. Não foi tão penoso como o primeiro dia. E principalmente, apareceu lá pelas nove de uma noite meio vazia uma mesa de brasileiros bahianos, que foram praticamente meu único trabalho até a uma da manhã. Consumindo, como convêm aos BRICs, como uma dúzia de franceses cada um. E eu tendo que agradar os bons clientes sem que os chefes percebessem, com uma manteiga extra, trocando acompanhamentos, levando palitos no fim da refeição e emprestando o celular pra pegarem táxi.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Obviamente, já fui descoberto, tanto pelos brasileiros ("o que você está fazendo aqui?") quanto pela polonesa Ewelina, aquela que não fala muito ("pergunta quantas vezes ele varreu o chão na vida"). Apareceu também uma norueguesa gracinha, dessas meninas que pegam a primeira oportunidade sem nexo pra falar que têm namorado. Gosto do tipo. E ela pegou metade do "meu" horário hoje, que ia ser de onze horas. Entro às dez e saio às quatro da manhã. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim da noite, ainda consegui ver uns clientes que não queriam pagar discutindo no caixa, a polícia que chegou em exatamente três minutos depois de o patrão telefonar, uns sete à paisana. O líder deles deu pros caras (um casal e um amigo) a alternativa entre pagar e ir se explicar na delegacia, e, depois de eles pagarem, anunciou que iam pra delegacia assim mesmo (por ivresse publique, uma infração que aparentemente fica na manga da polícia pra quando alguém incomoda os outros). Isso uma e meia da manhã, logo antes de fechar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cheguei em casa cansado o suficiente pra tomar uma sopa e dormir. E talvez o mais importante: com gorjetas. E é preciso ser específico, pois, como alguém lembrou outro dia (comentando Balzac?), falar em dinheiro sem falar em valores não é falar em dinheiro. No primeiro dia, minha conta deu 601 euros, e eu tinha aproximadamente 602 no bolso. Ou seja, voltei pra casa tão pobre quanto saí. Ontem, foram 594 de giro, e contando depois as moedas que me sobraram, voltei pra casa com 20 euros a mais. Pagará a comemoração de hoje (até às 22h), pois tivemos as notas do meu Master, que já parecia tão longe. Verdade: os bahianos devem ter sido responáveis, sozinhos, por uns 15 desses 20 euros (consumiram no total 286 euros, pagaram 300). Mas sei que dá pra pegar pelo menos uma mesa dessas por semana, e virar o brasileiro de referência. Apesar de que dificilmente ficarei tantas semanas assim, lembro bem desse trecho da Fogueira das Vaidades: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;blockquote&gt;"You see, Daddy didn't bake the cake, and Daddy isn't the one who gets to eat it.      But he gets to slice the cake and hand it out. And when he does, little golden crumbs fall off the cake. And Daddy gets to eat those."&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou, traduzindo, em auto-ajuda: nada como carregar bandejas de verdade um pouco na vida.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-4030065145711545347?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/4030065145711545347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=4030065145711545347&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4030065145711545347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4030065145711545347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/09/uma-noite-interessante.html' title='Uma noite interessante'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-8368872868472811820</id><published>2008-09-24T21:37:00.006-03:00</published><updated>2008-09-24T22:01:20.648-03:00</updated><title type='text'>O primeiro dia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou destruído, mas preciso deixar satisfações. Porque daqui a alguns anos será fácil: terei sido garçom em Paris, que é tão romântico, e terei fotos (ah, tirarei fotos!) e até talvez boas histórias pra contar. Mas neste momento a vontade é não voltar mais naquele lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em termos financeiros, sejamos objetivos: sou explorado. Trabalhei 9 horas e meia, isto é, mais do que o permitido no mundo ocidental. Na sexta e no sábado, serão 11 horas e meia. Domingo e segunda não trabalho, mas isso não significa que o resto não vá somar 61 horas semanais. Pondo contudo em perspectiva: o ganho, 60 euros diários, é acompanhado de um prato do lugar (digamos, dez euros), o que dá aí uns 150 reais por dia, ou seja: em três noites de trabalho ganho um salário mínimo do Brasil. E há as gorjetas - mas hoje, por exemplo, fazendo as contas me sobrou um euro e meio. Ou seja, você é o empregado mas também é um pouco o comerciante: se enganou, é no seu bolso que pesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, fiz um amigo que se chama Dmitri e é ucraniano: fala inglês e alemão, um pouco de espanhol, morou na Suíça e Alemanha e está cursando estudos europeus em Paris. Quer fazer um estágio ano que vem na Comissão Européia. Somos colegas de falta de sentido, embora estejamos circunstancialmente precisando da grana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As outras pessoas são o Jean, um francês que dá raiva porque é garçom igual a gente mas se acha muito importante. Uma menina do leste europeu cujos nome e nacionalidade ainda são incógnita. E o gerente, o Christian, que se esmera em ser intratável. Na cozinha, o chef (chamamos ele de "chef") e as baixas nacionalidades: marroquino e mauritaniano. Lavando pratos, copos etc. Parece que amanhã voltará um argentino (garçom também) que será o Dmitri quando o Dmitri não estiver lá (amanhã, por exemplo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coisas estranhas acontecem, como o seu olhar pra meio sanduíche e muitas batatas deixadas num prato quando já é mais de meia noite e você não como desde à tarde. A raiva compartilhada com os cliente gringos pelos hábitos franceses (por exemplo, não há cinzeiros no restaurante: não é permitido ser civilizado). A previsível raiva de um grupo de brasileiros que fica batendo papo, chama conversa, pergunta de você e no fim vai embora com um abraço, protestos de estima e admiração e promessas de amor eterno, e nem um centavo de gorjeta. A vontade de se sentar depois de 8 horas de pé segurando uma bandeja. A reprimenda quando você senta (là on s'assoit pas, monsieur). O fechar o lugar depois de tudo, uma noite importante pra alguns casais, monótona pra outros, qualquer pra um grupo de amigos, fantástica pra uns turistas com câmeras profissionais. O carregar as mesas do terraço pra dentro, e então sacar por que há só uma mulher na equipe (são tão pesadas!). E o voltar pra casa acabado, e desejando apenas dar uma idéia cansada do que se passa e ir dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho reunião da associação de estudantes em exatamente 8 horas. Às 5, estarei lá de novo, ou seja: ao que parece, fui aceito.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-8368872868472811820?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/8368872868472811820/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=8368872868472811820&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8368872868472811820'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8368872868472811820'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/09/o-primeiro-dia.html' title='O primeiro dia'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-4248619164274249713</id><published>2008-09-23T19:01:00.006-03:00</published><updated>2008-09-23T19:32:22.219-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='s'/><title type='text'>Dia 6</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem, eu sabia que devia ter escrito pra vocês no dia 3. O que aconteceu foi que nesse dia, quando cheguei em casa, havia questões mais importantes esperando pra serem resolvidas. E, como vocês claro sabem e compreendem, na vida é preciso ter prioridades.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Tento reconstituir (reencarnar, como alguém disse numa prova e foi considerado um insulto à língua): no dia 3 estava meio mal. Ninguém havia me telefonado apesar dos onze currículos distribuídos com efusivos apertos de mão. Então, e apesar de a teoria da equivalência das janelas ter se mostrado mais forte do que nunca, eu estava meio mal. Porque havia percorrido muitos outros bares e restaurantes e só parecia haver negativas, como se as portas da lei estivessem fechadas para mim exceto se eu mostrasse toda a minha ficha corrida nobre e enobrecedora. E havia inclusive sido sacaneado por um gerente, não pelo meu francês ruim mas vejam vocês pelo meu francês coloquial demais, street demais - isso deveria ser de alguma forma motivo de orgulho, não? Pois não foi. Entrei no personagem por assim dizer, eu pensava, eu podia precisar disso, e depois pensava na minha conta e dizia, quem estou querendo enganar?, eu preciso disso, e depois pensava nas minhas mil outras opções etc etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda por cima uma amiga francesa tinha sugerido que eu fizesse uma carta de motivação, quer dizer, uma folha A4 em que você explica em uns poucos parágrafos por que sempre quis ser garçom, é a pessoa perfeita para o trabalho e trabalhar na [_instert company name_] realizará todos os seus sonhos e contribuirá decisivamente para o sucesso do bar ou restaurante-alvo. Acrescentou que eles acham legal quando a carta é manuscrita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evidentemente, isso havia tocado num ponto sensível. Quer dizer, uma coisa é defender empresas de tabaco contra pessoas que estão no leito de morte, outra coisa é sentar durante duas horas e redigir manualmente cartinhas individualizadas para bares turísticos explicando que nada te faria mais feliz do que segurar uma bandeja 35 horas por semana e ser compreensivo com pessoas que não falam nenhuma língua conhecida. Era subserviência demais. Contra os meus princípios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda, ainda uma grande amiga e minha irmã, minha própria irmã, já na noite do dia 3 me diziam pra ceder, pra escrever as tais cartinhas que não tinha nada demais. Realmente, por exemplo: o seu banco não te manda cartões de Natal personalizados?, às vezes assinados de próprio punho pelo seu gerente? É semelhante: é preciso saber como as coisas funcionam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso foi o dia 3. E a melhor dica que tive, aparentemente, foi a de dizer a verdade. Que quero sentir qual que é, feel the thrill, just for the kicks. Porque foi o que fiz hoje. Ia naquela pracinha da Rue Mouffetard onde tem a Haagen-Dasz (?, não vou googlear) beber com um amigo que encontrei vezes demais nos últimos dias pra ser coincidência, ele atrasa ainda por cima, e vagando um pouco vejo uma placa: "CHERCHE : SERVEUR OU SERVEUSE - S'ADDRESSER À LA CAISSE".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vou até o caixa e peço informações, digo que não estava lá pra isso e não tenho nenhum CV comigo mas que sim, que moro perto e posso ir buscar. Ando até em casa, pego 3 cópias pro caso de não dar certo e volto pro lugar. Explico, como sugereiram, a verdade: que acabei de terminar um Master, que sou gringo e que vou passar os próximos meses lendo no meu quarto pra minha tese, e que gostaria de ter um trabalho à noite (omito que ele durará exatamente um mês), pra falar francês do dia-a-dia e ganhar um pouco de dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O gerente pergunta se sei trabalhar com bandeja. Pego na mão uma que está ao lado. Ele me pergunta se já fiz isso, e decido dizer a verdade: que trabalhávamos mais com copos individuais, como num pub. Ele diz que é pra saber se precisa me formar ou não. São 60 euros por noite, as gorjetas são minhas, chega-se às 16h30, come-se alguma coisa e trabalha-se direto até às 2h, sextas e sábados até às 4h. É preciso estar de camisa branca, gravata preta, calça preta e sapato preto. Importante ter uma pochete (na verdade, achei que era um avental, descobri depois que era uma pochete). Ele me empresta se não tiver. Farei um dia de teste, e depois vemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saio com um papelzinho com as indicações e vou encontrar umas pessoas que nem conheço. Estou contente demais com essa coisa estúpida e tenho que me esforçar pra não ser inconveniente. Ficar feliz por trabalhar em Genebra, na OMC, realizando estudos fantásticos e negociando grandes somas internacionais, seria uma coisa. Ficar feliz por ser aceito como garçom, pra trabalhar mais que o limite legal e receber o salário mínimo, sem direitos, é um pouco outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ah, como me alegra. Nem que seja só o dia de prova - mas me esforçarei tanto que não poderão me recusar! Vocês vão ver.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-4248619164274249713?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/4248619164274249713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=4248619164274249713&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4248619164274249713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4248619164274249713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/09/dia-6.html' title='Dia 6'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-3536753811788006255</id><published>2008-09-17T18:46:00.007-03:00</published><updated>2008-09-18T04:25:46.084-03:00</updated><title type='text'>O que é turismo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois é que hoje de manhã acordei e finalmente notei que estou recuperado das duas semanas sem dormir, das 178 páginas de reflexão sobre sanções internacionais que abandonei sem esgotar o assunto por falta de tempo e da tensão de não ter ido tão longe quanto gostaria. E lembrei também do Caçador que espreita espalhado em folhas A4 nestes 12,60m² de lucidez e em etéreas mensagens de e-mail de mim pra mim mesmo, que se morro ninguém nunca saberá a senha (exceto por meus pais, que terão sem dúvida o bom-senso de apagar tudo, há um motivo pelo qual coisas ficam sem ser publicadas e não é porque o autor queria esconder o que de melhor ele tinha).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, mais importante, lembrei da minha conta bancária que está pra emitir o seu último suspiro de dinheiro ganho sentado entre cristal líquido, carpete, cafezinhos grátis e árvores desmembradas, caindo a cada segundo e se transformando em share pledge agreements, em convocações de assembléia geral extraordinária, em termos de quitação, poemas e quem sabe se bilhetinhos de amor. E verifiquei os últimos desastres excitantes sobre o Lehman Brothers e o Northern Rock e mais tantos outros nomes que se dá à rede de árvores desmembradas guardadas em arquivos cem ou duzentas vezes mais espaçosos que o lugar que habito, sufocadas no terceiro subsolo de algum prédio, protegidas pelo solo rochoso de Manhattan, por barras de ferro e trancas inacessíveis para mãos humanas, outorgando plenos poderes a rapazes com ternos de dois botões, gravatas de 7cm de espessura, sapatos de bico fino e pomada no cabelo para comprar e vender ienes de fevereiro de 2009, safras agrícolas da Geórgia em 2014 e tufões destruidores das casas dos cubanos em 2023, quando há muito a estátua de Fidel terá sido levada para o Metropolitan.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensei nas minhas opções, em como falar com o proprietário do apartamento sobre a saída definitiva, nos dias que seria necessário para realizar algumas transações e nos pulsos telefônicos que resolveriam todos os problemas, e tomei a única atitude razoável nas circunstâncias. Removi do meu curriculum vitae - do curso da minha vida, diria um latinista - três anos sentado redigindo contratos internacionais, seis meses atuando junto ao Poder Judiciário do Estado de São Paulo, 250 páginas de teoria jurídica, cargos políticos estudantis, um prêmio universitário internacional e dois artigos publicados. Em vez, coloquei experiências de verão em bares e restaurantes que chamei Casa da Cachaça e Copacabana Sucos. Imprimi dez cópias no mesmo lugar onde há uma semana imprimi mais de 1200 páginas e onde há um ano xerocopio reflexões de renomados teóricos de tantas áreas espalhados pelo mundo, para colori-las em verde, amarelo e laranja. Montei numa bicicleta às 21h00 de Paris numa quarta-feira e fiz a ronda dos bares da cidade onde tantas vezes já estive como consumidor, repetindo como uma antiga fórmula o mantra: "&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Bonsoir, est-ce que vous auriez par hasard besoin de quelqu'un pour travailler dans le bar?, comme serveur ou comme barman?&lt;/span&gt;", e daí começando diálogos mais ou menos frutíferos que podiam terminar numa recusa expressa, numa confissão de que ali trabalha apenas a família do patrão, na informação de que o patrão só contrata meninas ou num aperto de mão e promessa de ligação no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E caminhava pela rua pensando na música que diz que as pessoas elas não entendem, as namoradas elas não entendem, nas espaçonaves eles não vão entender e eu então nunca vou entender, e naquele trecho fantástico do On The Road em que ele fala assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="font-style: italic;"&gt;"We bent down and began picking cotton. It was beautiful. Across the field were the tents, and beyond them the brown cottonfields that stretched out of sight to the brown arroyo foothills and then the snow-capped Sierras in the morning air. This was so much better than washing dishes South Main Street. But I knew nothing about picking cotton. I spent too much time disengaging the whiteball from crackly bed; the others did it in one flick. Moreover, fingertips began to bleed; I needed gloves, or more experience. There was an old Negro couple in the field with us. They picked cotton with the same God-blessed patience the grandfathers had practiced in ante-bellum Alabama; they moved right along their rows, bent and blue, and their bag increased. My back began to ache. But it was beautiful kneeling and hiding in that earth. If I felt like resting I did, my face on the pillow of brown moist earth. Birds an accompaniment. I thought I had found my life’s work.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Every day I earned approximately a dollar and a half. It was just enough to buy groceries in the evening on the bicycle. The days rolled by. I forgot all about the East and all about Dean and Carlo and the bloody road. Johnny and I played all the time; he liked me to throw him up in the air and down in the bed. Terry sat mending clothes. I was a man of the earth, precisely as I had dreamed I would be, in Paterson. There was talk that Terry’s husband was back in Sabinal and out for me; I was ready for him. One night the Okies went mad in the roadhouse and tied a man to a tree and beat him to a pulp with sticks. I was asleep at the time and only heard about it. From then on I carried a big stick with me in the tent in case they got the idea we Mexicans were fouling up their trailer camp. They thought I was a Mexican, of course; and in a way I am."&lt;/blockquote&gt;E era apenas isso, não há ninguém para entender e eles pensarão que eu sou um mexicano, e de certa forma eu sou é claro. Mas de outra forma não, não é mesmo? Pois acima dos lagos, acima dos vales, das montanhas, dos bosques, das nuvens, dos mares, há um futuro onde a máquina do mundo se abre majestosa e circunspecta, chamando-me para seu reino augusto afinal sumetido à vista humana, e nesse futuro não serei um mexicano nem um marroquino nem um maliano. Por isso é tão importante dizer que sim, que trabalho em período integral se necessário e até mais, que não preciso de papéis nem nada e que posso ficar inclusive até mais tarde. E tenho sorte, pois meu grande trunfo são exames que fiz para pedir entrada em paraísos educacionais que custam  o dobro do que ganharei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, depois de duas horas realizando essa atividade de soltura no mundo, voltei para minha casa que fica na Montanha de Santa Genoveva, entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejam. É preciso tentar, ao menos uma vez, enviar cartas a esmo e verificar se há efetivamente alguém do outro lado, em vez de apenas bater a senha que vem sendo transmitida há gerações. É preciso não saber a senha e dizê-la mesmo assim, ainda que nos seja proibido, ao final, entrar no mundo de Alice (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"If you men only knew!"&lt;/span&gt;) pois nunca havíamos sido convidados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tudo der certo então, poderei em breve expor em quê ser advogado difere de ser garçom. Aguardem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-3536753811788006255?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/3536753811788006255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=3536753811788006255&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3536753811788006255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3536753811788006255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/09/o-que-turismo.html' title='O que é turismo'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-8866290918137313032</id><published>2008-09-01T19:36:00.002-03:00</published><updated>2008-09-01T19:47:12.572-03:00</updated><title type='text'>Eu preciso</title><content type='html'>Fiz até voto de silêncio e etc, mas preciso explicar isso. Imaginem isto escrito num pacote de queijo ralado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:180%;"&gt;"SEU 2° QUEIJO 100% REEMBOLSADO&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para obter seu reembolso (sobre a base do mais barato dos dois produtos, no limite de €4,50), você só precisa comprar simultaneament dois queijos ralados Entremont portadores desta oferta (idênticos ou não) e enviar em 21 dias da data da sua compra (afora domingos e feriados) : seus sobrenome, nome e endereço sobre papel avulso, os dados de sua conta bancária os códigos de barra recortados, o original da nota fiscal (data e quantidade de compra dos dois produtos comprados) e os dois anúncios de oferta promocional presentes nas embalagens (a recortar). Enviar tudo em envelope com os selos correspondentes o mais tardar em 24.12..08 à meia noite (selo dos Correios fazendo fé) a :&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ENTREMONT 2° ralado 100% reembolsado&lt;br /&gt;CEDEX 2867 - 99286 PARIS CONCOURS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reembolso exclusivamente por depósito bancário e em 4 semanas. Custos do envio não reembolsados. Todo pedido ilegível, incompleto, enviado após a data ou não respeitando as condiões da oferta será considerado nulo. 1 único reembolso por família (mesmo sobrenome, mesmo endereço, mesma conta corrente). Oferta reservada à França metropolitana (Córsega incluída)."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse é o país em que eu estou morando, entenderam?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-8866290918137313032?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/8866290918137313032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=8866290918137313032&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8866290918137313032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8866290918137313032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/09/eu-preciso.html' title='Eu preciso'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-99094333387414975</id><published>2008-08-25T23:24:00.002-03:00</published><updated>2008-08-25T23:46:48.174-03:00</updated><title type='text'>Outros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Eu estive quieto quieto, não é? É que andamos ocupados com coisas sem a menor importância.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Il est hors de doute, dit Robertson Smith, que chaque sacrifice était primitivement un sacrifice collectif du clan et que la mise à mort de la victime était un acte &lt;em&gt;défendu à l'individu et qui n'était justifié que losque la tribu en assumait la responsabilité&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;On sait qu'on accomplit une action qui est interdite à chacun individuellement, mais qui est justifiée dès l'instant où tous y prennent part ; personne n'a d'ailleurs le droit de s'y soustraire.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E, afinal de contas, nem é uma epígrafe tão boa. talvez essa fosse melhor:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;L'action accomplie, l'animal tué est pleuré et regretté. (...) Mais ce deuil est suivi de la fête la plus bruyante et la plus joyeuse, avec déchaînement de tous les instincts et acceptation de tous les satisfactions. Et ici nous entrevoyons sans peine la nature, l'essence même de la &lt;em&gt;fête&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Une fête est un excès permis, voire ordonné, une violation solennelle d'un interdit. Ce n'est pas parce qu'ils se trouvent, en vertu d'une prescription, joyeusement disposés que les hommes commettent des excès : l'excès fait partie de la nature même de la fête ;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daí pra Blake estamos num pulo. Mas não pronunciarei.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-99094333387414975?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/99094333387414975/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=99094333387414975&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/99094333387414975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/99094333387414975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/08/outros.html' title='Outros'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-796960374816070648</id><published>2008-08-15T11:29:00.000-03:00</published><updated>2008-08-15T11:30:28.605-03:00</updated><title type='text'>Tanto esforço</title><content type='html'>E as vezes parece mesmo que é demais, não é?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-796960374816070648?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/796960374816070648/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=796960374816070648&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/796960374816070648'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/796960374816070648'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/08/tanto-esforo.html' title='Tanto esforço'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-9128176489597664645</id><published>2008-08-13T14:11:00.003-03:00</published><updated>2008-08-13T14:15:12.249-03:00</updated><title type='text'>Fragmento</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"OK, so who's the arsehole now?" Veja como a pergunta pode ser reinterpretada, como se fôssemos crianças sentadas em roda girando uma garrafa, "Ok, so who's the arsehole now?" Sei que algo em você que grita quer apontar os culpados de uma vez por todas, então me desculpe por isso querida - mas o assassino era esse três rodadas atrás, e o detetive agora é apenas quem estiver com o papelzinho marcado com um D. Mas aí já parei de falar com você e estou escrevendo um post.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É uma forma de post-nuclear thinking, talvez, mas nunca acreditei em culpados. A Suzane von R.ichthofen não é um monstro, o cara que atirou a filha da janela não é um monstro, o de-que-não-se-fala (leia Totem e Tabu, ah, leia...) não é um monstro e você não é um monstro. Pode ser, é claro, que eu seja o único diabinho, justificando toda a carnificina em nome de uma certa concepção de alma - mas veja como isso me aproxima tanto tanto do perdão universal, que todos sabemos que é a característica de um único ser no universo. Porém eu não diria isso tampouco, e prefiro ficar com Wilde : "We are all in the gutter, but some of us are looking at the stars".&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-9128176489597664645?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/9128176489597664645/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=9128176489597664645&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/9128176489597664645'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/9128176489597664645'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/08/fragmento.html' title='Fragmento'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-3043775821801194679</id><published>2008-08-12T01:58:00.004-03:00</published><updated>2008-08-12T02:58:51.136-03:00</updated><title type='text'>Casanova</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabo de ver um filme chamado Memórias de Casanova, ou só Casanova, vocês sabem como são essas coisas. E preciso dizer - só escrevo aqui coisas que preciso dizer - que terminei o filme revoltado, esbravejando pra pessoas intrigadas com atitude tão bizarra diante de um filme bobo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu problema com o filme era apenas o enredo. Achei o figurino adequado, as intepretações críveis e o cenário bem-construído (afora uma ou outra marcas de avião no céu veneziano do século XVIII, quando não se arava ainda o céu). Apenas o enredo, qual seja, segundo a wikipedia:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;"Casanova, pela primeira vez na vida, encontra uma mulher que o rejeita. Ela é a bela veneziana Francesca Bruni e, para conquistá-la, Casanova usa os mais variados disfarces e estratégias, colocando em jogo sua reputação e até mesmo a sua vida." (devo dizer que existe um filme do Fellini e que obviamente não é o que interessa)&lt;/blockquote&gt;Vocês entenderam então? Casanova, o libertino, Casanova, o maior dos sedutores, Casanova, o destruidor de corações (não de famílias, nessa época não tinha dessas em Veneza), se apaixona, que é a forma polida de dizer: encontra uma mulher que o rejeita (não estou igualando as duas coisas, por favor - mirem mais embaixo). E então faz o possível e o impossível para tê-la, abdica dos seus amores e até de deflorar a virgem que lha daria uma aparência digna e lhe salvaria o pescoço da inquisição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me corrijam aqui todos os semioticistas, todos os psicanalistas, todos os filósofos e todos os lógicos se eu estiver errado: o Casanova hollywoodiano deixa de fruir o presente e é dominado pelo amor Shakespeariano, aquela abdicação do presente pela fruição do futuro (que, como o inglesinho apontou, identifica-se com a vida eterna e portanto com a morte). Permanece perseguido, vejam bem, como se houvesse uma continuidade entre uma coisa e outra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não há. Há é a grande inversão do mito, que passa a propagar assim : o maior dos conquistadores não era um conquistador, mas no fundo um infeliz frustrado ; a fruição dos seus desejos ainda não é a felicidade ; a verdadeira felicidade está em outro lugar, no inatingível, ali, e não no que você está fazendo agora ; é preciso estar frustrado, há algo além pelo que vale a pena lutar, usar todos os disfarces e estratégias ; cuidado, pois pode não ser pra sempre e, se não for pra sempre, retroativamente isso significa que não deu certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é ainda que o libertador se converteu na prisão. É mais primitivo: a prisão se apresentando com um cartão onde se lê, "Libertador".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma vez o Blattner me disse sobre a Montanha Mágica que o sujeito estava deitado no quarto da amada vendo entrar a luz da manhã, e que ele então pensava que aquilo era apenas a ponta do enorme iceberg da felicidade, quando na verdade aquele momento era a própria felicidade. É isso. O filme nos treina para procurar o iceberg, e nos deixa muito inquietos quando não conseguimos nem mesmo vê-lo, pois estamos ocupados demais admirando a ponta. Que ao menos tirássemos fotos da ponta, para poder fruí-la pra sempre.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vi também admirável mundo novo outro dia em filme, a mesma mensagem : na verdade o Amor existe e os seres do futuro é que foram privados dele, até de Shakespeare, ah Shakespeare que nos diz tanto. Nosso mundo, e não o deles, é que é o único possível, diz o filme. Espero que o livro não seja assim - 1984 certamente não é, embora tentem fazer dele um apaixonado tratado de anti-stalinismo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O saldo, que apresento como a novidade da temporada : Hollywood é uma máquina de pegar histórias e transformá-las em comerciais da tesoura do Mickey e da Minnie, lembram dela? De te garantir que existe um mundo do depois-de-conseguir, um mundo muito melhor, onde finalmente você estará a salvo, sem dor e sem remorso e ao lado dos que te amam, onde tem prostitutas bonitas para a gente namorar.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sinto dizer, mas esse mundo tem nome, e é o Além. Chegar a ele demanda a morte.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-3043775821801194679?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/3043775821801194679/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=3043775821801194679&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3043775821801194679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3043775821801194679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/08/casanova.html' title='Casanova'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2387096260552567040</id><published>2008-08-09T15:43:00.003-03:00</published><updated>2008-08-09T15:48:35.839-03:00</updated><title type='text'>Pós-FLAP!, ressacas e uma chave</title><content type='html'>&lt;span style="color:#000000;"&gt;..................................&lt;/span&gt;"for when the players are all&lt;br /&gt;&lt;a name="347"&gt;dead, there needs none to be blamed. &lt;/a&gt;"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2387096260552567040?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2387096260552567040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2387096260552567040&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2387096260552567040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2387096260552567040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/08/ps-flap-ressacas-e-uma-chave.html' title='Pós-FLAP!, ressacas e uma chave'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2168734694431375114</id><published>2008-07-31T13:57:00.005-03:00</published><updated>2008-07-31T14:04:09.007-03:00</updated><title type='text'>Lugares-comuns I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;É, talvez o Andy já estivesse jogando bem antes do batismo. É o Micheal quem imagina estar-lhe impondo um sacrifício - como foi requerido dele, não foi?, "That's not me, Kate, that's my family" -, quando na verdade o pequeno Mike está apenas sacrificando a si próprio uma segunda vez.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2168734694431375114?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2168734694431375114/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2168734694431375114&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2168734694431375114'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2168734694431375114'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/lugares-comuns-iii.html' title='Lugares-comuns I'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-7869278119013879794</id><published>2008-07-31T13:52:00.002-03:00</published><updated>2008-07-31T13:57:27.532-03:00</updated><title type='text'>Lugares-comuns II</title><content type='html'>"No entanto, talvez um dia o século seja Deleuziano."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-7869278119013879794?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/7869278119013879794/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=7869278119013879794&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7869278119013879794'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7869278119013879794'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/lugares-comuns-ii.html' title='Lugares-comuns II'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-4534108680440540040</id><published>2008-07-31T13:47:00.003-03:00</published><updated>2008-07-31T13:51:40.264-03:00</updated><title type='text'>Lugares-comuns</title><content type='html'>Acreditar fortemente numa coisa diz muito sobre você, e muito pouco sobre a coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-4534108680440540040?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/4534108680440540040/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=4534108680440540040&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4534108680440540040'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4534108680440540040'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/lugares-comuns.html' title='Lugares-comuns'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-6201363655804319713</id><published>2008-07-28T18:53:00.005-03:00</published><updated>2008-07-28T19:01:09.767-03:00</updated><title type='text'>É tarde é tarde é tarde</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, entendo vocês, não há tempo. Na verdade, nunca houve. Por isso, precisamos ter muito cuidado com como gastamos os olhos. Por isso, substituo uma digressão sobre os pedaços de cada um e a atividade de tradução por algo que me apareceu em outro continente, sem maior razão de ser. Apenas estando.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Como Chateaubriand&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um quadro de Degas. Cortinas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;e um pouco de sol. Os relógios&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;esparsos pelo chão ensinavam&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;sobre dias da semana. Lembrávamos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;de pequenas batalhas por espaços imaculados no teu corpo, e ainda&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;e ainda estávamos vivos. Já todas as apostas&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;haviam se encerrado, e nem tínhamos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;pensado numa boa canção. Apenas cantávamos.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um quadro de Degas, ou outra coisa&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;ainda menor. Um espaço na calçada&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;e dedos que escorregam. Aquela foto&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;da Simone, eu pensava. Aqui parece Paris.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Podia ser qualquer lugar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um quadro apenas, ou então a cômoda,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;o espelho espalhado em triângulos,&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;tanto tempo extraído do armário.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma ilha para pés descalços&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;e costas de bailarina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p  style="margin-bottom: 0cm;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-family: georgia;"&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-6201363655804319713?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/6201363655804319713/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=6201363655804319713&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6201363655804319713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6201363655804319713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/tarde-tarde-tarde.html' title='É tarde é tarde é tarde'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-7870096515572364226</id><published>2008-07-23T16:05:00.002-03:00</published><updated>2008-07-23T16:14:09.661-03:00</updated><title type='text'>Como resposta</title><content type='html'>(i) É preciso levar em conta que andei os últimos dias com uma dor que, descobri hoje, era uma cárie, dor que providencialmente decidiu se manifestar apenas ao cruzar o trópico de capricórnio. Por conta disso, estive com o pensamento um tanto embaralhado. O que não é necessariamente ruim, apenas significa: eu não controlo a ordem em que me chegam as cartas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(ii) Sobre o sacrifício, não é - no caso - uma questão de crença, é uma questão de observação. Ou eu passo a impressão de que escrevo pra mim mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(iii) O ponto (ii) não diz o que quer dizer. Tentarei explicar, claudicando como de costume, numa próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(iv) Aparentemente, sou tão fácil de anestesiar como um cavalo. Isso não quer dizer nada de bom, só que o tratamento será mais longo e doloroso, sem dar melhores resultados. E contudo há um certo orgulho nisso, não há? Precisarei remexer nesse assunto também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-7870096515572364226?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/7870096515572364226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=7870096515572364226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7870096515572364226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7870096515572364226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/como-resposta.html' title='Como resposta'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-4815328663397563916</id><published>2008-07-22T14:19:00.005-03:00</published><updated>2008-07-22T15:36:27.585-03:00</updated><title type='text'>A impossibilidade de prosseguir</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Essa história de começar, começar e começar de novo me lembra sempre um trecho importante do nosso escasso repertório comum. Porque sempre é certo o aonde chegaremos, o problema todo é sair da etapa (I), não é? Assim:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;"e recitei os dous versos, cada um a seu modo, um languidamente: &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;Oh! Flor do céu! Oh! Flor cândida e pura! &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;e o outro com grande brio:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Perde-se a vida, ganha-se a batalha!&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A sensação que tive é que ia sair um soneto perfeito. Começar bem e acabar bem não era pouco. Para me dar um banho de inspiração, evoquei alguns sonetos célebres, e notei que os mais deles eram facílimos; os versos saíam uns dos outros, com a idéia em si, tão naturalmente, que se não acabava de crer se ela é que os fizera, se eles é que a suscitavam. Então tornava ao meu soneto, e novamente repetia o primeiro verso e esperava o segundo; o segundo não vinha, nem terceiro, nem quarto; não vinha nenhum. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(...)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Trabalhei em vão, busquei, catei, esperei, não vieram os versos. Pelo tempo adiante escrevi algumas páginas em prosa, e agora estou compondo esta narração, não achando maior dificuldade que escrever, bem ou mal. Pois, senhores, nada me consola daquele soneto que não fiz. Mas, como eu creio que os sonetos existem feitos, como as odes e os dramas, e as demais obras de arte, por uma razão de ordem metafísica, dou esses dous versos ao primeiro desocupado que os quiser. Ao domingo, ou se estiver chovendo, ou na roça, em qualquer ocasião de lazer, pode tentar ver se o soneto sai. Tudo é dar-lhe uma idéia e encher o centro que falta."&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(Em vez de me desviar para uma inútil diatribe sobre os sites (no plural) que convidam o leitor a completar o poema, tento ignorá-los para continuar no plano inicial.)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O jogo todo é: temos o início aqui, conosco, e sabemos intuitivamente sobre o grandioso final, embora ele possa ser grandioso de mais de uma forma. "Tudo é dar-lhe uma idéia e encher o centro que falta." Contudo, e aqui está a chave, somos permanentemente tomados pela impressão de que uma das regras do jogo é que não estamos autorizados a jogar. Basta aguardar e seguir as instruções, todo o sacrifício já foi feito. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E não estou adicionando esse elemento: o problema está identificado no texto, e é a premissa, como provam os sites que nos convidam a completar o soneto. A premissa de que os versos podem sair uns dos outros, &lt;em&gt;naturalmente&lt;/em&gt;; de que os sonetos existem feitos como as odes e os dramas, e as demais obras de arte, &lt;em&gt;por uma razão de ordem metafísica&lt;/em&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois é aí, &lt;a href="http://homelupus.weblog.com.pt/"&gt;Daud&lt;/a&gt;, que entram os Corleone. Pois os momentos de transcendência são justamente os momentos de superação, superação que significa: Mary precisa morrer. O que não é o problema, apenas o preço a pagar. A decisão precede o sacrifício, apesar de o compreender. Sinto necessário repetir o diálogo:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;Priest: "Michael Francis Rizzi do you renounce Satan?" &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Michael Corleone : "I do renounce him."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Priest: "And all his works?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Michael: "I do renounce them."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Priest: "And all his pomps?"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Michael: "I do renounce."&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O problema todo é que os versos não sairão uns dos outros. E não será possível sair do (I) e completar o soneto sem romper com essa premissa. Não basta aguardar e contar com os princípios da metafísica. Para prosseguir, precisaremos aceitar o batizado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-4815328663397563916?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/4815328663397563916/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=4815328663397563916&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4815328663397563916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4815328663397563916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/impossibilidade-de-prosseguir.html' title='A impossibilidade de prosseguir'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-5866974957386481895</id><published>2008-07-20T11:57:00.002-03:00</published><updated>2008-07-20T12:08:12.731-03:00</updated><title type='text'>Um certo passado pop - (I)</title><content type='html'>ou: Bem-vindo de volta, guardamos seu lugar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;"I do not know what, precisely, Laura said [to Liz], but she would have revealed at least two, maybe even all four, of the following pieces of information:&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;1) That I slept with somebody else while she was pregnant.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;2) That my affair contributed directly to her terminating the pregnancy.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;3) That, after her abortion, I borrowed a large sum of money from her and have not yet repaid any of it.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;4) That, shortly before she left, I told her I was unhappy in the relationship, and I was kind of sort of maybe looking out for someone else. &lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Did I do and say these things? Yes, I did. Are there any mitigating circumstances? Not really, unless any circumstances (in other words, context) can be regarded as mitigating. And before you judge, although you have probably already done so, go away and write down the worst four things that you have done to your partner, even if - especially if - your partner doesn't know about them. Don't dress these things up, or try to explain them; just write them down, in a list, in the plainest language possible. Finished? OK, so who's the arsehole now?"&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-5866974957386481895?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/5866974957386481895/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=5866974957386481895&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/5866974957386481895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/5866974957386481895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/um-certo-passado-pop-i.html' title='Um certo passado pop - (I)'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-4239325407178569333</id><published>2008-07-19T10:28:00.008-03:00</published><updated>2008-07-19T10:39:29.718-03:00</updated><title type='text'>Descontextualizações - (I)</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Pero, puesto caso que corran igualmente las hermosuras, no por eso han de correr igualmente los deseos, que no todas hermosuras enamoran: que algunas alegran la vista y no rinden la voluntad; que si todas las belezas enamorasen y rindiesen, sería un andar las voluntades confusas y descaminadas, sin saber en cuál habían de parar, porque, siendo infinitos los sujetos hermosos, infinitos habían de ser los deseos."&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-4239325407178569333?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/4239325407178569333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=4239325407178569333&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4239325407178569333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4239325407178569333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/descontextualizaciones-i.html' title='Descontextualizações - (I)'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-3557223995511055525</id><published>2008-07-18T11:17:00.000-03:00</published><updated>2008-07-18T11:19:19.634-03:00</updated><title type='text'>A escolha das palavras - (I)</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;"Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento: limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando."&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-3557223995511055525?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/3557223995511055525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=3557223995511055525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3557223995511055525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3557223995511055525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/escolha-das-palavras-i.html' title='A escolha das palavras - (I)'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2178555763786680336</id><published>2008-07-15T20:02:00.004-03:00</published><updated>2008-07-18T11:21:14.289-03:00</updated><title type='text'>Kafka e a língua tcheca (esboço sobre o erro)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma das coisas mais significativas sobre o formato blog é que ele abre um espaço enorme para o erro. Você redige às pressas, dá no máximo uma relida rápida, publica e vai fazer outra coisa. Daí depois, quando se relê (e eu inevitavelmente me releio) se dá conta que escreveu Íris em vez de Ísis, ou que usou uma fórmula bárbara tipo "sociedades que tentam exercer a função que não lhes corresponde na ordem das coisas", que em outra pessoa te faria desconsiderar no mesmo instante todo o resto das mensagens. E sempre dá pra corrigir, mas quase nunca a tempo, o que pra todos os efeitos quer dizer quase nunca.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Daí meu problema: a questão toda é que não sei se o erro deve ser tratado como erro, como engano, coisa que deve ser corrigida para que o mundo volte a girar na perfeita ordem relativista e desenvolvimentista. Pois penso que um dos grandes &lt;em&gt;acquis&lt;/em&gt; do século XX foi exatamente a possibilidade de tratar o erro como &lt;em&gt;lapso -&lt;/em&gt; como &lt;em&gt;falha&lt;/em&gt;, se quisermos ser geógrafos - como aquilo que, não sendo o mais desejável do ponto de vista do ego do emissor, tem a função de revelar aquilo que uma versão final corrigida, aplainada, esterilizada nos dois sentidos, ocultaria; aquilo que, freqüentemente, era o mais importante na história toda.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Outro dia ainda tive uma conversa sobre séculos, e falava sobre os artífices do século XX quando um outro - e ele se chamava, não estou brincando, David Marx, estudante de medicina - me fez a mesma observação que eu mesmo fiz, nove anos atrás: e por que não Einstein?, não seria ele o D'Artagnan dessa história? E recebeu uma resposta ainda menos satisfatória do que eu há nove anos, de que Einstein se encaixaria já plenamente no século XX e por isso seria um desenvolvimento, num campo aliás muito específico, dos progressos alcançados pelos demais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ignoremos a questão cronológica, isto é, de saber se 4 ensaiozinhos escritos a partir de 1905 contam como já no século XX ou se devemos encaixá-los como é uso dos tempos no século XIX. O fato é que se esse judeu alemão (não pensem que não fiz eu também a piada de que ele queria aumentar ainda mais a proporção de judeus no grupo) não criou, soube romper com a doce regularidade musical newtoniana, e no lugar popularizar essa mesma visão anti-vitoriana e anti-racionalista dos demais, essa visão mais funda que faz emergir o erro não como um defeito do processo mas como parte essencial do processo, sem a qual não há movimento, não há espaço, não há tempo, não há o processo. A harmonia simplesmente não o é.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E isso é fundamental, em especial para a arte. Porque alguém poderia levantar o braço e bradar: não me apregoem sistemas completos. Mas eu digo que toda arte é totalitária, e todo artista, um totalitarista. E aqueles que passam a vida tentando provar a impossibilidade de reduzir qualquer dado da realidade a um único ponto de vista apenas realizam a demonstração disso na sua forma mais crua, isto é, ainda estrebuchando.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Pois essa construção do século XX nos fez perceber essa necessidade do erro, essa, um filósofo poderia dizer, importância ontológica do erro, e integrá-la às nossas visões totalitárias. E que terminássemos então com um sistema em que, para acrescentar mais nomes à salada, a desgraça é darwinianamente - ou, se quiserem schumpeterianamente - fonte de evolução, progresso e desenvolvimento sustentável. E arrisco que dentre as coisas mais belas que foram feitas nesse século, muitas devem tudo ou quase tudo a essa estúpida constatação, a essa opinião, a essa impressão, a esse engano, que seja.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O problema é que eles não tardaram a nos caçar, nós que venerávamos o animal errado, que observávamos abismos, que saltávamos de lugares altos apenas para testar a falha em nós mesmos. Porque eles perceberam o que estávamos fazendo, e vieram à carga. E nos neutralizaram - provavelmente, apenas nos ensinando sobre a Curva de Gauss e sorrindo na saída.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E substituíram a importância ontológica do erro pela sua importância estatística. E tornaram nossos deuses subitamente desprezíveis. E ainda não sabemos como sair dessa. Só não queremos esperar outro século.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2178555763786680336?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2178555763786680336/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2178555763786680336&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2178555763786680336'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2178555763786680336'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/kafka-e-lngua-tcheca-esboo-sobre-o-erro.html' title='Kafka e a língua tcheca (esboço sobre o erro)'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-4351547933723391137</id><published>2008-07-11T08:00:00.006-03:00</published><updated>2008-07-18T11:24:41.011-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;[geraldo diz] Não, não é que eu esteja realmente blasé, ou melhor, pode até ser mas é involuntário. Tento, de verdade, ser simpático - eu sempre não fui assim? - mas é que às vezes isso é difícil. As pessoas estão ávidas por novidades, porém querem saber novidades do outro lado do mundo, enquanto pra mim as únicas novidades que há estão aqui, na capacidade de empregar um olhar estrangeiro, não anestesiado por anos de caminhadas por esse cenário.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(É talvez que uma amiga me repassou uma frase: "Ninguém passa tanto tempo fora impunemente." E isso me doeu, porque gosto dela, e essa é exatamente uma dessas frases com que a pessoa pensa estar rompendo a teia, quando na verdade está só ajudando a tecê-la mais firmemente, e isso precisamente por passar a impressão de que se está mais próximo da saída. Pois se há um cisma nessa história toda - não desses cismas de coluna social, de quem pegou quem e quem fez qual barraco -, se há um cisma ele existe entre os que julgam que não se pode fugir do labirinto, deve-se habitá-lo, e os que pensam que a única forma de escapar é não procurar a saída, mas destruir as paredes uma a uma. Contudo essa frase, essa frasezinha, ah, ela está gravada no interior do pingente das pessoas que não participam do cisma, mas estão tentando fazer uma corrente humana na esperança de que necessariamente todos agindo juntos encontrarão uma saída, e esses são os razoáveis com quem os participantes do cisma nem se dignam mais a discutir.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Da minha parte, ambiciono uma trapaça de segundo grau: capturar com o espelho as investidas contra os muros de uns e o desconforto dos que permanecem em posição de lótus. Mas nunca achei possível elidir a escolha, e esse é todo o problema dessa posição narrativa. Além do fato de o espelho estar tendo problemas para registrar algo além do que está acontecendo naquele exato instante. Daí que talvez seja preciso outra tecnologia.)&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;[______ diz] Pois acho que é você que está anestesiado.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-4351547933723391137?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/4351547933723391137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=4351547933723391137&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4351547933723391137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4351547933723391137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/geraldo-diz-no-no-que-eu-esteja.html' title=''/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-7735887149592309997</id><published>2008-07-10T08:27:00.000-03:00</published><updated>2008-07-10T08:28:07.702-03:00</updated><title type='text'>[geraldo diz]</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;Oi,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou quase, embora não plenamente. Isso acho que nunca estaremos. A partir de segunda devo poder ser parte do mundo. Mas por um tempo que me parece pouco, apesar de 12h já terem um pouco me acordado para o deserto do real (porém, como disse, não plenamente, como quando o sonho é tão inaceitável que você se diz que é preciso tentar acordar, e sente inclusive a impotência nos pulsos, mas não consegue contraí-los nem mandar embora os fantasmas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto que há novidades, mas não as compreendo. Li teu diálogo com o Daud. Bonito, não tinha pensado no exemplo do novo shopping. Talvez porque o impensável permaneça mesmo impossível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que vou postar isto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beijo&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-7735887149592309997?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/7735887149592309997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=7735887149592309997&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7735887149592309997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7735887149592309997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/geraldo-diz.html' title='[geraldo diz]'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-3398615896627830617</id><published>2008-07-07T09:40:00.008-03:00</published><updated>2008-07-07T19:27:25.836-03:00</updated><title type='text'>O flamenco e o tango</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Eu ia começar com uma citação. Não se desesperem contudo, não era nada que fosse necessário saber ou que fosse fazer bonito na Vila Madalena – inclusive lá no alto, onde ainda nos cremos seguros liderados por um prosador pop, mal sabemos. Era uma citação da Glória Kalil ou da Danuza Leão, ou de qualquer outra dessas pessoas que se lêem na casa dos outros. Ia como assim: "Mulheres mais jovens devem evitar acessórios em dourado, batom e maquiagem em tons fortes, que podem ser usados por mulheres mais maduras. Nas meninas, deve sobressair a beleza; nas mais velhas, a elegência."&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Mas lógico que procurando "beleza" e "elegância" juntos no google, encontro milhares e milhares de artigos com as duas palavras associadas, e nunca em relação de oposição. É preciso uma sensibilidade de mulher de meia-idade para separar coisas que o turbilhão das delícias quer nos fazer engolir numa só colher. E isso mesmo levando em conta a generalização generosa feita pela colunista, no caso, porque há algo de verdade muito forte no que ela diz. &lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;E é claro que transpor essa relação para as sociedades é uma aventura muito perigosa, porque é incorrer num erro do século dezenove. Posso dizer contudo que, dadas as condições atuais, é preferível estar errado com o século dezenove do que estar certo com o século vinte - assim como se deve ponderar bem a irrazoabilidade do século vinte antes de mergulhar no razoável século vinte e um. Aulas de contabilidade nunca foram para nós.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Porém a proposta é simples, e pode ajudar a responder a questão que ficou pendente, como sempre com uma frase pretensamente reveladora cuja função é menos definir do que passar adiante a dúvida : &lt;i&gt;a Europa seduz pela acumulação; a América, pela nudez&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Em lugar da dançarina de flamenco e do casal de tango, eu poderia colocar o can-can contra a globeleza, as saias, vestidos, faixas e casacos contra a barriguinha de fora, o blazer contra o supino. Pra não entrar em arquitetura, tesouros nacionais etc. O que se vende de um país diz muito sobre o que ele é, embora não seja a mesma coisa que o que ele é. Ah, isso de jeito nenhum.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Daí as pessoas poderiam me lembrar da existência de Campos do Jordão, dos edifícios neoclássicos da Berrini ou da moda da superposição de roupas para me dizer que não é exatamente verdade. Deste lado, há no verão a Paris plage, com areia na borda do Sena, e na frente da prefeitura tem agora um 'bosque transitório' ou coisa assim: sobre o pavé, as árvores. Mas o resultado triste das sociedades que tentam exercer a função que não lhes corresponde na ordem das coisas equivale com precisão ao desastre da menina de doze anos dentro de uma meia arrastão e manchada de batom vermelho, ou ao das senhoras de biquini em Copacabana, quarentonas com os cabelos na cintura e etc. Lembram o que aconteceu quando povoaram de plátanos o Rio de Janeiro?&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;" align="justify"&gt;Acho que é isso o que eu quis dizer quando falei no estilo americano de um blog, contraposto ao estilo europeu. Sintomaticamente, vou ficando cada vez mais americano, isto é, mais nu e menos salpicado de acessórios para dar uma certa aura de antigüidade, como quem desiste de discutir o conceito de Aufhebung e pensa mais nas coisas que aconteceram na madrugada em que o metrô não fechou – e daí para pensar que é precisamente nesses interstícios em que as coisas não funcionam como estamos acostumados, quer dizer, como deveriam, que a natureza exata delas é revelada.&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;Sempre guardei esta citação para um texto maior e mais importante, mas como pode ser que ele nunca venha, solto aqui. Onde dessas duas regiões do mundo alguém poderia recitar assim:&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;« &lt;span style="font-style: italic;"&gt;But you made me feel&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; font-style: italic;"&gt;yeah you made me feel&lt;span id="formatbar_Buttons" style="display: block;"&gt;&lt;span onmouseup="" class="on" onmousedown="CheckFormatting(event);FormatbarButton('richeditorframe', this, 4);ButtonMouseDown(this);" id="formatbar_Italic" onmouseover="ButtonHoverOn(this);" title="Italique" style="display: block;" onmouseout="ButtonHoverOff(this);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;shiny and new&lt;/span&gt; »&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm;"&gt;P.S.: Acabo de ver a segunda mulher de barriga de fora em dois dias. É verão em Paris. Adivinhem que língua as duas falavam:&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-3398615896627830617?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/3398615896627830617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=3398615896627830617&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3398615896627830617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3398615896627830617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/07/o-flamenco-e-o-tango.html' title='O flamenco e o tango'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-3959655506152150314</id><published>2008-06-29T10:50:00.005-03:00</published><updated>2008-06-29T11:36:09.427-03:00</updated><title type='text'>Duas leituras</title><content type='html'>ou então : deseducando o olhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Jamais ele havia visto aquele esplendor da pele morena, a sedução da cintura, nem aquela fineza dos dedos que a luz atravessava. Ele considerava sua caixinha de costura com estupefação, como coisa extraordinária. Quais eram seu nome, sua morada, sua vida, seu passado? Ele desejava conhecer os móveis do seu quarto, todos os vestidos que ela havia portado, as pessoas que freqüentava; e o desejo da possessão física mesma desaparecia sob uma vontade mais profunda, numa curiosidade dolorosa que não tinha limites. (p. 7)&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Ele havia parado na Pont-Neuf, e, cabeça nua, peito aberto, aspirava o ar. Entretanto, ele sentia subir do fundo de si mesmo algo de incontrolável, um fluxo de ternura que o irritava, como o movimento das ondas sob seus olhos. No relógio de uma igreja, uma hora soou, lentamente, como uma voz que o tivesse chamado.&lt;br /&gt;Então, ele foi tomado por um desses tremores da alma em que parece que somos transportados para um mundo superior. Uma faculdade extraordinária, cujo objeto ele desconhecia, lhe havia  chegado. Perguntou-se, seriamente, se seria um grande pintor ou um grande poeta; - e decidiu-se pela pintura, pois as exigências desse ofício o aproximariam de Mme. Arnoux. Ele havia encontrado sua vocação! O objetivo de sua existência era claro agora, e o futuro infalível." (p. 59)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Flaubert, 1869, t.l.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vemos então o quanto é verdadeira a definição que Tylor deu da magia e que citamos mais acima: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mistaking an ideal connection for a real one&lt;/span&gt;. Frazer a define mais ou menos nos mesmos termos:&lt;br /&gt;'Os homens por erro tomaram a ordem das suas idéias pela ordem da natureza e imaginaram que, por serem capazes de exercer um controle sobre suas idéias, devem igualmente estar em condições de controlar as coisas.' (pp. 128-129)&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Se é verdade que o todo-poder das idéias nos primitivos nos fornece um testemunho em favor do narcisismo, podemos tentar estabelecer um paralelo entre o desenvolvimento da maneira humana de conceber o mundo e o desenvolvimento da libido individual. Descobrimos então que tanto no tempo como no conteúdo, a fase animista corresponde ao narcisismo, a fase religiosa ao estágio da objetivação, caracterizado pela fixação da libido nos pais, enquanto que a fase científica tem seu pendor nesse estado de maturidade do indivíduo que é caracterizado pela renunciação à busca do prazer e pela subordinação da escolha do objeto exterior às conveniências e às exigências da realidade.&lt;br /&gt;A arte é o único domínio em que o todo-poder das idéias se manteve até nossos dias. Na arte somente ainda acontece de um homem, atormentado pelos seus desejos, fazer alguma coisa que lhe lembre uma satisfação; e, graças à ilusão artística, esse jogo produz os mesmos efeitos afetivos que se se tratasse de algo real. É com razão que falamos da magia da arte e que comparamos um artista a um mágico. Mas essa comparação é talvez ainda mais significativa do que ela parece. A arte, que certamente não começou como 'a arte pela arte', se encontrava no início a serviço de tendências que estão hoje em dia na maior parte extintas. É permitido supor que entre essas tendências se encontrasse uma boa parte de intenções mágicas." (pp. 139-140)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Freud, 1912-1913, t.l.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoem o meu mau português. Por outro lado, vejam o quanto o começo do último parágrafo ficaria bonito como citação no profile!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-3959655506152150314?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/3959655506152150314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=3959655506152150314&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3959655506152150314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3959655506152150314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/06/duas-leituras.html' title='Duas leituras'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2144315582943219715</id><published>2008-06-27T11:22:00.003-03:00</published><updated>2008-06-27T11:27:56.983-03:00</updated><title type='text'>Lugares onde se mora</title><content type='html'>O galpão do Rodefer no vigtième. Hospedagem solidária pra mais de 50 poetas (porém evitem o inverno). Essa é a parte 1, essas coisas demoram pra carregar, non?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/DWKqMesELBg&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/DWKqMesELBg&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um pouco do poeta, pra ser justo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/9b0wJH7QGNw&amp;hl=en"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/9b0wJH7QGNw&amp;hl=en" type="application/x-shockwave-flash" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2144315582943219715?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2144315582943219715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2144315582943219715&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2144315582943219715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2144315582943219715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/06/lugares-onde-se-mora.html' title='Lugares onde se mora'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-584036551718211215</id><published>2008-06-25T18:59:00.006-03:00</published><updated>2008-06-26T11:31:00.253-03:00</updated><title type='text'>A essência do método sequóias</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A &lt;a href="http://moco-das-letras.blogspot.com/"&gt;Manu &lt;/a&gt;me pede pra explicar essa história da espanhola e dos argentinos. O que não deixa de ser contraditório, já que eu começava falando que explicar não era o meu negócio. Por isso é que a única resposta que eu posso dar não reponde à pergunta, entenderam?, esse é todo o nó da questão.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O nó da questão é que parece existir todo um consenso sobre o que é uma resposta adequada a uma pergunta. O exemplo mais óbvio disso é um debate com um bom político - que dá uma resposta que, de acordo com seu adversário, não responde à pergunta. Quer dizer, o emissor apresenta uma dúvida, esperando abrir com isso um leque maior ou menor de alternativas ao interlocutor. Este, porém, não escolhe nenhuma das alternativas concebidas pelo adversário, mas cria a sua própria alternativa e ali marca o "X". Quer dizer, ele sai das regras do jogo, porém de uma forma que não se pode dizer que saiu - pois não há ninguém autorizado a decidir quais são as alternativas permitidas e quais as barradas pela pergunta inicial. Por isso todo o diálogo (não o diálogo de conteúdo, mas essa espécie de 'supra-diálogo' sobre as regras) se trava no campo do convencimento. Num debate político, já mostravam os alemães, o importante não é necessariamente fazer sentido para si mesmo, e certamente não é fazer sentido para o adversário. Pois mesmo que vocês dois saibam que a regra não foi cumprida, o que importa é mesmo a opinião das pessoas que não fazer a menor idéia das regras do jogo - que têm delas apenas uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;impressão&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí que eu chutaria que essa é a palavra-chave do método sequóias. Tem pessoas demais preocupadas com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fazer sentido&lt;/span&gt;. Claro que isso não é nenhum problema para burocratas, pois sempre há alguém encarregado de determinar o sentido, de dizer onde começa e onde acaba o leque, se você fez ou não fez sentido, Alice. Porém, quanto mais cartesianos conheço, mais acho que jogar nesse campo, para os artistas, significa admitir a derrota antes mesmo do início da partida. Significa admitir, como faz a Folha, que é possível reunir meia dúzia de entendidos e julgar Capitu, e fim da história. Ou decidir, entre "o parcimonioso Machado de Assis e o derramado Guimarães Rosa", quem é o melhor escritor do Brasil - à exclusão de 185 milhões de pessoas, e mais outros tantos mortos que nem se manifestar podem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se trata, vejam bem, de um relativismo barato (ou melhor, isso já seria uma questão de ponto de vista, ¿não seria?). Porém entendo escrever, que é o que eu consigo mais ou menos fazer, um pouco como tocar música ou pintar ou escolher um perfume - como se cada palavra evocasse no interlocutor toda uma gama irreduzível de coisas, tivesse raízes e levasse a outros lugares, onde dormem bichinhos insuspeitados. Fazer o teste é simples. Musse de chocolate. Glória. Fungos &amp;amp; cogumelos. Curitiba. Cristal. Liquidificador. Carrosséis. Vitória. Mulata. Sândalo. Cocaína. Luta cantando. Forró. Xogum. Rosas. Praça Roosevelt. Ísis e Osíris. Sol entrando pela janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se pode dizer que essas palavras todas têm cada uma um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;significado&lt;/span&gt;, ou seja, que evocam em quem lê as mesmas coisas que evocaram em quem escreveu. Pois o diferencial da poesia pra uma notícia de jornal não está no conteúdo das palavras, mas no tempo que o interlocutor dedica exatamente àquilo que não é o conteúdo. Por exemplo, algumas pessoas vão ler a seqüência acima no trabalho, em 2 segundos, e verão apenas uma seqüência aleatória de palavras, tendo pulado direto para a parte em que eu explico o que quis dizer com essa seqüência aleatória - estão atrás do conteúdo. Não saberão que demorei uns 15 minutos para escrevê-la, e vou retocando conforme continuo a escrever. Não saberão que provavelmente é a parte mais importante do post, pois foi quando pensei em leitores individualizados (sei que vocês estão aí!) e no que poderá evocar cada palavra neles, incluindo a ordem em que elas estão. A poesia pode estar numa notícia de jornal, mas ela envolve precisamente não encarar a notícia de jornal como uma notícia de jornal deve ser encarada - isto é, dentro do leque esperado pela comunidade comunicante (sic). É preciso apontar uma outra resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso é claro que ao me explicar eu não posso fazer sentido, o que estraga totalmente o sentido do verbo 'explicar'. A comunidade comunicante espera ser levada pela mão a entender um certo, hm, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gedichtsgeist&lt;/span&gt;. Porém essa coisa é impossível, não só por ser uma palavra que inventei, mas porque todo o jogo da poesia consiste exatamente em o emissor se esforçar ao máximo para repoduzir no receptor uma sensação, uma emoção - uma &lt;span style="font-style: italic;"&gt;coisa&lt;/span&gt;, em suma - que ele próprio experimentou, sem portanto dispor dos meios para fazê-lo. É preciso então se virar com o que você tem à mão - e o que eu tenho à mão não é um piano nem uma tesoura nem um spray de tinta, mas um teclado. Quer dizer, vejam bem, o projeto do artista já está fracassado desde o início. Porém, e aqui, e aqui está o ponto central da questão, o artista não é apenas um fracassado: ele é um fracassado com uma arma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, sempre acho que se explicar deixa você entre duas alternativas: parecer pedante ou parecer um idiota. Pra deixar vocês na dúvida, adorno de maneira inapropriada, falando de um tema que não tinha entrado na história:&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;br /&gt;"O modo como o ensaio se apropria dos conceitos seria, antes, comparável  ao comportamento de alguém que, em terra estrangeira, é obrigado a falar a língua do país, em vez de ficar balbuciando a partir das regras que se aprendem na escola. Essa pessoa vai ler sem dicionário. Quando tiver visto trinta vezes a mesma palavra, em contextos sempre diferentes, estará mais segura de seu sentido do que se tivesse consultado o verbete com a lista de significados, geralmente estreita demais para dar conta das alterações de sentido em cada contexto e vaga demais em relação às nuances inalteráveis que o contexto funda em cada caso. [...] O ensaio não apenas negligencia a certeza indubitável, como também renuncia ao ideal dessa certeza."&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Manu tento responder à pergunta numa próxima. Porém veja que fiz um post bastante americano, não tanto no método como na forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-584036551718211215?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/584036551718211215/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=584036551718211215&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/584036551718211215'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/584036551718211215'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/06/essncia-do-mtodo-sequias.html' title='A essência do método sequóias'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-4706912382161171076</id><published>2008-06-20T01:14:00.006-03:00</published><updated>2008-06-20T01:51:52.181-03:00</updated><title type='text'>O que eu vejo da janela (ou o que fazer com um blog)</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ando ruim pra me explicar, como alguns podem ter percebido. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Arguably&lt;/span&gt;, nunca fui bom nisso. Mas às vezes é de madrugada, faltam 2 horas pra uma prova e você não consegue pensar em nada razoável. De forma que o melhor a fazer é se distrair com alguma questão distante, como se perguntar o que vai fazer com o seu blog. Ou seja, pra que coisas uma dessas criaturas pode servir e, qual estilo - dentre os disponíveis no mercado - você vai seguir.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Pra que serve então, não digo o da ana, que serve pra que o resto da blogosfera possa fazer um pouco de sentido, funcionando mais como orquestra e menos como gaitas de fole distribuídas a esmo na Paulista. Digo os outros. Digo este, que ressuscitei involuntariamente ao soar o previsível alarme dizendo que é hora de mudar de vida novamente, pois a falta de novidade nos consome - era esse o verbo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que não querendo publicar nada tão cedo, restam-me a alternativa espanhola e a alternativa argentina. Vejam: uma espanhola tem um leque, tem uma saia, tamancos e castanholas. Ela toda gira em torno desses objetos, como se fossem eles a vibrar e ela uma espécie de maestro da coisa toda, sua habilidade consistindo em coordenar para que a paisagem no leque apareça no instante do choque do tamanco direito com o chão, e em seguida a saia chacoalhe no exato instante em que o leque passa rente ao pescoço da figura humana quase indefesa diante da profusão de objetos que, por si só, garantem o espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal de argentinos é quase órfão. Ela tem tacones, e ele talvez brilhantina ou um chapéu. Mas nada disso seria necessário: o espantoso é que todos os movimentos de um acontecem em relação ao outro, ou vice-versa. Ele não poderia estar controlando o que ela faz, nem ela saber o que ele fará em seguida. Tendo em vista que não há nenhum passinho ou regra aparente, aquelas duas figuras mal-iluminadas só têm uma à outra, evitam por pouco a queda; e como seguem a música? Mas seguem. São os heróis da América.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa era a encruzilhada no momento. Mas para indignação ou, mais provável, sonolência geral, ela já estava resolvida desde o começo. Por isso desentortem o nariz: aí vem ele novamente.&lt;blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"A casa ficava no morro de Santa Teresa, a sala era pequena, alumiada a velas, cuja luz fundia-se misteriosamente com o luar que vinha de fora. Entre a cidade, com as suas agitações e aventuras, e o céu, em que as estrelas pestanejavam, através de uma atmosfera límpida e sossegada, estavam os nossos quatro ou cinco investigadores de coisas metafísicas, resolvendo amigavelmente os mais árduos problemas do universo."&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://bp0.blogger.com/_Rfl39m22IgM/SFs1IViSezI/AAAAAAAAAWM/-G2d6VFRVh8/s1600-h/Janela.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://bp0.blogger.com/_Rfl39m22IgM/SFs1IViSezI/AAAAAAAAAWM/-G2d6VFRVh8/s400/Janela.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5213819410947668786" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-4706912382161171076?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/4706912382161171076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=4706912382161171076&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4706912382161171076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4706912382161171076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/06/o-que-vejo-da-janela-ou-o-que-fazer-com.html' title='O que eu vejo da janela (ou o que fazer com um blog)'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_Rfl39m22IgM/SFs1IViSezI/AAAAAAAAAWM/-G2d6VFRVh8/s72-c/Janela.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2360468661394619176</id><published>2008-06-11T16:38:00.004-03:00</published><updated>2008-06-11T16:43:14.963-03:00</updated><title type='text'>Conselhos</title><content type='html'>Recuperei hoje minha internet, e sou logo bombardeado por informações sobre amanhã ser o dia de San Valentín de Brasil. Pra essa data tão especial, um conselho do Wilde:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;To cure the soul by means of the senses, and the senses by means of the soul!&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um conselho meu: nunca sigam um conselho do Wilde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2360468661394619176?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2360468661394619176/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2360468661394619176&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2360468661394619176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2360468661394619176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/06/conselhos.html' title='Conselhos'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2857450435762698226</id><published>2008-06-05T10:30:00.012-03:00</published><updated>2008-06-06T07:11:51.859-03:00</updated><title type='text'>O espírito Anti-Poetry</title><content type='html'>&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Começou assim: como sempre, &lt;/span&gt;&lt;a style="FONT-FAMILY: georgia" href="http://peixedeaquario.zip.net/"&gt;ana rüsche&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;, personal penélope desavessada, lançou um primeiro grito - numa esperança quase humana de colher manhã. Foi o &lt;/span&gt;&lt;a style="FONT-FAMILY: georgia" href="http://peixedeaquario.zip.net/arch2008-05-01_2008-05-31.html"&gt;Concurso de Anti-Poetry para Coelhos-João&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;. E passamos todos a pensar no que fazer, quando veio a idéia do gesto mais anti-poetry que consegui imaginar (o que, convenhamos, diz mais sobre mim do que sobre a anti-poetry).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Deu trabalho, mas traduzi para a língua portuguesa as 1272 palavras, 7641 caracteres, do maior palíndromo já escrito, por &lt;/span&gt;&lt;a style="FONT-FAMILY: georgia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Georges_Perec"&gt;Georges Perec&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;, do &lt;/span&gt;&lt;a style="FONT-FAMILY: georgia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oulipo"&gt;Oulipo&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;, em &lt;/span&gt;&lt;a style="FONT-FAMILY: georgia" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/1969"&gt;1969&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Fundado, claro, nos já cânones poundianos (da melopéia, logopéia e fanopéia, caso alguém possa ter esquecido ou ainda desconfie que não tenho acesso à Wikipédia).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Os chineses claro que um dia descobriremos que já haviam escrito um maior ainda, no fim da dinastia Qin, e então Perec terá que ser reinventado. Mas pelo momento, deve ser a primeira tradução de um palíndromo longo que o mundo já viu. Não é pouca coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;Não sei se a contribuição ao movimento anti-poetry é válida. Sei que pra mim está no espírito, e levanta vários problemas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;table cellspacing="0" cellpadding="4" width="100%" border="0"  style="font-family:times new roman;"&gt;&lt;colgroup&gt;&lt;col width="125"&gt;&lt;col width="5"&gt;&lt;col width="126"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-STYLE: normal" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;9691&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;pre style="FONT-STYLE: normal; TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;EDNA D'NILU&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O. MU. ACERE. PSEG ROEG&lt;/span&gt;&lt;/pre&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p style="FONT-STYLE: normal" align="center"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p style="MARGIN-BOTTOM: 0cm; FONT-STYLE: normal" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;9691&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;pre style="FONT-STYLE: normal; TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;EDNA D'NILU&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O. MU. ACERE. PSEG ROEG&lt;/span&gt;&lt;/pre&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Trace l'inégal palindrome. Neige. Bagatelle, dira Hercule. Le brut repentir, cet écrit né Perec. L'arc lu pèse trop, lis à vice-versa. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Traça o palíndromo desigual. Neve. Bagatela, dirá Hércules. O bruto remorso, esse escrito nascido Perec. O arco lido pesa demais, lírio em vice-versa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Perte. Cerise d'une vérité banale, le Malstrom, Alep, mort édulcoré, crêpe porté de ce désir brisé d'un iota. Livre si aboli, tes sacres ont éreinté, cor cruel, nos albatros. Etre las, autel bâti, miette vice-versa du jeu que fit, nacré, médical, le sélénite relaps, ellipsoïdal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Perda. Cereja de uma verdade banal, o Malstrom, Alep, morto adocicado, crepe levado desse desejo rompida duma vírgula. Livro tão abolido, tuas sagrações alquebraram, trombeta cruel, nossos albatrozes. Estar lasso, altar erigido, migalha vice-versa do jogo que fez, lustrada, médica, o selenita relapso, elipsoidal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ivre il bat, la turbine bat, l'isolé me ravale: le verre si obéi du Pernod -- eh, port su ! -- obsédante sonate teintée d'ivresse.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ébrio ele se agita, a turbina se agita, o isolado me lava : o vidro tão obedecido do Pernod – eh, porto sabido! - obcecante sonata pintada de embriaguez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ce rêve se mit -- peste ! -- à blaguer. Beh ! L'art sec n'a si peu qu'algèbre s'élabore de l'or évalué. Idiome étiré, hésite, bâtard replié, l'os nu. Si, à la gêne sècrete-- verbe nul à l'instar de cinq occis--, rets amincis, drailles inégales, il, avatar espacé, caresse ce noir Belzebuth, oeil offensé, tire !&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Esse sonho se pôs – peste! - a sacanear. Beh! A arte seca não tem tão pouco que álgebra se elabore do ouro avaliado. Idioma estirado, hesita, bastardo redobrado, o osso nu. Sim, um embaraço secreto – verbo inútil à maneira dos cinco mortos –, redes magras, cordões desiguais, ele, avatar espaçado, acaricia esse negro Belzebu, olho ofendido, atira!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;L'écho fit (à désert): Salut, sang, robe et été.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O eco fez (a deserto): Saudação, sangue, batina e verão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fièvres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Febres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Adam, rauque; il écrit: Abrupt ogre, eh, cercueil, l'avenir tu, effilé, genial à la rue (murmure sud eu ne tire vaseline séparée; l'épeire gelée rode: Hep, mortel ?) lia ta balafre native.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Adão, rouco; ele escreve: Abrupto ogre, eh, caixão, o futuro você, esgarçado, genial pela rua (murmúrio sul teve não tira vaselina separada; a aranha congelada lima: Hep, mortal?) ligou tua cicatriz nativa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Litige. Regagner (et ne m'...).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Litígio. Reganhar (e não me ...)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ressac. Il frémit, se sape, na ! Eh, cavale! Timide, il nia ce sursaut.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ressaca. Ele se agita, se desgasta, nah! Eh, fuga! Tímido, ele negou esse sobressalto.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hasard repu, tel, le magicien à morte me lit. Un ignare le rapsode, lacs ému, mixa, mêla: Hep, Oceano Nox, ô, béchamel azur ! Éjaculer ! Topaze !&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Acaso satisfeito, tal, o mágico à morta me lê. Um ignaro o rapsodo, laço emocionado, mexeu, misturou: Hep, Oceano Nox, ô, béchamel azul! Ejacular! Topázio!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Le cèdre, malabar faible, Arsinoë le macule, mante ivre, glauque, pis, l'air atone (sic). Art sournois: si, médicinale, l'autre glace (Melba ?) l'un ? N'alertai ni pollen (retêter: gercé, repu, denté...) ni tobacco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O cedro, brutamontes frágil, Arsínoe o macula, louva-a-deus bêbado, glauco, pior, o ar átono (sic). Arte sombria: sim, medicinal, o outro gelo (Melba?) um? Não alertei nem pólen (remamar: rachado, satisfeito, denteado) nem tabaco.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tu, désir, brio rimé, eh, prolixe nécrophore, tu ferres l'avenir velu, ocre, cromant-né ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tu, desejo, brio rimado, eh, prolixo necróforo, tu ferras o destino hirsuto, ocre, nascido cromando?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Rage, l'ara. Veuglaire. Sedan, tes elzévirs t'obsèdent. Romain ? Exact. Et Nemrod selle ses Samson !&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fúria, a arara. Canhão. Sedan, teus elzevires te obcecam. Romano? Exato. E Nimrod sela seus Sansão!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Et nier téocalli ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E negar teocali?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Cave canem&lt;/i&gt; (car ce nu trop minois -- rembuscade d'éruptives à babil -- admonesta, fil accru, Têtebleu ! qu'Ariane évitât net. Attention, ébénier factice, ressorti du réel. Ci-git. Alpaga, gnôme, le héros se lamente, trompé, chocolat: ce laid totem, ord, nil aplati, rituel biscornu; ce sacré bédeau (quel bât ce Jésus!). Palace piégé, Torpédo drue si à fellah tôt ne peut ni le Big à ruer bezef.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i&gt;Cave canem &lt;/i&gt;(pois esse nu demais rostinho – remboscada de eruptivos a balbucio – admoestou, fio aumentado, Meudeus! Que Ariadne evitasse nítido. Atenção, ébano factício, saído do real. Aqui jazido. Alpaca, gnomo, o herói se lamenta, enganado, chocolate: esse feio tótem, horrendo, nilo aplainado, ritual bizarro; esse sagrado sacristão (que albarda esse Jesus!) Palácio-bomba, Torpedo espesso tão a fellah cedo não pode nem o Big a coicear bezef.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;L'eugéniste en rut consuma d'art son épi d'éolienne ici rot (eh... rut ?). Toi, d'idem gin, élèvera, élu, bifocal, l'ithos et notre pathos à la hauteur de sec salamalec ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O eugenista no cio consumiu da arte a espiga de eoliana aqui arroto (eh...cio?). Tu, de igual gim, criará, eleito, bifocal, o ithos e nosso pathos à altura de seco salamaleque?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Élucider. Ion éclaté: Elle ? Tenu. Etna but (item mal famé), degré vide, julep: macédoine d'axiomes, sac semé d'École, véniel, ah, le verbe enivré (ne sucer ni arreter, eh ça jamais !) lu n'abolira le hasard ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Elucidar. Íon estourado: Ela? Sustentado. Etna meta (item mal-afamado), degrau vazio, remédio: macedônia de axiomas, saco semeado de Escola, venial, ah, o verbo embriagado (não chupar nem parar, eh isso jamais!) lido não abolirá o acaso?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nu, ottoman à écho, l'art su, oh, tara zéro, belle Deborah, ô, sacre ! Pute, vertubleu, qualité si vertu à la part tarifé (décalitres ?) et nul n'a lu trop s'il séria de ce basilic Iseut.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nu, otomano a eco, a arte sabida, oh, tara zero, bela Deborah, ô, sagração! Puta, maldição, qualidade tão virtude à parte taxada (decalitros?) e ninguém leu demais se seriou desse basilisco Isolda.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Il à prié bonzes, Samaritain, Tora, vilains monstres (idolâtre DNA en sus) rêvés, évaporés: Arbalète (bètes) en noce du Tell ivre-mort, émeri tu: O, trapu à elfe, il lie l'os, il lia jérémiade lucide. Petard! Rate ta reinette, bigleur cruel, non à ce lot ! Si, farcis-toi dito le coeur !&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele rezou bonzos, Samaritano, Torá, vilões monstros (idólatra DNA a mais) sonhados, evaporados: Arbalesta (animais) em núpcia do Tell ébrio-morto, ilmerita tu: O, atarracado à elfo, ele liga o osso, ele ligava jeramíada lúcido. Fogos! Erra tua rainhazinha, olheiro cruel, não a esse lote! Sim, empanturre-se idem o coração! &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lied à monstre velu, ange ni bête, sec à pseudo délire: Tsarine (sellée, là), Cid, Arétin, abruti de Ninive, Déjanire. . .&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lied de monstro hirsuto, anjo nem animal, seco a pseudo-delírio: Tzarina (selada, aqui), Cid, Aretino, bruto de Nínive, Dejanira...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Le Phenix, eve de sables, écarté, ne peut égarer racines radiales en mana: l'Oubli, fétiche en argile.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A Phoenix, eva de areias, excluída, não pode perder raízes radiais em mana: o Olvido, fetiche em argila.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foudre.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Raio.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Prix: Île de la Gorgone en roc, et, ô, Licorne écartelée, Sirène, rumb à bannir à ma (Red n'osa) niére de mimosa: Paysage d'Ourcq ocre sous ive d'écale; Volcan. Roc: tarot célé du Père.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Preço: Ilha da Górgona em rocha, e, ô, Licórnio desmembrado, Sereia, rumo a banir de ma (Red não ousou) nieira de mimosa: Paisagem de Urca ocre sob ajuga de casca; Vulcão. Rocha: tarô escondido do Pai.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Livres.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Livros.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Silène bavard, replié sur sa nullité (nu à je) belge: ipséité banale. L' (eh, ça !) hydromel à ri, psaltérion. Errée Lorelei...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sileno falastrão, recurvado sobre sua estupidez (nu a eu) belga: ipseidade banal. O (eh, isso!) hidromel riu, saltério. Vagueada Lorelei...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fi ! Marmelade déviré d'Aladine. D'or, Noël: crèche (l'an ici taverne gelée dès bol...) à santon givré, fi !, culé de l'âne vairon.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ikh! Marmelada curvado de Aladine. De ouro, Noel: creche (o ano aqui taverna congelada desde bacia...) a santão geado, ikh!, fodido do burro vário.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lapalisse élu, gnoses sans orgueil (écru, sale, sec). Saluts: angiome. T'es si crâneur !&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lapalisse eleito, gnoses sem orgulho (cor-crua, sujo, seco). Saudações: angioma. Seu fanfarrão!&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;. . .&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Rue. Narcisse ! Témoignas-tu ! l'ascèse, là, sur ce lieu gros, nasses ongulées...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Rua. Narciso! Testemunhaste! a ascese, lá, sobre esse grande lugar, armadilhas unguladas...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;S'il a pal, noria vénale de Lucifer, vignot nasal (obsédée, le genre vaticinal), eh, Cercle, on rode, nid à la dérive, Dèdale (M. . . !) ramifié ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Se ele tem empalamento, moinho venal de Lúcifer, caracol nasal (obcecada, o gênero vaticinal), eh, Círculo, vagueamos, ninho à deriva, Dédalo (M...!) ramificado?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Le rôle erre, noir, et la spirale mord, y hache l'élan abêti: Espiègle (béjaune) Till: un as rusé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O rol erra, negro, e a espiral morde, lá fatia o impulso embrutecido: Till (fedelho) Espertalhão: um ás malandro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Il perdra. Va bene.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele perderá. Va bene.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lis, servile repu d'électorat, cornac, Lovelace. De visu, oser ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lírio, servil satisfeito de eleitorado, mahout, Lovelace. De vista, ousar?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Coq cru, ô, Degas, y'a pas, ô mime, de rein à sonder: à marin nabab, murène risée.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Galo cru, ô, Degas, num tem, ô mímico, de rim a sondar: a marinho nababo, moréia risada.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Le trace en roc, ilote cornéen. O, grog, ale d'elixir perdu, ô, feligrane! Eh, cité, fil bu ! ô ! l'anamnèse, lai d'arsenic, arrérage tué, pénétra ce sel-base de Vexin. Eh, pèlerin à (Je: devin inédit) urbanité radicale (elle s'en ira...), stérile, dodu.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O traço em rocha, hilota corneano. O, rum, breja de elixir perdido, ô, filigrana! Eh, cidade, fio bebido! ô! a anamnese, lai de arsênico, dívida morta, penetrou esse sal-base de Vexin. Eh, peregrino de (eu: adivinho inédito) urbanidade radical (ella partirá), estéril, gordinho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Espaces (été biné ? gnaule ?) verts.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Espaços (foi arada? cachaça?) verdes.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nomade, il rue, ocelot. Idiot-sic rafistolé: canon ! Leur cruel gibet te niera, têtard raté, pédicule d'aimé rejailli.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nômade, ele coiceia, onça. Idiota-sic remendado: lindo! Sua cruel forca te negará, girinó fracassado, pedículo de amado ricocheteado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Soleil lie, fléau, partout ire (Métro, Mer, Ville...) tu déconnes. Été: bètel à brasero. Pavese versus Neandertal ! O, diserts noms ni à Livarot ni à Tir ! Amassez.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sol liga, flagelo, por toda a parte ira (Metrô, Mar, Cidade) falas abobrinha. Verão: betel a brasero. Pavese versus Neandertal! O, eloqüentes nomes nem em Livarot nem em Tir! Ajuntem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;N'obéir.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não obedecer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pali, tu es ici: lis abécédaires, lis portulan: l'un te sert-il ? à ce défi rattrapa l'autre ? Vise-t-il auquel but rêvé tu perças ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Pali, estás aqui: lês abecedários, lês portulano: algum te serve? A esse desafio chegou o outro? Visa ele à meta sonhada que perfuraste?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Oh, arobe d'ellébore, Zarathoustra! L'ohcéan à mot (Toundra ? Sahel ?) à ri: Lob à nul si à ma jachère, terrain récusé, nervi, née brève l'haleine véloce de mes casse-moix à (Déni, ô !) décampé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Oh, arroba de heléboro, Zaratustra! O ohceano de palavra (Tundra? Sahel?) ao rido : Chapéu em perna-de-pau sim à minha rotação de culturas, terreno recusado, capanga, nascido breve o hálito veloz de meus quebra-mozes a (Negação, ô!) retirado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lu, je diverge de ma flamme titubante: une telle (étal, ce noir édicule cela mal) ascèse drue tua, ha, l'As.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Lido, divirjo de minha flama titubeante: uma tal (banquinha, essa negra edícula isso mal) ascese dura matou, há, o Ás.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Oh, taper ! Tontes ! Oh, tillac, ô, fibule à reve l'Énigme (d'idiot tu) rhétoricienne.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Oh, bater! Depenadas! Oh, prancha, ô, broche, de sonho o Enigma (de idiota tu) retoriciana.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Il, Oedipe, Nostradamus nocturne et, si né Guelfe, zébreur à Gibelin tué (pentothal ?), le faiseur d'ode protège.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele, Édipo, Nostradamus noturno e, se nascido Guelfo, zebrador de Gibelino morto (pentotal?), o fazedor de ode protege.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ipéca...: lapsus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ipecuacanha...: lapso.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eject à bleu qu'aède berça sec. Un roc si bleu ! Tir. &lt;i&gt;ital&lt;/i&gt;.: palindrome tôt dialectal. Oc ? Oh, cep mort et né, mal essoré, hélé. Mon gag aplati gicle. Érudit rossérecit, ça freine, benoit, net.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eject de azul que aedo ninou seco. Uma rocha tão azul! Tiro. &lt;em&gt;ital&lt;/em&gt;. : palíndromo cedo dialetal. Oc? Oh, cepa morta e nascida, mal impulsionada, gritada. Meu gag aplainado se retira. Erudito rossorrelato, freia, bento, limpo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ta tentative en air auquel bète, turc, califat se (nom d'Ali-Baba !) sévit, pure de -- d'ac ? -- submersion importune, crac, menace, vacilla, co-étreinte...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tua tentativa no ar ao qual besta, turco, califado se (nome de Ali-Baba!) sevicia, puro de – certo? –&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; submersão inoportuna, crash, ameaça, vacilou, co-asfixiada...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos masses, elles dorment ? Etc... Axé ni à mort-né des bots. Rivez ! Les Etna de Serial-Guevara l'égarent. N'amorcer coulevrine.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nossas massas, elas dormem? Etc...Orientado nem a natimorto dos tortos. Pregai! Os Etna de Serial-Guevara o desnorteiam. Não carregar culebrina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Valser. Refuter.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Valsar. Refutar.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Oh, porc en exil (Orphée), miroir brisé du toc cabotin et né du Perec: Regret éternel. L'opiniâtre. L'annu- lable.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Oh, porco no exílio (Orfeu), espelho rompido do toc cabotino e nascido do Perec : remorso eterno. O opiniatra. O anulável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mec, Alger tua l'élan ici démission. Ru ostracisé, notarial, si peu qu'Alger, Viet-Nam (élu caméléon !), Israël, Biafra, bal à merde: celez, apôtre Luc à Jéruzalem, ah ce boxon! On à écopé, ha, le maximum&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cara, Alger, matou o impulso aqui demissão. Córrego ostracizado, notarial, tão pouco que Alger, Viet-Nam (eleito camaleão!), Israel, Biafra, baile de merda: cala, apóstolo Lucas em Jeruzalém, ah essa zona! Tomamos todas, ha, o máximo&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Escale d'os, pare le rang inutile. Métromane ici gamelle, tu perdras. Ah, tu as rusé! Cain! Lied imité la vache (à ne pas estimer) (flic assermenté, rengagé) régit.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Escala de osso, orna a fileira inútil. Metrômano aqui bacia, perderás. Ah, roubaste! Caim! Lied imitada a vaca (a não estimar) (gambé jurado, realistado) rege.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Il évita, nerf à la bataille trompé.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ele evitou, nervo na batalha enganado.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt; &lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hé, dorée, l'Égérie pelée rape, sénile, sa vérité nue du sérum: rumeur à la laine, gel, if, feutrine, val, lieu-créche, ergot, pur, Bâtir ce lieu qu'Armada serve: if étété, éborgnas-tu l'astre sédatif ?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hê, dourado, a Egéria depenada rala, senil, sua verdade nua do soro: rumor à lã, gel, teixo, feltro, vale, lugar-manjedoura, espora, puro, Construir esse lugar que Armada serve: teixo podado, descascaste o astro sedativo?&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt; &lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Oh, célérités ! Nef ! Folie ! Oh, tubez ! Le brio ne cessera, ce cap sera ta valise; l'âge: ni sel-liard (sic) ni master-(sic)-coq, ni cédrats, ni la lune brève. Tercé, sénégalais, un soleil perdra ta bétise héritée (Moi-Dieu, la vérole!)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Oh, celeridades! Nave! Loucura! Oh, entubai! O brio não cessará, esse cabo será tua valise; a idade: nem sal-vintém (sic) nem mestre-(sic)-galo, nem cidra, nem a lua breve. Terceado, senegalês, um sol perderá tua burrice herdada (Eu-Deus, a varíola!)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Déroba le serbe glauque, pis, ancestral, hébreu (Galba et Septime-Sévère). Cesser, vidé et nié. Tetanos. Etna dès boustrophédon répudié. Boiser. Révèle l'avare mélo, s'il t'a béni, brutal tablier vil. Adios. Pilles, pale rétine, le sel, l'acide mercanti. Feu que Judas rêve, civette imitable, tu as alerté, sort à blason, leur croc. Et nier et n'oser. Casse-t-il, ô, baiser vil ? à toi, nu désir brisé, décédé, trope percé, roc lu. Détrompe la. Morts: l'Ame, l'Élan abêti, revenu. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Afanou o sérvio glauco, pior, ancestral, hebreu (Galba e Sétimo Severo). Cessar, esvaziado e negado. Tetano. Etna desde bustrofédon repudiado. Bosquear. Revela o avaro drama, se ele te benzeu, brutal avental vil. Adiós. Tu pilhas, pálida retina, o sal, o ácido mascate. Fogo que Judas sonha, cebolinha imitável, tu alertaste, destino brasonado, seu gancho. E negar e não ousar. Ele quebra, ó, beijo vil? a ti, nu desejo rompido, falecido, tropo perfurado, rocha lida. Desiluda-a. Mortos: a Alma, o Impulso embrutecido, revindo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr valign="top"&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Désire ce trépas rêvé: Ci va ! S'il porte, sépulcral, ce repentir, cet écrit ne perturbe le lucre: Haridelle, ta gabegie ne mord ni la plage ni l'écart.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="2%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;td width="49%"&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Deseje esse falecimento sonhado: Isso vai! Se ele porta, sepulcral, esse remorso, este escrito não perturba o lucro: Pangaré, teu desperdício não morde nem a praia nem a distância.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2857450435762698226?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2857450435762698226/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2857450435762698226&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2857450435762698226'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2857450435762698226'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/06/o-esprito-anti-poetry.html' title='O espírito Anti-Poetry'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-1921324406961552258</id><published>2008-03-03T09:20:00.001-03:00</published><updated>2008-03-03T09:26:16.877-03:00</updated><title type='text'>Do Acordados</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oi, Ana, puxa, acabei semana passada de ler o meu Acordados, único contrabandeado transcontinentalmente, pelo que sei, aúnque deva haver alguns por centroamérica e tenhamos sido rasgados em dois pela necessidade da circulação de mercadorias e pessoas. Uma honra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sabe o mais importante?, no começo tive medo, foram os dois primeiros capítulos pra ser mais preciso (não tenho o livro comigo agora). Puxa, haveria então erros de revisão a resistirem a seis anos de ruminação e várias inspeções devastadoras como lavagens estomacais? Tive medo, medo porque sou uma criança chata e rica que reclama na diretoria porque o professor de geografia - de geografia! - não precisou que os Alpes se estendem para além da Suíça e aprendi isso nas férias passadas. Não, sou a mãe dessa criança no dia seguinte, brigando ao telefone com a diretora, unhas do pé expostas à poda e toalha úmida na cabeça. Enfim, teria que falar, que esses cacoetes roseanos não me agradam, que esses plurais e preposições precisam ser corrigidos e que toda a pertinência e toda a construção de sentido do mundo não resistem a um aposto no qual falta uma vírgula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas me tranqüilizo quando entra a sinfonia de alarmes, é tão reconfortante quando a familiaridade sopra longe todo resquício lingüístico daquela ambientação periférica e quase rural de um Ferréz, de uns maloqueiristas, e na qual reconhecemos a literatura do oprimido, digna de aplausos efusivos na piscina!, mesmo mantendo secretamente nossa convicção em um certo sentido machadiana de que a história da literatura, neutra e de óculos agora violetas por cima dos quais se pronuncia como uma justiça convenientemente meio ceguinha mas não muito, terá pouco a dizer que não para dar aquela corzinha local que faz brilhar tanto mais um sujeito, como não dizer?, um sujeito como Mia Couto, como você, como nós.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daí por diante acho que, como vi dizerem de uma outra obra aí, você não desce nunca o tom, e é isso o mais apavorante! A solução narrativa é impecável, a voz a todas essas criaturinhas se contorcendo diante do inconcebível e o inconcebível é o mudinho da rua com a lente de aumento, e você está do lado dele pra garantir que nada daquilo se perca, pra nos esclarecer, e você ama ama ama essas criaturinhas perdidas, e você morreria por elas, não morreria?, se achasse que ainda há alguma chance de isso fazer qualquer diferença. "Sei como incomodar minha irmã." Guardo essa passagem.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria excessivo e inconveniente, para recolocar um pouco os óculos no lugar, te falar de todas essas coisas que sei desses anos de convivências, do quanto de coisas comuns tenho e temos com aquilo tudo, com o teu firmamento e as metamorfoses provisórias e do quanto isso ao mesmo tempo me recoloca e me impulsiona diante da minha própria vontade de sair por aí atirando palavras nas pessoas como se elas estivessem prontas a interromper a marcha por meras palavras. Excessivo e inconveniente. A ver si sale esto.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Mas queria dizer que, de tudo o que nos fecha a garganta e nos abre as janelas que dão para a sacada, o mais impressionante é mesmo o encaixe dessas pessoas que todos conhecemos e dessa clareza que tem a língua úmida nos nossos ouvidos, e que tenta nos acordar para o que está acontecendo. Os excessos, os excessos de que não gosto, que acho muito vermelhos demais, muito idiossincráticos, a força de repetição acabam os próprios constituintes do mundo, feito subitamente orgânico como um rolo compressor de milhares de canetinhas cheirosas e que tornam impossível ver qualquer coisa com Clarissa. Mas terminamos todos seus semelhantes, todos seus irmãos. E temos todos um trem para pegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(não tem nenhum aposto no qual falta uma vírgula)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-1921324406961552258?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/1921324406961552258/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=1921324406961552258&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/1921324406961552258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/1921324406961552258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2008/03/do-acordados.html' title='Do Acordados'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-6460655203318761516</id><published>2007-04-16T21:42:00.000-03:00</published><updated>2007-04-16T21:47:08.138-03:00</updated><title type='text'>Minha marca no mundo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;"&lt;em&gt;Tan ineptas me parecieron esas ideas, tan pomposa y tan vasta su exposición, que las relacioné inmediatamente con la literatura; le dije que por qué no las escribía. Previsiblemente respondió que ya lo había hecho&lt;/em&gt;"&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;- Borges, El Aleph&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-6460655203318761516?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/6460655203318761516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=6460655203318761516&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6460655203318761516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6460655203318761516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/04/minha-marca-no-mundo.html' title='Minha marca no mundo'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-8925549004591090217</id><published>2007-04-12T12:03:00.000-03:00</published><updated>2007-04-12T12:38:51.428-03:00</updated><title type='text'>Uma complementação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"En resolución, él se enfrascó tanto en su letura, que se le pasaban las noches leyendo de claro en claro, y los días de turbio en turbio; y así, del poco dormir y del mucho leer, se le secó el celebro de manera que vino a perder el juicio. Llenósele la fantasía de todo aquello que leía en los libros, así de encantamentos como de pendecias, batallas, desafíos, heridas, requiebros, amores, tormentas y disparates impossibles; y asentósele de tal modo en la imaginación que era verdad toda aquella máquina de aquellas sonadas soñadas invenciones que leía, que para él no había otra historia más cierta en el mundo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Cervantes)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Isto feito, começou um estudo aturado e contínuo; analisava os hábitos de cada louco, as horas de acesso, as aversões, as simpatias, as palavras, os gestos, as tendências; inquiria da vida dos enfermos, profissão, costumes, circunstâncias da revelação mórbida, acidentes da infância e da mocidade, doenças de outra espécie, antecedentes na família, uma devassa, enfim, como a não faria o mais atilado corregedor. E cada dia notava uma observação nova, uma descoberta interessante, um fenômeno extraordinário. Ao mesmo tempo estudava o melhor regímen, as substâncias medicamentosas, os meios curativos e os meios paliativos, não só os que vinham nos seus amados árabes, como os que ele mesmo descobria, à força de sagacidade e paciência. Ora, todo esse trabalho levava-lhe o melhor e o mais do tempo. Mal dormia e mal comia; e, ainda comendo, era como se trabalhasse, porque ora interrogava um texto antigo, ora ruminava uma questão, e ia muitas vezes de um cabo a outro do jantar sem dizer uma só palavra a D. Evarista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí insânia, insânia e só insânia."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(M. de A.)&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-8925549004591090217?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/8925549004591090217/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=8925549004591090217&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8925549004591090217'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8925549004591090217'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/04/uma-complementao.html' title='Uma complementação'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-8843241527594803209</id><published>2007-04-05T16:54:00.000-03:00</published><updated>2007-04-05T18:12:50.750-03:00</updated><title type='text'>Traduções português-português</title><content type='html'>Dei-me conta de que meu poema favorito do Leminski é esse do último post. Aquelas coisas que você queria ter escrito. Na idéia do &lt;a href="http://www.denovonada.zip.net"&gt;Paulo Ferraz&lt;/a&gt; de fazer traduções português-português, arrisquei uma. O resultado segue. Boa Páscoa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;uma angústia bem-cuidada&lt;br /&gt;é coisa que impõe respeito&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;dá um pendor diferente&lt;br /&gt;de quem, parecendo sem jeito,&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;acaba sempre na frente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;uma tristeza sem volta&lt;br /&gt;funciona como um tesouro&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;quatro estrelas, cem mil em ouro&lt;br /&gt;é uma fortuna no peito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;pílula droga do amor&lt;br /&gt;remédio nenhum me interessa&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;já pus tudo no papel&lt;br /&gt;essa angústia é o que me resta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-8843241527594803209?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/8843241527594803209/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=8843241527594803209&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8843241527594803209'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/8843241527594803209'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/04/tradues-portugus-portugus.html' title='Traduções português-português'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-511901582551283489</id><published>2007-04-04T09:47:00.000-03:00</published><updated>2007-04-04T10:57:44.731-03:00</updated><title type='text'>Contrapontos</title><content type='html'>1. Ana C.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POUR MÉMOIRE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me toques&lt;br /&gt;nesta lembrança.&lt;br /&gt;Não me perguntes a respeito&lt;br /&gt;que viro mãe-leoa&lt;br /&gt;ou pedra-lage lívida&lt;br /&gt;ereta&lt;br /&gt;na grama&lt;br /&gt;muito bem-feita.&lt;br /&gt;Estas são as faces da minha fúria.&lt;br /&gt;Sob a janela molhada&lt;br /&gt;passam guarda-chuvas&lt;br /&gt;na horizontal,&lt;br /&gt;como em Cherboirg,&lt;br /&gt;mas não era este&lt;br /&gt;o nome.&lt;br /&gt;Saudade em pedaços,&lt;br /&gt;estação de vidro.&lt;br /&gt;Água.&lt;br /&gt;As cartas&lt;br /&gt;não mentem&lt;br /&gt;jamais:&lt;br /&gt;virá ver-te outa vez&lt;br /&gt;um homem de outro continente.&lt;br /&gt;Não me toques,&lt;br /&gt;foi minha cortante resposta&lt;br /&gt;sem palavras&lt;br /&gt;que se digam&lt;br /&gt;dentro do ouvido&lt;br /&gt;num murmúrio.&lt;br /&gt;E mais não quer saber&lt;br /&gt;a outra, que sou eu,&lt;br /&gt;do espelho em frente.&lt;br /&gt;Ela instrui:&lt;br /&gt;deixa a saudade em repouso&lt;br /&gt;(em estação de águas)&lt;br /&gt;tomando conta&lt;br /&gt;desse objeto claro&lt;br /&gt;e sem nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. Leminski&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;um homem com uma dor&lt;br /&gt;é muito mais elegante&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;caminha assim de lado&lt;br /&gt;como se chegando atrasado&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;andasse mais adiante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;carrega o peso da dor&lt;br /&gt;como se portasse medalhas&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;uma coroa um milhão de dólares&lt;br /&gt;ou coisas que os valha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;ópios édens analgésicos&lt;br /&gt;não me toquem nessa dor&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;ela é tudo que me sobra&lt;br /&gt;sofrer, vai ser minha última obra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;redigitar é tão mais produtivo que copiar e colar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, pra uma amiga, Rilke, que não tinha entrado na história:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;em&gt;Rose, oh reiner Widerspruch, Lust,&lt;br /&gt;Niemandes Schlaf zu sein unter soviel&lt;br /&gt;Lidern.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Rosa, oh contradição pura, deleite,&lt;br /&gt;ser o sono de ninguém sob tantas&lt;br /&gt;pálpebras.&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;Como curiosidades na busca de tradução, (i) Wi&lt;em&gt;l&lt;/em&gt;derspruch seria algo como 'provérbio selvagem'; (ii) as traduções normalmente usam o termo 'desejo' ou 'volúpia' para Lust, mas parece que 'Lust' em alemão (ao contrário do que ocorre em inglês) não tem conteúdo de vontade, nem sexual (Verlangen), então seria mais o caso de 'deleite'; (iii) usam também, geralmente, 'pétalas' para 'Lidern', embora não haja nenhuma correlação específica exceto se você tiver em mente a rosa - ou seja, a metáfora fica explicitada e se perde ao mesmo tempo, como costuma acontecer; (iv) chegam a escrever 'Rosas', na idéia do tradutor/criador; e (v) eliminam, como tradutor/corretor a vírgula depois do 'Lust' - será uma exigência incontornável da gramática tedesca?, mesmo se for, deve haver maneira de dizer isso na ordem direta em alemão, e portanto sem sentido a revisão dos nossos zelosos tradutores - e colocam uma partícula 'de', assim: 'desejo de ser o sono de ninguém', às vezes inclusive colocando 'Lust' no segundo verso. Desavergonhadamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-511901582551283489?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/511901582551283489/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=511901582551283489&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/511901582551283489'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/511901582551283489'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/04/contrapontos.html' title='Contrapontos'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-1338180471238759112</id><published>2007-04-03T15:58:00.000-03:00</published><updated>2007-04-03T16:19:31.958-03:00</updated><title type='text'>Bom senso e bom gosto</title><content type='html'>Balzac, trad. minha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Duas figuras ali formavam un contraste fulminante com a massa de pensionários e freqüentadores. Ainda que a senhorita Victorine Teillefer tivesse uma brancura adoentada semelhante à das jovenzinhas atacadas de clorose, e que se juntasse ao sofrimento geral que servia de fundo a esse quadro por uma tristeza habitual, por uma presença incomodada, por um ar pobre e agudo, ainda assim o rosto não era velho, os movimentos e a voz eram ágeis. Essa jovem infeliz lembrava um arbusto de folhas amareladas, plantado com frescor em terreno inóspito. A fisionomia avermelhada, os cabelos de um loiro tostado, o corpo esbelto em demasia, exprimiam aquela graça que os poetas modernos encontravam nas estatuetas medievais. Seus olhos cinzentos mesclados de negro exprimiam uma doçura, uma resignação cristãs. As roupas simples, pouco custosas, traíam formas jovens. Era bonita por justaposição."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E essa não tinha nem trinta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-1338180471238759112?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/1338180471238759112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=1338180471238759112&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/1338180471238759112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/1338180471238759112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/04/bom-senso-e-bom-gosto.html' title='Bom senso e bom gosto'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-3532646591340185899</id><published>2007-04-01T23:05:00.000-03:00</published><updated>2007-04-01T23:28:53.506-03:00</updated><title type='text'>As palavras</title><content type='html'>1. O Houaiss&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;zangão&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;&lt;span style="color:#ff9900;"&gt;s.m.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt; (1609 cf EtOr) &lt;strong&gt;1&lt;/strong&gt; ENT macho das diversas spp. de abelhas sociais, esp. da abelha-européia, caracterizado pelo porte superior às operárias e ausência de ferrão; abelha-macha [Alheio às atividades de manutenção da colméia, não produz mel e possui apenas papel reprodutor.] &lt;strong&gt;2&lt;/strong&gt; ENT &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; m.q. &lt;em&gt;MAMANGABA&lt;/em&gt; ('abelha solitária') &lt;strong&gt;3&lt;/strong&gt; (1622-1682) &lt;em&gt;p. metf.&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;da acp. 1&lt;/em&gt;) &lt;em&gt;pej.&lt;/em&gt; indivíduo que vive a expensas de outrem, ou explorando de forma constante benefícios ou favores alheios; parasita &lt;strong&gt;4&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;p.ext.pej.&lt;/em&gt; pessoa que provoca importunação, incômodo; indivíduo maçante, enervante &lt;strong&gt;5&lt;/strong&gt; vendedor de estabelecimento comercial ou industrial em determinada praça; pracista &lt;strong&gt;6&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;m.q.&lt;/em&gt; &lt;em&gt;ZÂNGANO&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;7&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;P&lt;/em&gt; corretor fraudulento &lt;strong&gt;8&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;B&lt;/em&gt; operador não credenciado em bolsas de valores &lt;strong&gt;9 &lt;/strong&gt;BA indivíduo que representa ou dirige hotéis e pensões -&gt; var.ger.: &lt;em&gt;zângão&lt;/em&gt; ~ GRAM pl.: &lt;em&gt;zangãos&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;zangões&lt;/em&gt; ~ETIM prov. de uma onom. &lt;em&gt;zang&lt;/em&gt; relacionada ao zumbido do insteto (cp. esp. &lt;em&gt;zángano&lt;/em&gt;); do rad. do nome do inseto surgem der. ('&lt;em&gt;zanga&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;zangar&lt;/em&gt; etc.) com acp. ligadas a diferentes características atribuídas ao &lt;em&gt;zangão&lt;/em&gt;: não trabalhar, ser sustentado pelos demais membros da colméia, incomodar, ser inútil; zumbir, ameaçar, picar e causar dor, perturbação, aborrecimento; andar sobre pernas longas e bamboleantes ou, pelo porte maior, deslocar-se em vôos curtos, em torno de um ponto e sem rumo certo etc. ~ SIN/VAR zângão; ver tb. sinonímia de &lt;em&gt;parasita&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;2. Drummond (o irmão mais novo)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Chega mais perto e contempla as palavras.&lt;br /&gt;Cada uma&lt;br /&gt;tem mil faces secretas sob a face neutra&lt;br /&gt;e te pergunta, sem interesse pela resposta,&lt;br /&gt;pobre ou terrível, que lhe deres:&lt;br /&gt;Trouxeste a chave?&lt;br /&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-3532646591340185899?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/3532646591340185899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=3532646591340185899&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3532646591340185899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/3532646591340185899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/04/as-palavras.html' title='As palavras'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-1925966236537161342</id><published>2007-03-28T18:23:00.000-03:00</published><updated>2007-03-28T18:25:42.132-03:00</updated><title type='text'>auf den Geistern</title><content type='html'>Não sei se publico ou se compro uma bicicleta. Enquanto isso, persisto no velho truque do título em outra língua pra trapacear sobre os sentidos. E tome reciclagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;auf den Geistern&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bom fantasma dispensa&lt;br /&gt;as velhas correntes, os impo-&lt;br /&gt;nentes castelos já não&lt;br /&gt;assombra; habita contudo&lt;br /&gt;ainda os retratos antigos,&lt;br /&gt;de onde atinge os viventes&lt;br /&gt;como os de histórias remotas&lt;br /&gt;outrora faziam. Torna-os&lt;br /&gt;a cada dia treze ou&lt;br /&gt;vinte e sete um pouco mais&lt;br /&gt;tigres, serpentes e porcos,&lt;br /&gt;com ilusões de chamas verdes&lt;br /&gt;e espasmos de danças índias&lt;br /&gt;ou árabes que jamais&lt;br /&gt;existiram senão na&lt;br /&gt;memória. Faz deles um&lt;br /&gt;pouco espíritos.&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-1925966236537161342?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/1925966236537161342/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=1925966236537161342&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/1925966236537161342'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/1925966236537161342'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/03/auf-den-geistern.html' title='auf den Geistern'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2865256959974939106</id><published>2007-03-18T17:05:00.000-03:00</published><updated>2007-03-18T18:33:28.161-03:00</updated><title type='text'>Um drummond clariciano</title><content type='html'>Sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;ONTEM&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até hoje perplexo&lt;br /&gt;ante o que murchou&lt;br /&gt;e não eram pétalas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De como este banco&lt;br /&gt;não reteve forma,&lt;br /&gt;cor ou lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem esta árvore&lt;br /&gt;balança o galho&lt;br /&gt;que balançava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo foi breve&lt;br /&gt;e definitivo.&lt;br /&gt;Eis está gravado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não no ar, em mim&lt;br /&gt;que por minha vez&lt;br /&gt;escrevo, dissipo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;- A rosa do povo&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2865256959974939106?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2865256959974939106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2865256959974939106&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2865256959974939106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2865256959974939106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/03/um-drummond-clariciano.html' title='Um drummond clariciano'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-6506192844382685639</id><published>2007-03-11T11:38:00.000-03:00</published><updated>2007-03-11T12:33:05.288-03:00</updated><title type='text'>Kaváfis y los Muros</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Andei discutindo um pouco com a &lt;a href="papelderascunho.blogspot.com/"&gt;Virna Teixeira &lt;/a&gt;a poesia do Konstantinos Kaváfis, grego que escreveu no começo do século XX com temas que retomam as epopéias. Provavelmente o poema mais famoso, que costumamos recitar e que vem a calhar em tempos de visitas do Imperador do Sol, é À Espera dos Bárbaros. Mas comprei um livro dele e, conversando com a Virna, descobrimos que os dois gostamos muito desse outro.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUROS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem cuidado nenhum, sem respeito nem pesar,&lt;br /&gt;ergueram à minha volta altos muros de pedra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora aqui estou, em desespero, sem pensar&lt;br /&gt;noutra coisa: o infortúnio a mente me depreda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu que tinha tanta coisa por fazer lá fora!&lt;br /&gt;Quando os ergueram, mal notei os muros, esses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ouvi voz de pedreiro, um ruído que fora.&lt;br /&gt;Isolaram-me do mundo sem que eu percebesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Konstantinos Kaváfis, trad. José Paulo Paes&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mesmo sem saber grego, dá pra notar que a tradução não ficou genial, a não ser que as rimas todas soem propositadamente mal. Valeria fazer o que o próprio José Paulo Paes, isto é, pegar as traduções francesas e a italiana e montar de novo o poema, com a ajuda de um ou outro helenista.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;De qualquer forma, em tempos escassos e de muros paraguayos, é sempre bom saber que o mundo não evoluiu grande coisa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-6506192844382685639?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/6506192844382685639/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=6506192844382685639&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6506192844382685639'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/6506192844382685639'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/03/kavfis-y-los-muros.html' title='Kaváfis y los Muros'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-5775977803701685099</id><published>2007-02-24T17:20:00.000-02:00</published><updated>2007-02-24T17:47:51.793-02:00</updated><title type='text'>Onde poderia ter começado</title><content type='html'>[ um aparte: o texto sobre a modernidade, os estílos, a autoria e blablablá caminha para se tornar de um texto &lt;em&gt;sobre&lt;/em&gt; o Fábio Aristimunho Vargas em um texto &lt;em&gt;com&lt;/em&gt; o Fábio Aristimunho Vargas - um pouco como os americanos dizem aos filhos sacaneados na escola que não estão rindo &lt;em&gt;deles&lt;/em&gt;, mas &lt;em&gt;com eles&lt;/em&gt;. Vai com certeza perder em ímpeto e desregramento, mas em compensação ganhar em propriedade, profundidade e erudição. Aguardem - ou não ]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Torna-se subitamente apropriado retomar, como mito fundador ao estilo de um Mayflower, de Rômulo e Remo ou do Grito do Ipiranga (ou Cabral?, ou Tiradentes?, enfim, escolham aí um apenas para completar a regra de retórica e incluir um elemento patriótico, ilusoriamente colocando o Brasil como cenário de estudos futuros de grande significação), o que poderia ser considerado o meu primeiro poema de verdade - atirando assim Estilhaços para uma vala comum do mero corriqueiro conjuntural, junto com o escravismo, a exploração colonial e arranjos políticos imediatistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois dizem que a estória não é escrita pelos vencedores, pois agora temos especialistas discutindo nesse espaço imparcial de trocas culturais que é a Universidade Moderna - onde andam em alta as ciências exatas, fenômeno que é objeto de críticas intensas e ferozes dos defensores da cultura e do pensamento independentes que o Iluminismo nos legou. Melhor parar aqui que as conseqüências são graves, mas quem encaixar o verbete &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/University"&gt;University &lt;/a&gt;com o resto da estória poderá chegar às próprias conclusões, livres, independentes e imparciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Curiosamente, este poema foi rejeitado pela poderosa editoria da revista PHOENIX XVIII - por sinal, &lt;a href="http://peixedeaquario.zip.net/arch2007-02-01_2007-02-28.html"&gt;ana rüsche&lt;/a&gt; anda falando dessa pequena desincubadora de poetas - em favor de um conto bukowskiano, que você inclusive pode ler lá embaixo. Escolha provavelmente acertada, não em função do pequeno nascituro, que cairia bem como testemunho da imaturidade, mas do resto dos rejeitos, a chamada água do banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escrevo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no dique de sangue&lt;br /&gt;tampo o buraco com o dedo&lt;br /&gt;pelo lado de dentro&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-5775977803701685099?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/5775977803701685099/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=5775977803701685099&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/5775977803701685099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/5775977803701685099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/02/onde-poderia-ter-comeado.html' title='Onde poderia ter começado'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-1645710428256693584</id><published>2007-02-14T23:27:00.000-02:00</published><updated>2007-02-14T23:37:12.689-02:00</updated><title type='text'>Um Zorro</title><content type='html'>&lt;p&gt;A veia poético-pagodeira, a recente leitura candeiana (seria sacanagem dizer que o que segue tem alguma culpa do rapaz) e a preguiça falaram mais forte. Com o que vocês serão poupados por mais algum tempo de um texto pouco tragável sobre a modernidade. Meanwhile, vejam só, minhas tardes andam rendendo, além de contratos, idéias. Mas, como dizia Mallarmé...&lt;/p&gt;&lt;p&gt;***&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;Um Zorro&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Seu herói americano&lt;br /&gt;na sala do ilusionista&lt;br /&gt;além do vilão avista&lt;br /&gt;vários vasos de Pequim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nalgum deles, ele sabe,&lt;br /&gt;mora o destino do mundo.&lt;br /&gt;Os outros são só disfarce&lt;br /&gt;são obra do Mandarim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O vilão vai empurrando&lt;br /&gt;pela sala aquelas urnas&lt;br /&gt;e nosso herói se desdobra&lt;br /&gt;pelos vasos de festim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cria braços de borracha&lt;br /&gt;joga a jaqueta de couro&lt;br /&gt;salta, corre e lê a Bíblia&lt;br /&gt;só pra evitar o fim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou um desses, tá vendo?&lt;br /&gt;Eu mal levanto da mesa,&lt;br /&gt;não morro pelo planeta,&lt;br /&gt;não ligo de ser ruim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O planeta que se cuide&lt;br /&gt;não dou nem assinatura&lt;br /&gt;tô tomando minha breja&lt;br /&gt;sentado no botequim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa daí não me engana&lt;br /&gt;não arranca minha grana&lt;br /&gt;nem se vier com o Papa&lt;br /&gt;nem se Deus chegar pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que que esse Deus não acaba&lt;br /&gt;com os conflitos do Iraque&lt;br /&gt;chove fogo que nem antes&lt;br /&gt;ou faz uma coisa assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É que o mundo ficou grande&lt;br /&gt;fizeram corporações&lt;br /&gt;Antes até que era fácil&lt;br /&gt;Mandava-se um querubim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Matava logo uma dúzia&lt;br /&gt;e problema resolvido.&lt;br /&gt;queimava duas cidades,&lt;br /&gt;expulsava do Jardim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente ganhou a briga&lt;br /&gt;fez países e tratados&lt;br /&gt;enforcou líderes bárbaros&lt;br /&gt;tudo passado a nanquim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se ele achar que pode&lt;br /&gt;venha aí tentar a sorte;&lt;br /&gt;Deus não precisa de herói&lt;br /&gt;Deus não precisa de mim.&lt;/p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-1645710428256693584?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/1645710428256693584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=1645710428256693584&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/1645710428256693584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/1645710428256693584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/02/um-zorro.html' title='Um Zorro'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2689223826616242505</id><published>2007-02-11T14:41:00.000-02:00</published><updated>2007-02-11T15:03:51.644-02:00</updated><title type='text'>Camaleões confusos</title><content type='html'>Respondo logo a pergunta: é o &lt;a href="http://www.medianeiro.blogspot.com"&gt;Fábio Aristimunho&lt;/a&gt;, poeta paranaense, mais que isso, iguaçuense, radicado em São Paulo e companheiro já de uns anos nos caminhos da poesia. Pra quem não conhece, três poemas antes da diatribe, pra dar uma respirada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOCA &amp;amp; PLÁGIO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barangueiro&lt;br /&gt;(até) de idéias:&lt;br /&gt;não fale perto&lt;br /&gt;senão eu cato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. (pequenas inconfidências)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(vii)&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;em&gt;a propósito dos Diários de Motocicleta&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, do alto da serra,&lt;br /&gt;baixou um quixote pop,&lt;br /&gt;que constelou uma geração de feitos, de causas.&lt;br /&gt;Mas (caído de si) não esperou pelo último sono&lt;br /&gt;na terra dos sonhos - que pena.&lt;br /&gt;Ficou só o da garupa&lt;br /&gt;a desatrelar rocinantes.&lt;br /&gt;Pra ele sim, bem feito: a vida numa ilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes: uma perspectiva&lt;br /&gt;calcada em palavras surdas,&lt;br /&gt;ainda que óbvias.&lt;br /&gt;Em segida, o alívio mútuo&lt;br /&gt;pela ingenuidade ilesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abortamos, no fim, mais&lt;br /&gt;de nós mesmos que o diálogo,&lt;br /&gt;preferindo&lt;br /&gt;o erro espontâneo do verbo&lt;br /&gt;a uma vírgula interposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2689223826616242505?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2689223826616242505/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2689223826616242505&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2689223826616242505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2689223826616242505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/02/camalees-confusos.html' title='Camaleões confusos'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-7627738866382231193</id><published>2007-02-08T11:16:00.000-02:00</published><updated>2007-02-08T11:21:32.908-02:00</updated><title type='text'>Mimesis e Poiesis</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O post abaixo demonstra um pequeno prazer e uma pequena fraqueza (coisas tão diferentes) meus: quando leio alguém de que gosto, ou de quem, mesmo não gostando, ouço falar bem, tendo a criar um ou dois poemas mimetizando a novidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O curioso é que sei que não parece bem. As palavras para descrever vão de diluidor pra baixo. Onde está a originalidade? Queremos invenção! Não tem talento, vá fazer outra coisa. É assim que aprendemos a sermos nós mesmos, que a poesia precisa ter algo de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ninguém estranharia um pintor que ficasse uns anos oscilando entre os renascentistas, os expressionistas e os surrealistas; ou um músico que passasse dias trancado até acompanhar perfeitamente um disco de Miles Davis ou Thelonious Monk; existem artes, a dança e o teatro, cuja própria essência consiste em reproduzir com precisão aquilo que foi criado ou pensado por outros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que, então, isso parece fraqueza quando falamos de poesia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desconfio que pelo mesmo preconceito que diz que, para escrever poesia, basta ter sentimentos e comunicar-se em alguma das línguas faladas pelos povos do mundo; e nem é preciso comunicar-se muito bem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em tempos relativistas, difícil negar a idéia acima. Mas a conclusão lógica dela é de que a diferença entre Pessoa e você é que ele é um gênio; um luminar que compreende a grande fagulha pela qual você passa batido todos os dias na saída do elevador. Vinicius é um espírito elevado cujo pensamento flui como se tocasse harpa, e Cabral um construtor natural de monstruosidades lingüísticas. Hilda é a essência do feminino em ebulição. Etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa passagem, anula-se todo o trabalho de martelamento de linguagem feito por esses poetas. A poesia, na contramão de Mallarmé, sobe das palavras para as idéias. Torna-se ridícula a imitação, porque imitar as idéias geniais de Pessoa e Drummond é absolutamente impossível. Você precisa ter idéias novas. Você tem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, como já devem ter notado, eu não concordo. Acho que, embora seja louvável a atitude de alguns de manter seu próprio estilo e assim criar inclusive um nicho de mercado - algo extremamente apreciado -, essas pessoas são o equivalente literário do Iron Maiden ou AC/DC. Podem escrever 10 livros iguais, e os fãs desprezarão aqueles que se aventuram para fora do verdadeiro roquenrou. E quem então ousará se opor a metade dos moleques entre 13 e 17 anos da América Latina? Metal é o que pega! Não sei nem como no rádio só toca Red Hot...&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;(vale um pouco a leitura do &lt;a href="http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/manifesto-da-poesia-alheia.html"&gt;Manifesto da Poesia Alheia&lt;/a&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Preconceitos pessoais à parte, notei contudo que tem um poeta contemporâneo que conheço bem e em quem absolutamente não saberia nem o que mimetizar. E o mais interessante é que ele tem por proposta exatamente a falta de originalidade. No próximo número, digo quem é.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-7627738866382231193?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/7627738866382231193/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=7627738866382231193&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7627738866382231193'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/7627738866382231193'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/02/mimesis-e-poiesis.html' title='Mimesis e Poiesis'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-4451343034029859053</id><published>2007-02-05T22:08:00.000-02:00</published><updated>2007-02-06T10:21:17.793-02:00</updated><title type='text'>à moda do Del</title><content type='html'>Bem, já que há clamor pela volta dos posts, aqui vai um. O disclaimer é: trata-se de um exercício em cima do livro "Uma dose de cortisol e uma porção de serotonina", do &lt;a href="http://www.docesenjoativos.blogspot.com"&gt;Del Candeias&lt;/a&gt;. O poema não tem relação direta com fatos reais e qualquer semelhança será mera confidência, ops, coincidência. Tampouco o considero representativo da minha própria produção, embora isso de pouca utilidade seja contra a sua existência eletrônica, para ser passado e repassado. Aliás, descobri que o poema do Na verdade não sou poeta já andou rodando, de forma que pouco adianta esconder as coisas no mundo virtual. São essas que pegam, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;strong&gt;à moda do Del&lt;/strong&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te encontrei já escassa.&lt;br /&gt;Como o resto da picanha mais suculenta&lt;br /&gt;ainda incomodando entre dois dentes.&lt;br /&gt;A borra da melhor safra toscana&lt;br /&gt;amarrando a língua dos garçons depois do expediente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nada que mereça&lt;br /&gt;horas de exame no espelho&lt;br /&gt;ou choros de manhã seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essas coxas, garanto, faziam furor ainda&lt;br /&gt;passando em frente a qualquer construção&lt;br /&gt;e o rosto, tão superior,&lt;br /&gt;deixava loucos todos esses moleques&lt;br /&gt;querendo qualquer coisa que pareça saída duma TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E atrás desses óculos espelhados&lt;br /&gt;não é que não tenha nada.&lt;br /&gt;(você não era burra)&lt;br /&gt;É um pouco pior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem aí uma criatura estragada&lt;br /&gt;por anos de elogios falsos,&lt;br /&gt;por tantos bêbados&lt;br /&gt;querendo enfiar o pau em qualquer lugar,&lt;br /&gt;que sublimou a própria graça de menina&lt;br /&gt;(você também não tava velha)&lt;br /&gt;numa cara de nojenta&lt;br /&gt;e parece o tempo todo dizer:&lt;br /&gt;“Não quero dar pra você.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez até suas próprias regras&lt;br /&gt;de dona do próprio corpo.&lt;br /&gt;Não ficava antes das duas,&lt;br /&gt;nunca depois das quatro&lt;br /&gt;nem com menos de meia hora de xaveco.&lt;br /&gt;As amigas já sabiam: aquela se valorizava.&lt;br /&gt;E por dentro ia morrendo,&lt;br /&gt;davam longas risadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se preocupe.&lt;br /&gt;Não foi sua culpa.&lt;br /&gt;E pra não despedaçar&lt;br /&gt;pode acusar sempre uma inveja&lt;br /&gt;que na verdade eu te queria mais.&lt;br /&gt;Eu não ligo&lt;br /&gt;pode espalhar&lt;br /&gt;você ainda era bonita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bela e farinhenta&lt;br /&gt;como uma maçã argentina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-4451343034029859053?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/4451343034029859053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=4451343034029859053&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4451343034029859053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/4451343034029859053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/02/moda-do-del.html' title='à moda do Del'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-2540134996166798220</id><published>2007-01-26T18:06:00.000-02:00</published><updated>2007-01-26T18:14:38.367-02:00</updated><title type='text'>Pessoas</title><content type='html'>Pra irritantemente constatar o óbvio num fim-de-semana que promete dar trabalho, um par de dois (homenagem dupla ao Paulo Ferraz) poemas do Pessoa. Acho que pensando direito gosto mais do primeiro, tem menos dos momentos batatinha-quando-nasce que de vez em quando escapam do controle do gajo direto para o papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se ajudar, imaginem a Phedra vestida de menina com o pirulito e recitando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Isto&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que finjo ou minto&lt;br /&gt;Tudo que escrevo. Não.&lt;br /&gt;Eu simplesmente sinto&lt;br /&gt;Com a imaginação.&lt;br /&gt;Não uso o coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo o que sonho ou passo,&lt;br /&gt;O que me falha ou finda,&lt;br /&gt;É como que um terraço&lt;br /&gt;Sobre outra coisa ainda.&lt;br /&gt;Essa coisa é que é linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso escrevo em meio&lt;br /&gt;Do que não está ao pé,&lt;br /&gt;Livre do meu enleio,&lt;br /&gt;Sério do que não é.&lt;br /&gt;Sentir? Sinta quem lê!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Autopsicografia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O poeta é um fingidor.&lt;br /&gt;Finge tão completamente&lt;br /&gt;Que chega a fingir que é dor&lt;br /&gt;A dor que deveras sente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os que lêem o que escreve&lt;br /&gt;Na dor lida sentem bem&lt;br /&gt;Não as duas que ele teve&lt;br /&gt;Mas só a que eles não têm.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim nas calhas de roda&lt;br /&gt;Gira, a entreter a razão,&lt;br /&gt;Esse comboio de corda&lt;br /&gt;Que se chama o coração.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-2540134996166798220?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/2540134996166798220/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=2540134996166798220&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2540134996166798220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/2540134996166798220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/01/pessoas.html' title='Pessoas'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116966551037071400</id><published>2007-01-24T16:49:00.000-02:00</published><updated>2007-01-24T17:05:10.380-02:00</updated><title type='text'>Camila do Valle</title><content type='html'>Pra suprir a falta de imaginação dos últimos dias, causada em parte por planos de dominação mundial, em parte por uso excessivo do lado esquerdo do cérebro para espremer laranjas, venho com um poema alheio - no sentido vulgar do termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É a &lt;a href="http://www.sedaeterciopelo.blogspot.com/"&gt;Camila do Valle&lt;/a&gt;, poeta carioca, que conheço apenas eletronicamente, e nem recíproco é. Achei que manda muito bem, e o google nos diz que o que segue é o poema mais famoso dela - tem até em alemão. A ironia fica por conta de ela, sendo carioca, ter escrito justamente esse poema, que aos ares cinzentos que rondam São Paulo parece trazer um certo sabor azul de sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tango&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vejo milhões de Robertos todos os dias.&lt;br /&gt;Mas foi só ver Anita uma única vez que fiz um poema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí a cidade era eu.&lt;br /&gt;Girinos vermelhos saíam de minha vagina,&lt;br /&gt;escorriam veias pelas minhas pernas,&lt;br /&gt;abrindo avenidas em pleno centro da América Latina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora a linguagem seja dos homens,&lt;br /&gt;a cidade saiu-me mulher.&lt;br /&gt;De longe, a minha avó grita tão perto:&lt;br /&gt;– Tenha modos, menina! Cruze as pernas!&lt;br /&gt;E eu cruzo, adoravelmente, as pernas,&lt;br /&gt;e encanto o senhor capitão.&lt;br /&gt;De espada na cinta e ginete na mão. (eu ou ele?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peço-te, Anita, somente, que não se case com ele.&lt;br /&gt;Se você não se casar: nem eu.&lt;br /&gt;Continuemos com as pernas escrupulosamente abertas&lt;br /&gt;na América Latina. De forma estratégica: sem modos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(em "Mecânica da distração: os aprisântempos", 2005)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116966551037071400?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116966551037071400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116966551037071400&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116966551037071400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116966551037071400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/01/camila-do-valle.html' title='Camila do Valle'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116941135748502038</id><published>2007-01-21T18:18:00.000-02:00</published><updated>2007-01-22T11:17:35.533-02:00</updated><title type='text'>Jaime Sabines y Tarumba</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Nos enviou o Alitto um poema do Jaime Sabines, poeta mexicano. Indo atrás, encontrei que o cara lembra muito um Drummond mexicano, daí arrisquei uma tradução dessa língua familiar e estranha que falam pela América.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A curiosidade recai sobre a palavra Tarumba, título do livro e termo que perpassa os poemas todos, e que a princípio pensei desconhecer meramente em virtude da minha quase absoluta ignorância acerca do idioma dos reis católicos, mas depois vim a descobrir - extremamente aliviado - que se trata de termo inventado pelo próprio Sabines, que nem mesmo ele se sente confortável para &lt;a href="http://www.jornada.unam.mx/2006/12/17/sem-jorpoesia.html"&gt;explicar&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E que, segundo consta, descobriu posteriormente que, como é costume, a palavra não saíra de sua livre imaginação de gênio literário: estava curiosamente alojada por Lorca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Ai, Tarumba&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, Tarumba, tu já conheces o desejo.&lt;br /&gt;Te devora, te arrasta, te desfaz.&lt;br /&gt;Zumbes como uma colméia.&lt;br /&gt;Te quebras mil e mil vezes.&lt;br /&gt;Deixas de ver mulher por quatro dias&lt;br /&gt;porque gostas de desejar,&lt;br /&gt;gostas de queimar-te e revivê-lo&lt;br /&gt;gostas de passar a língua de teus olhos em todas.&lt;br /&gt;Tu, Tarumba, nasceste na saliva,&lt;br /&gt;Quem sabe em que borracha quente nasceste.&lt;br /&gt;Te castigaram com dar-te apenas duas mãos.&lt;br /&gt;Salgado Tarumba, tens a pele como uma boca&lt;br /&gt;e não te cansas.&lt;br /&gt;Não vais concluir nada.&lt;br /&gt;Mesmo que chores, mesmo que fiques quieto&lt;br /&gt;como um bom rapaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Jaime Sabines, trad. GG&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Ay, Tarumba&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ay, Tarumba, tú ya conoces el deseo.&lt;br /&gt;Te jala, te arrastra, te deshace.&lt;br /&gt;Zumbas como un panal.&lt;br /&gt;Te quiebras mil y mil veces.&lt;br /&gt;Dejas de ver mujer en cuatro días&lt;br /&gt;porque te gusta desear,&lt;br /&gt;te gusta quemarte y revivirle,&lt;br /&gt;te gusta pasarles la lengua de tus ojos a todas.&lt;br /&gt;Tú, Tarumba, naciste en la saliva,&lt;br /&gt;quién sabe en qué goma caliente naciste.&lt;br /&gt;Te castigaron con darte sólo dos manos.&lt;br /&gt;Salado Tarumba, tienes la piel como una boca&lt;br /&gt;y no te cansas.&lt;br /&gt;No vas a sacar nada.&lt;br /&gt;Aunque llores, aunque te quedes quieto&lt;br /&gt;como un buen muchacho.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Jaime Sabines&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltarei a ele. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116941135748502038?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='related' href='http://sololiteratura.com/sab/sabtarumba.htm' title='Jaime Sabines y Tarumba'/><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116941135748502038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116941135748502038&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116941135748502038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116941135748502038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/01/jaime-sabines-y-tarumba.html' title='Jaime Sabines y Tarumba'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116940400387679305</id><published>2007-01-21T16:22:00.000-02:00</published><updated>2007-01-21T16:26:43.883-02:00</updated><title type='text'>Uma imagem</title><content type='html'>Em época de pouca imaginação, uma imagem com valor de senso comum.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/293777/rugby.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/320/516840/rugby.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116940400387679305?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116940400387679305/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116940400387679305&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116940400387679305'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116940400387679305'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/01/uma-imagem.html' title='Uma imagem'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116906690695875838</id><published>2007-01-17T18:16:00.000-02:00</published><updated>2007-01-17T18:52:59.830-02:00</updated><title type='text'>Bocage - uma tradução</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Como há algum tempo fazem no &lt;a href="http://medianeiro.blogspot.com/"&gt;Medianeiro&lt;/a&gt;, no &lt;a href="http://denovonada.zip.net/"&gt;De novo nada&lt;/a&gt; e no &lt;a href="http://foton.zip.net/"&gt;Fóton&lt;/a&gt;, arrisco uma tradução - excelente maneira de botar um pouco do gosto dos outros na própria dicção. A língua de escolha foi o francês, mas fiz ao contrário, ou seja, a chamada versão (são coisas &lt;a href="http://www.diepresse.com.br/area.cfm?id_area=192&amp;tipo_idioma=port#versão"&gt;diferentes&lt;/a&gt;). &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Escolhi &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bocage"&gt;Bocage&lt;/a&gt;, poeta árcade português; um poema tranqüilo, pequeno e meio famoso: Nariz, Nariz e Nariz, que vale a pena pra quem não conhece. É satírico e, diz-se, dedicado ao Nariz do Rei de Portugal - e o poeta teria passado algum tempo preso por 'heresia' por conta dessas linhas (sabemos bem que preso político dificilmente vai pra cadeia assim, na cara, vide o Sadã). Anoto que, como não encontro na rede nenhuma referência a essa história do Rei, não há presunção de verdade. Se existe, devia estar na net (agora está). Informações (e reparos) são bem-vindas!&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Le Nez, le Nez et le Nez&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Le nez, le nez, et le nez,&lt;br /&gt;Le nez, qui finit jamais ;&lt;br /&gt;Le nez, qui s’il s’abattait,&lt;br /&gt;Ferait le monde malheureux ;&lt;br /&gt;Ce nez, Newton ne voulait&lt;br /&gt;Lui décrire la diagonale ;&lt;br /&gt;Un nez à masse infernale&lt;br /&gt;Dont la grandeur sans pareil&lt;br /&gt;Mise entre Terre et Soleil&lt;br /&gt;Ferait éclipse total !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Manuel Maria Barbosa du Bocage, trad. minha&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Nariz, Nariz e Nariz&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nariz, nariz, e nariz,&lt;br /&gt;Nariz, que nunca se acaba;&lt;br /&gt;Nariz, que se ele desaba,&lt;br /&gt;Fará o mundo infeliz;&lt;br /&gt;Nariz, que Newton não quis&lt;br /&gt;Descrever-lhe a diagonal;&lt;br /&gt;Nariz de massa infernal,&lt;br /&gt;Que, se o cálculo não erra,&lt;br /&gt;Posto entre o Sol e a Terra,&lt;br /&gt;Faria eclipse total!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;Manuel Maria Barbosa du Bocage&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;***&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;Curiosidade: quando altero o idioma do Word pra francês, toda a pontuação, afora as vírgulas e os pontos finais, passa a vir automaticamente precedida de um espaço. Interessante: sempre achei que fosse um daqueles erros 'normais', derivados da ignorância, a colocação de espaços antes da pontuação. Agora que sei que é galicismo, talvez comece a praticar ; que tal?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116906690695875838?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116906690695875838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116906690695875838&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116906690695875838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116906690695875838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/01/bocage-uma-traduo.html' title='Bocage - uma tradução'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116890086010402423</id><published>2007-01-15T20:26:00.000-02:00</published><updated>2007-01-15T20:51:09.940-02:00</updated><title type='text'>leminskianas</title><content type='html'>O Humberto Alitto, figurinha carimbada nos vernissages paulistanos e sabido de tudo o que rola na comunidade artística, quem esteve onde e fez o quê, hoje quase me convenceu a virar budista; é a primeira religião globalizada. E talvez desde que um certo &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jack_Kerouac"&gt;Kerouac&lt;/a&gt;, com bastante ácido na cabeça, deu ao budismo lugar central na cultura pop, com &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/The_Dharma_Bums"&gt;The Dharma Bums &lt;/a&gt;(Vagabundos Iluminados).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Daí como ando em fase leminski, preferi em vez disso tentar um poema. Crédito também pra ótima primeira parte do Exercício Fragmentado das Minhas Contradições, do &lt;a href="http://medianeiro.blogspot.com"&gt;medianeiro&lt;/a&gt; Fábio Aristimunho Vargas, que pôs a maquininha pra funcionar. Ainda posto esse!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Tao&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;verso a verso&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;me disperso&lt;br /&gt;só verseio&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;nos extremos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;um descuido&lt;br /&gt;um reverso&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;um pé fora&lt;br /&gt;de hora&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;e desloco&lt;br /&gt;pro lado&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;....................&lt;/span&gt;o caminho&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.......................&lt;/span&gt;do meio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116890086010402423?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116890086010402423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116890086010402423&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116890086010402423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116890086010402423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/01/leminskianas.html' title='leminskianas'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116870416240575350</id><published>2007-01-13T13:23:00.000-02:00</published><updated>2007-01-13T16:47:27.736-02:00</updated><title type='text'>Um pouco de cinema</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;De início pensava usar este blogue (sim, blogue, como dizia o grande Gandhi ou o grande Buda ou o grande sei-lá-quem, seja a diferença que você quer ver no mundo) pra falar unicamente de poesia, ou seja, tudo o mais ser pretexto pra botar algum poema meu ou alheio. Mas é que às vezes realmente não dá, até porque ao contrário do que querem nos fazer crer não existem disciplinas estanques e autônomas nesse mundo - hoje em dia, como se sabe, até poesia e prosa são alvo de uma divisão &lt;em&gt;espetacular&lt;/em&gt;, um pouco como duas tribos africanas em guerra com o objetivo de capturar escravos da outra tribo e trocá-los por armas com o colonizador, para capturar mais escravos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então preciso falar um pouco de cinema, mais especificamente da &lt;a href="http://wwws.br.warnerbros.com/ladyinthewater/"&gt;Dama na Água&lt;/a&gt;, um filme que tem tudo pra passar batido como filminho da Disney, com criaturas mágicas e narrador da Globo falando, "E esse cara vai passar por altas confusões pra conseguir levar essa gata de volta ao mundo da água". Pois esse é exatamente o problema. Primeiro OK, fui assistir num cinema da classe média alta paulistana no qual as pessoas nem têm a pretensão de parecerem espertas, e tive de ouvir de um transeunte na saída, "Puta filminho de Sessão da Tarde, hein?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não sei o que acontece com pessoas realmente inteligentes que mal elas vêem uma criatura mágica, um macaco ou crianças na tela e já colocam o filme no compartimento Filmes de Entretenimento, e ignoram completamente qualquer possibilidade de significado. Chegam inclusive a dizer, como se nada estivesse acontecendo, "Ah, eu não gosto desses filmes em que o autor tenta passar uma mensagem" - tratar-se ia dos filmes sérios, que ficam problematizando, em oposição aos filmes leves; a vida já tem problemas demais. Um filme como &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bambi"&gt;Bambi&lt;/a&gt;, por exemplo, não está te influenciando de nenhuma forma, não tem relação com esse palavrão quase sussurrado que é a 'contaminação ideológica'. Como disse o &lt;a href="http://zonabranca.blog.uol.com.br/arch2006-12-03_2006-12-09.html"&gt;Ademir Assunção&lt;/a&gt; outro dia, Oh, sim, claro, Mister Jones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não, vejamos. Vou listar alguns poucos elementos que tornam tão gritante a existência de uma 'mensagem oculta' nesse filme que não consigo conceber que uma pessoa saia pra tomar sorvete e falar da balada depois assim, dizendo que gostou ou não gostou e gosto não se discute, que não é filme pra pensar e é sobre um hotel e uma ninfa de um reino da água nada a ver. &lt;/div&gt;&lt;ol&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;A ninfa se chama Story (História).&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;A História aparece para um americano resignado, que quer esquecer o passado e por assim dizer desistiu da vida, de construir a própria história (pegou, hã-hã?) sendo ele médico, e agora é zelador de um condomínio onde moram pessoas de várias nacionalidades.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;O americano só poderá compreender a História e resgatá-la recorrendo à tradição milenar (na forma de uma canção de ninar) de uma chinesa. Anoto que a chinesa-filha, americanizada, não pode ajudá-lo, é necessário recorrer à chinesa-mãe, tradicional e que não fala inglês.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;A História tem como missão influenciar um jovem indiano (não americano), a produzir um livro que trará idéias novas e mudará o mundo.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;O americano, mesmo depois que aceita a tarefa de curar a História, só consegue fazê-lo com a ajuda das imigrantes chicanas, e da indiana. Porém elas o apóiam, apenas, quem tem o poder de curar a História lembrando-se do seu passado é o nosso herói americano.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;Adicionalmente, o indiano morrerá tendo apenas produzido idéias; a História nega a ele a possibilidade de agir. Quem realmente irá alterar o mundo, o homem de ação da História, será um garoto que se tornará Presidente dos Estados Unidos da América.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;O americano é arrogante e tenta, antes de mais nada, resolver tudo sozinho, antes de tentar compreender a História e que precisa de outras pessoas pra que ela complete seu desígnio. Depois dizem que foi o crítico de cinema chato, o cara que entende de histórias e já viu tantas que consegue identificar com precisão os papéis a serem desempenhados pelos atores, dizem que esse cara é arrogante. Mas o crítico dá informações precisas. Quem interpreta apressadamente é o nosso amigo gringo - até que dá errado.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;A História é levada por uma águia - uma águia, sacam?, é símbolo de um país aí da América do Norte.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;li&gt;&lt;div align="justify"&gt;E como se não bastasse, ficam passando na tevê o tempo todo imagens da Guerra do Iraque. Quase sacudindo o público, "Me entenda, me entenda!", e nada.&lt;/div&gt;&lt;/li&gt;&lt;/ol&gt;&lt;p align="justify"&gt;Enfim, note-se que o filme não é nem revolucionário ou algo assim, ele só defende uma postura de multilateralismo liderado pelos EUA, mas contando com os estrangeiros e apoiado no conhecimento tradicional e na compreensão antes da ação. Uma coisa assim bem ONU, quase tree-hugger, um pouco como devem pensar os extremistas do Partido Democrata.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Mas espanta a incapacidade geral de compreensão, o despreparo pra entender qualquer mensagem que não seja formatada feito Jornal Nacional ou campanha do Zé Gotinha, Matricule-se Já. O que não espanta, depois disso, é as pessoas reproduzirem como verdade o que lêem na revista semanal ou vêem na novela.&lt;/p&gt;&lt;p align="justify"&gt;Por sinal, acho que qualquer ficção científica pré-TV que incluísse aparelhos de comunicação, presentes em todos os lares, de mão única e transmitindo opiniões, palavras de ordem, ensinamentos morais e ditando a vestimenta do próximo verão aos receptáculos, no século XIX por exemplo, só conceberia esses aparelhos dentro de uma sociedade totalitária. Mal sabiam eles até onde a Liberdade seria capaz de guiar o povo.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116870416240575350?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116870416240575350/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116870416240575350&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116870416240575350'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116870416240575350'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/01/um-pouco-de-cinema.html' title='Um pouco de cinema'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116862190702081710</id><published>2007-01-12T14:51:00.000-02:00</published><updated>2007-01-13T14:03:51.286-02:00</updated><title type='text'>Ano novo polaco</title><content type='html'>Bem, bem, ao contrário dos &lt;a href="http://peixedeaquario.zip.net/"&gt;Peixes&lt;/a&gt; que não apenas não dormem mas andam trocando de pele no ano-novo, o dragão passou um tempo hibernando. E, sendo criatura de outros hemisférios, está noutros ciclos, hiberna no verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inaugurando 2007 e antes de mais nada, então, trago (com duplo sentido) acho que o leminski de que mais gosto, contando a sopa, piedras, trotskistas, diamante e tudo - passei o réveillon devorando-o um pouco, e vamos ver o que acontece daqui pra frente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;strong&gt;à moda mao&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;o pinheiro&lt;br /&gt;cresceu&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;......................&lt;/span&gt;ao lado da árvore&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;......................&lt;/span&gt;de flor amarela&lt;br /&gt;ele&lt;br /&gt;eu&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;......................&lt;/span&gt;voce&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;......................&lt;/span&gt;ela&lt;br /&gt;quem&lt;span style="color:#000000;"&gt;................&lt;/span&gt;passa&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;......................&lt;/span&gt;pensa&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;............................................&lt;/span&gt;flores&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;............................................&lt;/span&gt;dele&lt;span style="color:#000000;"&gt;........&lt;/span&gt;não&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.........................................................&lt;/span&gt;dela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o primeiro nessa de ano novo ficou meio assim, despersonalizado, surgido na praia entre nossas preguiçosas palmeiras, sob as quais leminskeio sem sair do mar. Como disse o amigo &lt;a href="http://denovonada.zip.net/"&gt;Paulo Ferraz&lt;/a&gt;, estou na onda o que pintar eu assino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;minhas palavras&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escrevo com jeito&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;de quem vai pra guerra&lt;br /&gt;traduzo num passo&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;mil traços de terra&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116862190702081710?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116862190702081710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116862190702081710&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116862190702081710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116862190702081710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2007/01/ano-novo-polaco.html' title='Ano novo polaco'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116689398289464537</id><published>2006-12-23T14:47:00.000-02:00</published><updated>2006-12-24T20:56:58.733-02:00</updated><title type='text'>Poema para o natal</title><content type='html'>Acho que estou indo mais rápido que vocês. Não sei se estou indo rápido o bastante. Nosso tempo tem esse problema, não é mais o mesmo rio, não adianta. De forma que não posso fazer um poema de Natal, preciso fazer um poema para o natal do ano de 2006, passado no verão paulistano, quando chove lá fora e meu pai dorme na sala. Mas isso vocês já sabem. Deixa tentar dizer algo que vocês não sabem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;vitória&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;parece que você&lt;br /&gt;se parecia com ana&lt;br /&gt;cristina.&lt;br /&gt;procuro na internet fotos,&lt;br /&gt;ver se tem os mesmos olhos,&lt;br /&gt;o mesmo riso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não encontro. ana cristina&lt;br /&gt;só sorri de lado, de frente&lt;br /&gt;é séria e tem cabelos curtos, dos olhos&lt;br /&gt;não se sabe a cor. hilda hilst encontro,&lt;br /&gt;varanda e gatos, um riso&lt;br /&gt;de velha, dedo em&lt;br /&gt;riste e cigarro na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hilda, dizem, foi em&lt;br /&gt;seu tempo a mais bela, mas&lt;br /&gt;ana cristina venceu&lt;br /&gt;mais essa. atirou-se&lt;br /&gt;da janela&lt;br /&gt;e nunca mais envelheceu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116689398289464537?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116689398289464537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116689398289464537&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116689398289464537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116689398289464537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/poema-para-o-natal.html' title='Poema para o natal'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116683623485455563</id><published>2006-12-22T22:58:00.000-02:00</published><updated>2006-12-22T23:13:41.230-02:00</updated><title type='text'>Predestinação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Disse aqui outro dia que precisava de um post só pra ele o prefácio do Mário de Andrade ao livro de estréia do meu avô, Predestinação - que o &lt;a href="http://www.denovonada.zip.net/"&gt;Paulo Ferraz &lt;/a&gt;acha que podia bem se chamar Prestidigitação, com um pequeno ganho. A história é que o estudante Geraldo Vidigal, 22, encontrava-se na Itália em 1944, assim como vários outros estudantes da Faculdade de Direito do Largo São Francisco - não por coincidência: por serem conhecidos agitadores anti-getulistas. Outros tempos, em que o interêsse nacional era debatido sem que as partes levantassem uma HP 12C sequer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que os dois últimos parágrafos são o que pega, mas vejo agora que tem utrecho anterior que, engraçado, dialoga com o último post:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;"Alegria não agüentou mais. Levou o trompaço da vida. Já viveu a experiência do Nove de Novembro anterior, e viu ao seu lado um colega morrer assassinado. E a visagem da guerra na Europa já o predestinara nos ecos amargos dos Urais, no Vesúvio, na Mancha; e em janeiro dêste ano o poeta pulara da cama, alertado ao clarim do Sargento Negro. Geraldo se prepara pra partir, vestido de soldado. E num de seus poemas mais recentes, escrito já na Itália, 'diante do mundo que se desatina', êle se dá êste conselho desolado:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;"Pensa melhor! Guarda as estrêlas&lt;br /&gt;Que doidamente malbaratas!&lt;br /&gt;Não mostres a alma das cascatas&lt;br /&gt;A quem não pode compreendê-las".&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#ffffff;"&gt;Mostra, Geraldo, mostra sim a alma das cascatas aos homens. Quando mais não seja, como uma recusa clamorosa ao mundo que vai por aí.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Geraldo Vidigal é mais um exemplo de que êsse mundo está errado. O jovem poeta poderá ser sacrificado por causa disso. Uma esperança promissora poderá se transformar apenas num 'eco amargo'. A ferocidade atual das guerras tem mais isso de inconsolável que tanto mais se mecanizam, mais exigem moços, bem moços, donos de corpos virgens que possam resistir à brutalidade da máquina. Já se foi o tempo em que pra guerreiro se escolhiam quarentões escolados, gente da idade egoísta que não expõe a vida à toa. Hoje as guerras pedem o soldado novo, gente da idade generosa que troca a vida por uma flor vermelha na testa. Monsieur Malbrouch não vai à guerra mais. Vai-lhe o pajem, que não trará consôlo às castelãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Geraldo Vidigal é mais um exemplo de que êsse mundo está errado. Mas quem não sabe disso! Sabem disso até os donos da vida que o querem e fazem assim errado, em seu proveito pessoal. Só que Geraldo Vidigal é um exemplo insuportável disso. Porque é um poeta.”&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;E aí, o Mário é foda ou não?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116683623485455563?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116683623485455563/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116683623485455563&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116683623485455563'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116683623485455563'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/predestinao.html' title='Predestinação'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116672086857123125</id><published>2006-12-21T14:35:00.000-02:00</published><updated>2006-12-21T15:09:04.996-02:00</updated><title type='text'>Sobre as aparências</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma das coisas mais complicadas nessa história de blog é que, como disse nossa amiga Tânia Pan outro dia sobre uma hipotética carta de Tarô chamada "O blog", &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;"O blog representa não aquilo que você é, mas aquilo que você gostaria que os outros pensassem que você fosse"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Claro que isso pode ser estendido sem problemas pro convívio social como um todo - ninguém aí, espero, acha que é livre. Mas quando se põem as coisas por escrito, assim na internet, tudo complica. Por sorte, acho que aproximadamente 100% dos meus leitores são amigos, de forma que a preocupação é apenas futura, ou seja, e se algum dia nos descobrem por aqui?&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Isso tudo pra dizer que eu bem que gostaria, muito mesmo, de conseguir fazer poemas como aquele do Brecht, uma crítica social ácida e irônica, um poema atacando as bases da sociedade, destronando reis feito uma nova marselhesa, pra ser citado nas cartilhas escolares e tal. Só que na verdade tenho um medo danado dos flertes com a babaquice, e entre o leminski que quer ser enterrado com os trotskistas e o que põe sal na sopa, acabo ficando com o segundo, talvez conformisticamente achando que chutes de poeta não levam perigo à meta. Esse aqui, do meio deste ano, é só mais um pouco dessa coisa de quem, tão convencido da própria inofensividade, nem se anima mais a chutar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;*** &lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;br /&gt;Mas esses seios cinematográficos, você me dizia,&lt;br /&gt;esses seios vieram só aos 23.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E um pouco do teu mistério se desvanecia.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116672086857123125?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116672086857123125/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116672086857123125&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116672086857123125'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116672086857123125'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/sobre-as-aparncias.html' title='Sobre as aparências'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116646471540246960</id><published>2006-12-18T15:00:00.000-02:00</published><updated>2006-12-18T15:59:33.730-02:00</updated><title type='text'>Caçador</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Uma das coisas mais interessantes de ter um blog é tentar revisitar alguma coisa antiga, atualizar, mudar tudo, e chegar à conclusão de que o melhor a fazer é deixar praticamente como estava. No meu registro, a 1ª versão desse daqui é 26.9.2005.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Caçador&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase um ano depois&lt;br /&gt;e esse cara ainda me olhava&lt;br /&gt;feito um pequeno vira-lata&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;o feroz guardião&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;de um passarinho morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas minha caça era outra&lt;br /&gt;espalhava-se pela cidade&lt;br /&gt;e apodrecia distraída&lt;br /&gt;entre noites maldormidas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;atravessado&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;das luzes turvas&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;de outras noites&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;(mas&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;súbito afogado&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.....&lt;/span&gt;num único pensamento)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu só me perguntava o porquê&lt;br /&gt;de você ainda usar&lt;br /&gt;essa maldita blusinha de couro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116646471540246960?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116646471540246960/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116646471540246960&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116646471540246960'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116646471540246960'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/caador.html' title='Caçador'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116619165574547969</id><published>2006-12-15T11:52:00.000-02:00</published><updated>2006-12-15T12:35:15.990-02:00</updated><title type='text'>MANIFESTO DA POESIA ALHEIA</title><content type='html'>&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;Diante do sucesso de um alheio do Paulo Moura postado pela Ana Rüsche no &lt;/span&gt;&lt;a href="http://peixedeaquario.blogspot.com/2006/12/um-poema-alheio.html"&gt;&lt;strong&gt;Peixe de Aquário&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/strong&gt;, deixo aqui para visitação pública, conforme publicado na FNX XIX, o inigualável &lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#663366;"&gt;MANIFESTO DA POESIA ALHEIA&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="right"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;em&gt;“a verdade, cuja mãe é a história”&lt;br /&gt;Pierre Menard&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;1. a poesia já está pronta no mundo, cabe ao poeta apenas identificá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2. em todas as artes visuais e auditivas já se notou que é possível encontrar poesia (&lt;em&gt;poetik&lt;/em&gt;) pronta no mundo, bastando ao artista registrá-la. a poesia escrita, versificada (&lt;em&gt;dichtung&lt;/em&gt;), permanece presa à concepção de que o artista precisa acrescentar algo de seu ao real para transformá-lo em arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3. um fotógrafo não cria a cena de sua arte. ele tem a sensibilidade de captar com suas lentes o momento, o gesto, a expressão, a luz – a poesia. a poça, o café, a paisagem, a criança, o engravatado, são todos &lt;em&gt;ready-made&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4. como o fotógrafo, o poeta alheio tem ao seu redor as paisagens dos textos e, em sua leitura, a sensibilidade para captar a imagem poética. ele apenas a enquadra em versos, dá, se necessário, o foco com sua pontuação e, finalmente, sugere ou explicita a imagem com um título.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5. a idéia da poesia criada, da poesia-inovação, não é apenas um preconceito – é um preconceito moderno. a antigüidade sempre reconheceu a &lt;em&gt;mimesis&lt;/em&gt; como &lt;em&gt;poiesis&lt;/em&gt;. não há imitação sem criação. todos os grandes épicos foram criados sobre outros textos, recriação de tradições orais ou de outros épicos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;6. a poesia alheia traz em seu bojo a superação do conceito moderno de originalidade. os gregos atribuíam a um indivíduo – homero – a autoria de textos que hoje são considerados obra de todo um povo, e foi só a partir dos helenísticos que se enraizou a necessidade de destaque do autor concreto de uma obra. hoje indivíduo e originalidade parecem ser elementos indissociáveis do conceito de autoria, daí a denúncia feita pela poesia alheia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7. a poesia alheia surge como um movimento literário pós-moderno, fundado na superação do indivíduo autônomo burguês, também conhecido como moderno – ficção romântica calcada no culto ao gênio, na busca de metanarrativas totalizantes, de verdades abstratas e valores universais. para isso vieram com a bravata da “originalidade” e da “novidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;8. a poesia alheia não se pretende um ismo, ou um ismo a mais: ela se afirma como poesia alheia, e não como alheinismo, e seus poetas, alheios e não alienistas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;9. o poeta alheio não cria as formas da poesia que faz – o poeta alheio é aquele que identifica/localiza a poesia existente. todo poeta deve ser mais fabulador do que versificador, porque ele é poeta pela imitação e porque imita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;10. como dizer que um poema é seu? se a poesia está é nos olhos de quem a descobre. se a poesia já está pronta no mundo. se nada há que seja novo debaixo do sol. como dizer que um poema não é seu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11. o trabalho braçal não é condição essencial para a poesia alheia. a descoberta pode ocorrer num texto sem que este tenha necessidade de ser modificado. o trabalho pode se dar apenas nos sentidos e significados, sem que uma única vírgula precise ser mexida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12. a simples atribuição de um novo sentido até então desconhecido ou a colocação de algum verso num contexto até então impensado pode constituir um poema. por acaso os versos têm lacre de segurança? uma vez usados, não podem ser reutilizados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13. o poeta alheio não faz malabarismos com palavras. o mérito do poeta alheio não está em criar, está na descoberta. mede-se um poema alheio pela qualidade da descoberta. descoberta, redescoberta, rerredescoberta e todas as outras descobertas são poesia, tantas vezes quantas forem as inúmeras descobertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;14. a poesia alheia é a descoberta do poético no texto alheio. é dever do poeta que a descobre revelar essa poesia. não aproveitar a poesia presente no mundo não é apenas um preconceito: é um desperdício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15. duas entrevistas alheias:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WOB - octavio paz, gostaríamos de saber sua opinião sobre a polêmica de a poesia alheia ser um passo atrás em relação às vanguardas que pregavam a ruptura e a invenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OCTAVIO PAZ - &lt;em&gt;al negar la tradición, la prolongamos; al imitar a nuestros predecesores, los cambiamos. la imitación es invención: la invención, restauración.&lt;/em&gt; (cf. convergencias. barcelona: seix barral, 1992. p. 147)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WOB - josé paulo paes, e o senhor, como entrou nessa de poesia alheia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOSÉ PAULO PAES - &lt;em&gt;eu me lembro que quando descobri o bandeira, vi um anúncio de um batom que dizia assim: de lábio em lábio, dou a volta ao mundo. pronto, pensei, é só você colocar don juan, no título, e você tem um epigrama direitinho. de modo que, tendo os olhos e a sensibilidade em estado de alerta, você pode captar o poético a todo momento. &lt;/em&gt;(cf. revista cult n. 22, maio de 1999)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então, seguindo o conselho do mestre, como seria o tal poema:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;DON JUAN&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de lábio em lábio&lt;br /&gt;dou a volta ao mundo&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;br /&gt;16. nenhum texto está a salvo de conter poesia. pode-se fazer poesia alheia roubando uma frase dentro do ônibus, um aviso em bula de remédio, um texto de pound. exemplo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;TESOURO DOS CZARES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o depósito antigo&lt;br /&gt;de coisas preciosas&lt;br /&gt;de cujo dono não haja&lt;br /&gt;memória será&lt;br /&gt;dividido por igual&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=37817313#_ftn1" name="_ftnref1"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;br /&gt;17. não existe estelionato poético. direito autoral? plágio? acima deles a carta magna: “a propriedade atenderá sua função social”. há verdadeiros latifúndios poéticos prontos para terem seus tesouros revelados pelos poetas alheios e há poetas alheios latentes em todos, &lt;em&gt;non sibi sed bono publico&lt;/em&gt; – não para si, mas para o bem público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;18. a verdadeira atividade criativa (e a proteção autoral pressupõe isso, uma “criação do espírito”) estaria em quem encontrou o poético no texto, e não no texto em sua versão original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19. ata do copom, bula de medicamentos de tarja preta, manual de instruções do vídeo cassete, editorial de jornal sobre os rebeldes maoístas no nepal, descrição do ciclo migratório das enguias do atlântico norte, gramática normativa da língua portuguesa, sala de bate-papo da internet, fórmula matemática para descobrir números primos, errata de livros mal revistos, resenha de crítico de arte, constituição federal, laudo do iml, e-mails de spam, uma entrevista do lula: em tudo há poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;20. garimpai!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;p align="center"&gt;&lt;span style="color:#33cc00;"&gt;wallace o’brian&lt;br /&gt;piratininga, 22 ou 23 de janeiro de 2005&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;p align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a title="" style="mso-footnote-id: ftn1" href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=37817313#_ftnref1" name="_ftn1"&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;*&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt; Cf. Código Civil de 2002, art. 1.264.1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;span style="color:#cccccc;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116619165574547969?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116619165574547969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116619165574547969&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116619165574547969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116619165574547969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/manifesto-da-poesia-alheia.html' title='MANIFESTO DA POESIA ALHEIA'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116614819477387881</id><published>2006-12-14T23:49:00.000-02:00</published><updated>2006-12-15T00:03:14.780-02:00</updated><title type='text'>Indiferença</title><content type='html'>Este aqui é do meu avô, que ainda é Geraldo Vidigal, mas o tempo dirá. Geração de 45 - mas eu não teria escrito melhor, vejam só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Indiferença&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mim, porém, que me importa?&lt;br /&gt;- Eu só conheço Alegria!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uivem os lobos embora,&lt;br /&gt;Chorem crianças, embora,&lt;br /&gt;Matem-se os homens, irados:&lt;br /&gt;Eu só conheço Alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que me impota o que aconteça&lt;br /&gt;Se os dados foram lançados?&lt;br /&gt;Se eu escolhi minha vida?&lt;br /&gt;Ninúém me muda de estrada,&lt;br /&gt;Ninguém me vira a cabeça!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não me falem de nada.&lt;br /&gt;Mas não reabram ferida&lt;br /&gt;Que tanto punge e magoa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu escolhi Alegria...&lt;br /&gt;Não me despertem à toa:&lt;br /&gt;Nunca me falem de nada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, o que vocês andam escolhendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(não costumo dedicar, mas desta vez vai pro nosso querido &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u87635.shtml"&gt;Presidente Lula&lt;/a&gt;. Também pro Mário de Andrade, por ter prefaciado o livro primeiro do poeta que naquele momento ainda estava na Ítália entre os tanques, "Predestinação". Esse prefácio vale um post sozinho.)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116614819477387881?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116614819477387881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116614819477387881&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116614819477387881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116614819477387881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/indiferena.html' title='Indiferença'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116593289162788121</id><published>2006-12-12T11:49:00.000-02:00</published><updated>2006-12-14T23:47:33.503-02:00</updated><title type='text'>Poema (tardio) para Plutão</title><content type='html'>Um pouco a ver com o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://medianeiro.blogspot.com/2006/08/notcias-do-vcuo.html#links"&gt;Notícias do Vácuo&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, publicado pelo medianeiro &lt;strong&gt;&lt;a href="http://medianeiro.blogspot.com/"&gt;Fábio Aristimunho Vargas&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;, e na cola de outro, da &lt;strong&gt;&lt;a href="http://www.cadernocinco.blogger.com.br/2006_08_01_archive.html#38944949"&gt;Dani Ramos&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;[link corrigido]. O nome fica auto-explicativo, e acrescento: é o primeiro original (nada original) jogado direto aqui, sem &lt;em&gt;test-drive&lt;/em&gt;. Se precisar, fazemos &lt;em&gt;recall&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Editado em 14.12.2006: A Victoria Saramago, ou o &lt;strong&gt;&lt;a href="http://eusouumquartodehotel.blogspot.com/2006/08/pluto-e-eu_115698872520293112.html"&gt;quarto de hotel&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; que baixa nela de vez em quando, também fizeram a sua parte. Mas alerto a leitora desatenta: trata-se de prosa]&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Poema (tardio) para Plutão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdemos um planeta&lt;br /&gt;Mas que é um planeta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste momento há galáxias sendo engolidas&lt;br /&gt;matemáticos indianos fabricam dimensões impensáveis&lt;br /&gt;na África, minas terrestres participam alegremente das guerras tribais &lt;br /&gt;e há um Deus que zela por nossos excessos gastronômicos.&lt;br /&gt;O que é um planeta?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdemos um planeta&lt;br /&gt;decidiram, sob forte polêmica,&lt;br /&gt;aos 24 dias de agosto de 2006.&lt;br /&gt;Astrônomos e astrólogos atropelam-se em explicar&lt;br /&gt;As sondas americanas continuarão levando em conta, dizem,&lt;br /&gt;a deformação gerada por aquele corpo no espaço&lt;br /&gt;e as escorpianas poderão manter seu padrão de comportamento.&lt;br /&gt;Não será necessário adiantar ou atrasar os relógios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora sentimos tua falta, nós que nunca o vimos,&lt;br /&gt;que apenas agora conhecemos brevemente tuas propriedades de planeta anão,&lt;br /&gt;como um pequeno país no qual está ocorrendo uma guerra&lt;br /&gt;e do qual nos informam geografia, religião, etnias.&lt;br /&gt;Em 76 anos de vida, quantos poemas te foram dedicados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em alguns anos, não te lembraremos,&lt;br /&gt;todos os atlas terão sido atualizados&lt;br /&gt;e as crianças não aprenderão teu nome na escola.&lt;br /&gt;Mas diante da notícia, preocupamo-nos;&lt;br /&gt;na perda, lembramo-nos:&lt;br /&gt;somos os próximos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em silêncio, Saturno devora o primeiro dos seus filhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116593289162788121?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116593289162788121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116593289162788121&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116593289162788121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116593289162788121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/poema-tardio-para-pluto.html' title='Poema (tardio) para Plutão'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116570075349109311</id><published>2006-12-09T19:22:00.000-02:00</published><updated>2006-12-09T19:51:40.126-02:00</updated><title type='text'>O jogador e o cavalheiro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Para o fim-de-semana, um desses trechos que precisam da obra mas mesmo assim pegamos pela mão e levamos sozinhos para conhecerem outras pessoas, pensando que elas irão se beneficiar - quando na verdade elas têm sérias tendências a copiar e colar no profile; dialoga um pouco com o que disse certa vez o Del nos &lt;strong&gt;&lt;span&gt;&lt;a href="http://docesenjoativos.blogspot.com/2006/11/pacincia-gazua-do-amor-2.html"&gt;Doces Enjoativos&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"O que havia de mais feio, ao primeiro relance, em toda aquela corja de jogadores, era o respeito pela ocupação, a seriedade e, mesmo, a deferência com que todos assediavam as mesas. Eis porque ali estava demarcada nitidamente a diferença entre o jogo chamado &lt;/em&gt;mauvais genre &lt;em&gt;e outro permissível a uma pessoa decente. Existem dois tipos de jogo, o dos cavalheirops e o dos plebeus - este repassado da avidez do lucro, o jogo de todos os pulhas. Ali, isso estava rigorosamente diferenciado; mas como esta diferença é, na realidade, ignóbil! Um cavalheiro, por exemplo, pode apostar cinco ou dez luíses de ouro, raramente mais; aliás, pode apostar mesmo mil francos, no caso de ser muito rico, mas unicamente pelo jogo em si, por divertimento apenas - em essência, para verificar o processo de ganhos ou perdas; mas de modo nenhum se deve interessar pelo próprio ganho.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Um cavalheiro de verdade não deve ficar nervoso, mesmo no caso de perder toda a fortuna. O dinheiro deve ficar abaixo da condição do cavalheiro, de tal forma que não valha a pena preocupar-se com ele.&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Todavia, às vezes não é menos aristocrático também o comportamento oposto, isto é, notar, prestar atenção, mesmo examinar, com um lornhão, por exemplo, toda aquela canalha: mas que não seja de outro modo a não ser aceitando toda aquela multidão e aquela imundície como uma distração de caráter especial, uma representação urdida para entretenimento dos cavalheiros. É admissível acotovelar-se em meio àquela multidão, desde que se olhe em torno com absoluta convicção de que se é apenas um observador e não parte do conjunto."&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiódor Dostoiévski, Um Jogador, trad. Boris Schnaiderman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje tem Rave Cultural na Casa das Rosas, das 18 às 7. E aí?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116570075349109311?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116570075349109311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116570075349109311&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116570075349109311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116570075349109311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/o-jogador-e-o-cavalheiro.html' title='O jogador e o cavalheiro'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116551493048418810</id><published>2006-12-07T15:57:00.000-02:00</published><updated>2006-12-07T16:17:44.136-02:00</updated><title type='text'>Chamado</title><content type='html'>Maçã que fica valendo por ontem também, maior por causa disso - mostrar pro médico que não estamos de brincadeira. Uma tentativa de 2003, publicada especialmente pra &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff6600;"&gt;&lt;a href="http://www.blogger.com/profile/34244193"&gt;Manu&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que fica difamando por aí que só consigo escrever que nem advogado. Como já é trabalho, comentários sobre o universo ficam pra depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Chamado&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Charles Bukowski&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;virei de lado na cama para o sol parar de bater nos meus olhos mas aquela luz continuava insuportável e então abri os olhos e precisei de uns cinco minutos para entender o que estava acontecendo, e o que estava acontecendo é que havia uma BOLA DE FOGO queimando mais ou menos um metro acima da minha cama. um troço redondo do tamanho de um punho parado em pleno ar, queimando na minha frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o teto já estava um pouco chamuscado e eu não fazia a menor idéia de quanto tempo aquilo tinha ficado por ali e realmente não me lembrava de haver feito nada na noite anterior que pudesse de alguma forma provocar uma combustão constante no meu quarto. fiquei esperando que a coisa se mexesse, falasse comigo ou sei lá o quê pelos quinze minutos seguintes, e como não aconteceu nada só tratei de tirar os objetos inflamáveis de perto e ir tomar um banho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fiquei pensando se aquela coisa era um sinal ou algo assim, e como não cheguei a conclusão alguma sobre aquilo resolvi procurar alguém. quase ninguém acreditaria, é claro, se eu dissesse que havia uma esfera flamejante bem no meu quarto, ainda mais porque eu morava no décimo andar e não havia nenhum motivo para uma coisa dessas aparecer a 300 metros de altura. a não ser que seja algo como um mosquito que acompanha o elevador quando logicamente ele deveria ficar maluco dentro de uma caixa que se mexe para cima e para baixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então a pessoa que procurei foi um padre, ou algo assim. o Rique. Rique e eu tínhamos estudado juntos no colégio, e sempre tivemos uma rivalidade porque simplesmente em meio àquele bando de merdas naquela escolinha medíocre tínhamos certeza que um de nós dois ia ser o cara que se deu bem na vida, mas que não havia espaço para dois caras daquele lugarzinho. então disputávamos em tudo por esse motivo que depois se revelou imbecil, já que os dois nos fodemos, só menos que aqueles caras que casaram antes de terminar o colégio e se condenaram a uma vida de empregos estáveis e programas de tevê apelativos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;daí que, ainda no colégio, aconteceu de eu começar a namorar essa menina e descobrir logo em seguida que o Rique era apaixonado por ela, tinha mandado cartas e tudo. nunca nem falamos sobre o assunto, e depois de um tempo a menina teve problemas com drogas e se mudou para o Peru, mas é lógico que ele nunca superou essa derrota pra mim, porque entrou para uma dessas seitas malucas com reuniões secretas e amuletos mágicos e nunca mais saiu. e eu nunca teria ido procurá-lo por qualquer motivo exceto se uma coisa absolutamente inverossímil acontecesse, por exemplo eu acordar com uma bola de fogo no meu quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encontrei Rique no buraco onde funcionava a igreja deles, enfiado num vestido preto e vermelho e bebendo um negócio nojento que ele me ofereceu, e ele me pareceu realmente numa boa apesar de tudo em volta cheirar muito mal e ele parecer não comer nem ver a luz do sol há alguns dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando eu entrei Rique me olhou como se eu fosse lixo e eu sabia que isso não era nenhum problema pessoal porque depois da conversão ele só olhava os outros como se fossem lixo, sempre. todo atrofiado metido num lugar nojento sem nenhuma ambição, sem conversar com ninguém exceto aquele bando de malucos que passavam o dia falando sozinhos e inventando rituais cretinos e olhava para as pessoas que estão vivendo as próprias vidas como se fossem lixo, mas eu sabia que isso não era nenhum problema pessoal então fui direto ao ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"apareceu uma bola de fogo no meu quarto. em cima da minha cama. está lá desde de manhã. não faço a menor idéia do que seja, e pelo que eu sei de física essas coisas não acontecem." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rique respirou fundo, "senta", e pareceu triunfante e compreensivo como se eu tivesse acabado de entrar de joelhos pedindo para ser salvo dos meus pecados, ou como se todos os dias ele acordasse com uma maldita bola de fogo em cima daquela esteira de palha e eu finalmente tivesse compreendido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"escuta, eu não vim aqui atrás da sua orientação espiritual, certo? quero resolver o meu problema e você é a pessoa que eu conheço que eu imagino que possa fazer isso. você sabe que eu não acredito nessas coisas e também não tenho a menor paciência pra elas."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rique deu mais um gole naquele negócio dele, pelos olhos estava realmente alterado e não dava pra saber se era alguma droga ou se tinha ficado assim mesmo. ficamos sentados ali uns quinze minutos enquanto ele balbuciava coisas e bebia daquele troço, até que ele se levantou e se ofereceu pra ir comigo ver o que tinha acontecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entramos no apartamento e a coisa ainda estava ali, Rique olhou e como se soubesse o que estava fazendo acendeu um incenso naquilo e me mandou esperar. Girava as mãos em volta do negócio e jogava pozinhos coloridos, a cena era muito mais caricata do que eu podia imaginar daquela religião dele e eu fui abrir uma cerveja. aquele dia já tinha dado no meu saco e agora eu tinha uma bola de fogo, um quarto sujo fedendo e um lunático que eu mesmo tinha levado até ali, e só queria poder beber e cair naquela cama sabendo que tudo ia se resolver e eu teria uma ressaca normal no outro dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois da quinta garrafa ele parou de examinar a coisa e veio falar comigo, e disse um monte de bobagens sobre sinais místicos e Deus tentando tocar a minha alma por algum motivo, e perguntou coisas sobre minha vida pessoal. depois de mandá-lo se foder, perguntei se ele tinha algum jeito de levar aquilo embora pra tocar a alma dele, e como ele disse que não pedi pra ele ir embora que eu ia resolver sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;àquela altura eu já estava extremamente irritado e tentei de todas as formas acabar com aquilo, atirei água e usei o extintor de incêndio e o cobertor, mas nada parecia abalar a coisa e tudo o que consegui foi piorar o estado do meu quarto e eu precisaria de pelo menos mais três vodcas pra conseguir dormir naquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desci as escadas puto da vida, pensando em como ia fazer com toda aquela situação caótica e que se Deus existe realmente ele não faz a menor idéia de como tocar a alma das pessoas, e não tem critério de seleção absolutamente nenhum. então liguei pra uma garota que conhecia e pedi pra dormir na casa dela aquela noite, tinha tido problemas sérios no apê. não, sem polícia, nenhum problema grave, só ia parar de pagar o aluguel no dia seguinte, por justa causa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116551493048418810?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116551493048418810/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116551493048418810&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116551493048418810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116551493048418810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/chamado.html' title='Chamado'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116536949406083878</id><published>2006-12-05T23:23:00.000-02:00</published><updated>2006-12-06T00:22:42.793-02:00</updated><title type='text'>An apple a day</title><content type='html'>Tem um antigo ditado inglês, "An apple a day keeps the doctor away". Aprendi logo bilíngüe, "Pomme du matin éloigne le médecin". Quem sabe um dia tento traduzir, naquele esquema poundiano. Aceito sugestões. O que importa aqui é aquilo que nos meios diplomáticos se deve contar como piadinha de salão aos calouros, com um nome pomposo tipo 'Ressalva Churchill', em alusão ao autor presumido (nunca é certo, bem sabe o Veríssimo):&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"An apple a day&lt;br /&gt;keeps the doctor away&lt;br /&gt;- if your aim's good enough"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou, vertido,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Pomme du matin&lt;br /&gt;éloigne le médecin&lt;br /&gt;- si l'on vise bien"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Importante mesmo é tirar a lição certa: a sábia mãe natureza instila em seus frutos qualidades que nossa vã mais moderna tecnologia nunca poderá sonhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então vamos ver quantas maçãs tem no estoque. Esta vai sem título - melhor que colocar qualquer coisa em outra língua como assopra inocente o pequeno demônio atrás dos óculos de acetato roxo -, acho que entra pruma série "Persistência da Memória".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Permanece algo incompleta,&lt;br /&gt;suspensa no tempo feito o&lt;br /&gt;quadro de Borges, vazada&lt;br /&gt;de espaço como no cubo&lt;br /&gt;oco de Gullar, a carta&lt;br /&gt;sem resposta: admitimos&lt;br /&gt;que existe de algum modo&lt;br /&gt;(e de algum modo talvez&lt;br /&gt;mais que as tantas cartas plenas&lt;br /&gt;que se escrevem neste mundo&lt;br /&gt;com começo, meio e fim)&lt;br /&gt;mas nos atinge mais pela&lt;br /&gt;falta que pela mensagem&lt;br /&gt;perdida. E pelo vazio&lt;br /&gt;atrai - nos faz um pouco &lt;br /&gt;mais humanos (e talvez&lt;br /&gt;mais capazes de promessa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116536949406083878?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116536949406083878/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116536949406083878&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116536949406083878'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116536949406083878'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/apple-day.html' title='An apple a day'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116527074681016771</id><published>2006-12-04T20:11:00.000-02:00</published><updated>2006-12-05T00:10:28.233-02:00</updated><title type='text'>Só pra garantir a euforia inicial</title><content type='html'>Mais desses curtinhos não-sei-não-mas-se-publicasse-entrava-por-w.o., assim as pessoas que vierem parar aqui por acaso saídas do blog da &lt;strong&gt;&lt;span style="font-size:85%;color:#ff6600;"&gt;&lt;a href="http://peixedeaquario.blogspot.com"&gt;Ana Rüsche&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;, que vem fazendo propaganda, não bocejem tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Decisão&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois por mim pode é cair&lt;br /&gt;um avião atrás do outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha reunião é em Brasília,&lt;br /&gt;é quinta de tarde, e ponto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(adendo post-scriptum: afinal de contas, um blog jovem pode, &lt;em&gt;e deve&lt;/em&gt;, ser agitado, eufórico; é do seu &lt;em&gt;ethos &lt;/em&gt;de jovem ser assim. Daí toda a graça de ter nascido velho demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, mais que jovem, o pequeno dragão na janela tem sobre o resto de nós o &lt;em&gt;ser uma coisa&lt;/em&gt;, como eu dizia aí embaixo - e nisso me apóia, leio agora, Debord: "...e a juventude, a mudança daquilo que existe, não é de modo algum propriedade desses homens que agora são jovens (...). São as &lt;em&gt;coisas &lt;/em&gt;que reinam e que são jovens; que se excluem e se substituem sozinhas" (62). Não vale mais, então, nosso filósofo que dizia: os mortos governam os vivos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116527074681016771?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116527074681016771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116527074681016771&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116527074681016771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116527074681016771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/s-pra-garantir-euforia-inicial.html' title='Só pra garantir a euforia inicial'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116515713329027536</id><published>2006-12-03T12:36:00.000-02:00</published><updated>2006-12-04T11:12:50.300-02:00</updated><title type='text'>Ainda a passante</title><content type='html'>Talvez nesse post pra zerar eu tenha carregado demais no tanino. Coisas de iniciante. Voltemos aos versinhos, então, pra começar com o pé certo. Esse tem algum tempo, e acho que o título fica sendo esse em cima, mesmo, embora sujeito a mudanças. Não desistam ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;Ainda a passante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho ciúmes desse teu chefe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que mal te conheço&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116515713329027536?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116515713329027536/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116515713329027536&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116515713329027536'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116515713329027536'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/ainda-passante.html' title='Ainda a passante'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116499029449305857</id><published>2006-12-01T14:22:00.000-02:00</published><updated>2006-12-01T14:24:54.503-02:00</updated><title type='text'>Assumindo as coisas - o Dragão na Janela?</title><content type='html'>Paralisando um pouco a avalanche de estrofes dos últimos dias, penso que vale tomar o controle com um aparte sobre a situação geral.  Este espaço, como já começa a se tornar perigosa moda, é herdado - ou adotado, dependendo da consideração que se tenha por ele. Não foi criado por mim, o que me dá o privilégio de não ter de lhe escolher um nome e, mais importante, de explicar esse nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao título propriamente dito, "Dragão na Janela", limito-me a garantir que a expressão remete a um episódio da desgastada história da incomunicabilidade humana, a qual apropriadamente não pode ser explicada por escrito com facilidade. Demandaria mais trabalho do que merecem os olhos do leitor, sem contudo esclarecer qualquer coisa além do óbvio - toda escolha é arbitrária. Anoto que pretendo mantê-lo, já que, além da prontidão, tem a vantagem de ser altamente mnemônico e, o fundamental, pretensioso apenas o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Explico: na contemporaneidade, todos estão de acordo que um texto escrito não é em essência diferente de um sorvete, um frasco de xampu ou mesmo das próprias aparência, personalidade e preferências literárias de cada indivíduo. É, em síntese, um produto que deve ser consumido pelos demais, e que está sempre em disputa com outros produtos pelo cada vez mais escasso tempo do consumidor. Aplique-se essa tese igualmente ao sabão em pó, aos relacionamentos amorosos e às pretensões políticas, e temos já todo um livro. Dependendo do enfoque e da elegância do estilo, pode-se levá-lo à prateleira da sociologia ou à da auto-ajuda. O tipo de imagem que se deseja criar para o seu eu interior é que definirá qual das duas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De maneira que a primeira forma de dar preponderância ao seu produto sobre os demais é, indiscutivelmente, garantir-lhe uma aparência simultaneamente chamativa e agradável. O aforismo de referência, aqui, seria "a primeira impressão é a que fica". Não se sugere, obviamente, o abandono das próprias convicções; trata-se apenas da necessidade de adaptá-las ao gosto do público, apresentá-las de maneira mais cativante - embora nunca abandonando suas verdadeiras qualidades. Nesse aspecto, quando tudo o mais parecer falso, sempre é bom lembrar: até o McDonald's desenvolveu hambúrgueres vegetarianos para conquistar o público indiano. Não por isso deixou de ser o McDonald's, e não é impossível que em alguns anos a carne bovina já possa ser introduzida tranqüilamente naquele país. De que teria adiantado lutar frontalmente contra uma cultura milenar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A particularidade a ser anotada, no campo da literatura, é de que não convém a um autor iniciante ou desconhecido apresentar-se com a pretensão de um nome épico ou chamativo demais. O uso da palavra dragão, desacompanhado de um termo prosaico como janela, poderia ter esse efeito – e tanto pior se se adicionasse outro termo com conotações místicas, enigmáticas ou grandiloqüentes. Essa escolha poderia resultar num desastre, pois o que vale para o produto em geral - a maior exposição possível - deve ser conseguido por subterfúgios quando se lida com consumidores de cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso ocorre porque esse tipo de consumidor não aceita imposições vazias: deseja que, no momento do consumo, o produto lhe acrescente algo de substancial, que lhe traga visões de mundo para ele consumidor novas, porém calcadas em sabedoria antiga ou profundos estudos e reflexões; o cheiro da poeira, a textura do papel envelhecido, a lista de referências do autor. O produto não pode parecer obra de tardes vazias ou, tanto pior, da necessidade do escritor de receber por seu trabalho, de sobreviver. A arte não é um trabalho. O verdadeiro artista o é por convicção, e o consumidor cultural não desperdiçará seu tempo com um produto criado para consumo. Não; ele deseja exercer sua liberdade e escolher dentre os vários autores, os quais não podem de forma alguma aparentar mirá-lo como a um consumidor. O consumidor cultural odeia sentir-se como gado, e não deve ser manejado dessa forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário de estar em contradição com a tese geral apresentada, contudo, essa característica do produto cultural meramente a confirma: a questão é que assim como os indianos são milenarmente avessos à carne bovina (por razões ancestrais, hoje incorporadas a um sistema religioso já com dificuldades de adaptação à modernidade), o consumidor cultural rejeita ainda a artificialidade na sua forma pura. A bem ver, de certa forma o consumidor cultural é feminino: não quer possuir o produto - quer ser possuído por ele. E, também nesse aspecto, talvez não esteja sozinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso abdicar então da carne: dar tintas de erudição e despretensão, transmitir a idéia de que ali há algo de intrigante, mas que não está implorando por atenção, cativando assim a curiosidade sem que nosso vegetariano se sinta invadido pela civilização alienígena. Ambiguamente grandiloqüente e prosaico, me parece que "Dragão na Janela" cumpre exemplarmente todos esses requisitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partiremos daqui, portanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116499029449305857?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116499029449305857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116499029449305857&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116499029449305857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116499029449305857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/12/assumindo-as-coisas-o-drago-na-janela.html' title='Assumindo as coisas - o Dragão na Janela?'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116489482655884744</id><published>2006-11-30T11:50:00.000-02:00</published><updated>2006-11-30T11:56:41.036-02:00</updated><title type='text'>Topográfico</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/485986/Sampa%20com%20colinas%20ao%20fundo.jpg"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/320/925178/Sampa%20com%20colinas%20ao%20fundo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;................................&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;É dia de semana e meu avô me telefona,&lt;br /&gt;deseja almoçar no Hilton.&lt;br /&gt;Tomávamos brunchs no Hilton,&lt;br /&gt;nossos domingos em família;&lt;br /&gt;também em outros locais,&lt;br /&gt;sempre porém no topo.&lt;br /&gt;Ele sempre escolhia edifícios altos&lt;br /&gt;no Centro, de onde, longe das ruas,&lt;br /&gt;respirava-se o progresso&lt;br /&gt;na cidade topográfica.&lt;br /&gt;Algumas vezes, das janelas&lt;br /&gt;viam-se colinas por trás dos prédios,&lt;br /&gt;o pouco que temos de horizonte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminho até a Avenida Ipiranga.&lt;br /&gt;As pessoas nas ruas cobrem-se&lt;br /&gt;de casacos ou enrolam-se em cobertores.&lt;br /&gt;Chego à porta ao meio dia&lt;br /&gt;e o Hilton fechou, me informa um porteiro&lt;br /&gt;sem a antiga farda azul-marinho,&lt;br /&gt;o Hilton mudou-se, deixou seu endereço no centro&lt;br /&gt;para uma localização privilegiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também eu deixarei em breve&lt;br /&gt;de atravessar todos os dias&lt;br /&gt;a rua Boa Vista, deixarei os camelôs&lt;br /&gt;e os restaurantes antigos&lt;br /&gt;e teremos uma imponente fachada&lt;br /&gt;às margens do rio,&lt;br /&gt;com localização privilegiada&lt;br /&gt;e janelas que não abrem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se pelas janelas do novo Hilton se vêem as colinas&lt;br /&gt;que existem para além da metrópole&lt;br /&gt;ou se há apenas os bonitos edifícios da marginal&lt;br /&gt;como aquele no qual estarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sinto que a cidade, como eu,&lt;br /&gt;veste lentamente um terno cinzento&lt;br /&gt;e vai se enforcando aos poucos,&lt;br /&gt;cada dia de uma cor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116489482655884744?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116489482655884744/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116489482655884744&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116489482655884744'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116489482655884744'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/11/topogrfico.html' title='Topográfico'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116480744302470439</id><published>2006-11-29T11:35:00.000-02:00</published><updated>2006-11-29T14:39:18.383-02:00</updated><title type='text'>Samsara</title><content type='html'>ao enigma&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;...........&lt;/span&gt;do mundo&lt;br /&gt;sorriu&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;...........&lt;/span&gt;sibilino&lt;br /&gt;o sábio&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;...........&lt;/span&gt;sibarita&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentado&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;...........&lt;/span&gt;respondeu&lt;br /&gt;não com&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;...........&lt;/span&gt;a esfinge&lt;br /&gt;mas com&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;...........&lt;/span&gt;o esfíncter&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116480744302470439?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116480744302470439/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116480744302470439&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116480744302470439'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116480744302470439'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/11/samsara.html' title='Samsara'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116480726550777899</id><published>2006-11-29T11:34:00.000-02:00</published><updated>2006-11-29T11:34:25.506-02:00</updated><title type='text'>Joana</title><content type='html'>Joana tinha um gatinho&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que se chamava Gael&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia Gael fugiu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Joana ficou tristinha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegou a arma do papai&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E estourou os miolos do irmão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116480726550777899?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116480726550777899/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116480726550777899&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116480726550777899'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116480726550777899'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/11/joana.html' title='Joana'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116480513631751484</id><published>2006-11-29T10:57:00.000-02:00</published><updated>2006-11-29T10:58:56.316-02:00</updated><title type='text'>Persistência da memória</title><content type='html'>Bem onde agora é essa rua&lt;br /&gt;entre as duas paineiras – e&lt;br /&gt;tinha uma terceira bem ali –&lt;br /&gt;ficava uma praça, sempre&lt;br /&gt;que passo elas (as árvores&lt;br /&gt;gigantes) me lembram&lt;br /&gt;do caminho da escola&lt;br /&gt;que fazíamos a pé&lt;br /&gt;– ou então ficar olhando&lt;br /&gt;pelo vidro as pessoas debaixo&lt;br /&gt;esperando a chuva passar.&lt;br /&gt;E encostado na da direita&lt;br /&gt;tinha sempre um aleijado&lt;br /&gt;vendendo chiclete e dando risada,&lt;br /&gt;e nós desviávamos dele, primeiro&lt;br /&gt;por medo e no fim por hábito&lt;br /&gt;mais do que por medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sempre nessa época&lt;br /&gt;parávamos aqui para brincar&lt;br /&gt;com a paina que brotava delas&lt;br /&gt;e caía, atirando uns nos outros&lt;br /&gt;a lãzinha branca e correndo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado vê-las&lt;br /&gt;florescendo agora&lt;br /&gt;como todos os anos&lt;br /&gt;e a gente passando,&lt;br /&gt;sempre tão ocupados&lt;br /&gt;no caminho do motel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116480513631751484?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116480513631751484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116480513631751484&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116480513631751484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116480513631751484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/11/persistncia-da-memria.html' title='Persistência da memória'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116476647695977554</id><published>2006-11-28T22:18:00.000-02:00</published><updated>2006-11-29T10:53:03.626-02:00</updated><title type='text'>retrospectiva 2006</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/795123/gg%20e%20n%3F%3Fcollas.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/400/709744/gg%20e%20n%3F%3Fcollas.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/267166/Flap_SP_Mercearia.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/400/919613/Flap_SP_Mercearia.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/977964/P1010123.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/400/24032/P1010123.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/906357/P1010101.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/400/67444/P1010101.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/56192/i.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/400/255649/i.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/660507/no%20dedo%20de%20la%20chica.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/400/401279/no%20dedo%20de%20la%20chica.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/498789/P1010066.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/400/422128/P1010066.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/925242/P1010191.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/400/541153/P1010191.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/1600/849312/P1010154.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/x/blogger/7494/4247/400/347293/P1010154.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116476647695977554?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116476647695977554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116476647695977554&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116476647695977554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116476647695977554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/11/retrospectiva-2006.html' title='retrospectiva 2006'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116475717918499335</id><published>2006-11-28T21:38:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T22:19:43.236-02:00</updated><title type='text'>Khatija</title><content type='html'>&lt;blockquote&gt;“La mer dont le sanglot faisait mon roulis doux&lt;br /&gt;Montait vers moi ses fleurs d'ombre aux ventouses jaunes&lt;br /&gt;Et je restais, ainsi qu'une femme à genoux...”&lt;br /&gt;A. Rimbaud&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao oceano, devia uma vida.&lt;br /&gt;Não só a casa, o peixe e as algas,&lt;br /&gt;o pouco luxo das pérolas em dia de festa.&lt;br /&gt;Uma tarde, também as ondas&lt;br /&gt;lhe trouxeram um lar,&lt;br /&gt;num francês de olhos verde-jade&lt;br /&gt;perfurando a pele de areia.&lt;br /&gt;Àquele mar de cores profundas&lt;br /&gt;devia a prole mestiça, e uma aldeia,&lt;br /&gt;como tantas outras aldeias,&lt;br /&gt;escrita no espelho trêmulo daquelas ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas gravado, refletido&lt;br /&gt;e retransmitido infinitamente,&lt;br /&gt;mentia ao mundo&lt;br /&gt;o opaco cinzento de um olhar seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como odiar aquele mar? Como desejar-lhe&lt;br /&gt;o menor mal que fosse?&lt;br /&gt;Quando, cobrindo de azul a terra,&lt;br /&gt;a casa e a vida,&lt;br /&gt;soube ainda ser gentil?&lt;br /&gt;Se, ao saldar as dívidas,&lt;br /&gt;de todo o devido deixou-lhe, flutuando&lt;br /&gt;sobre o caos espiral dos vagalhões de espuma,&lt;br /&gt;um berço&lt;br /&gt;e o filho caçula.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116475717918499335?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116475717918499335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116475717918499335&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116475717918499335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116475717918499335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/11/khatija.html' title='Khatija'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116473905732081699</id><published>2006-11-28T16:36:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T17:02:50.553-02:00</updated><title type='text'>Dragão na janela</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/blogger/7494/4247/1600/drag%3F%3Fo.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7494/4247/400/drag%3F%3Fo.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116473905732081699?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116473905732081699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116473905732081699&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116473905732081699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116473905732081699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/11/drago-na-janela.html' title='Dragão na janela'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116473855933158057</id><published>2006-11-28T16:28:00.000-02:00</published><updated>2006-11-28T16:50:21.326-02:00</updated><title type='text'>Letícia</title><content type='html'>Ziguezagueando, a vida&lt;br /&gt;suspensa no pouco espaço&lt;br /&gt;entre as mesas de um&lt;br /&gt;qualquer barzinho&lt;br /&gt;de segundo andar,&lt;br /&gt;Letícia confia&lt;br /&gt;no sorriso fácil&lt;br /&gt;nos cabelos soltos&lt;br /&gt;e quase que se ouvem&lt;br /&gt;alguns sobressaltos&lt;br /&gt;de quem embalado&lt;br /&gt;talvez pelo samba&lt;br /&gt;tocado de canto&lt;br /&gt;se deixa ao acaso&lt;br /&gt;perder no balanço&lt;br /&gt;do seu caminhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o meio salário&lt;br /&gt;deixado sem pena&lt;br /&gt;no cabeleireiro&lt;br /&gt;e a roupa escolhida&lt;br /&gt;cuidadosamente&lt;br /&gt;nas horas passadas&lt;br /&gt;em casa no espelho&lt;br /&gt;Letícia faz graça&lt;br /&gt;e parece dançar&lt;br /&gt;(se veste, parece,&lt;br /&gt;como quem vai sempre&lt;br /&gt;à espera de alguém).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só os saltos já gastos&lt;br /&gt;mirados de perto&lt;br /&gt;desmontam a fêmea&lt;br /&gt;montada com esmero&lt;br /&gt;e deixam de leve&lt;br /&gt;entrever a menina&lt;br /&gt;por baixo do lápis&lt;br /&gt;despida dos brincos&lt;br /&gt;rezando baixinho&lt;br /&gt;de volta pra casa&lt;br /&gt;na outra manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(mas fica a carinha&lt;br /&gt;de quem larga o corpo&lt;br /&gt;e derrete nas mãos)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116473855933158057?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116473855933158057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116473855933158057&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116473855933158057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116473855933158057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/11/letcia.html' title='Letícia'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-37817313.post-116473180956657272</id><published>2006-11-28T14:35:00.000-02:00</published><updated>2006-11-29T10:51:33.743-02:00</updated><title type='text'>Estilhaços</title><content type='html'>Restaram espalhados por&lt;br /&gt;costas e dedos e lábios&lt;br /&gt;alguns estilhaços teus.&lt;br /&gt;Rebeldes, repuxam e&lt;br /&gt;(controlados por não sei&lt;br /&gt;que fios invisíveis)&lt;br /&gt;determinam às vezes um&lt;br /&gt;movimento repentino de braço&lt;br /&gt;ou de dedos ou lábios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não me preocupo se alongam&lt;br /&gt;as noites - mãos e pernas à procura&lt;br /&gt;do teu corpo sob lençóis&lt;br /&gt;intermináveis - nas quais&lt;br /&gt;(aguardando ou o sono ou a manhã)&lt;br /&gt;me pergunto displicente quando&lt;br /&gt;estes teus vão acabar por se juntar&lt;br /&gt;aos outros tantos estilhaços&lt;br /&gt;que carrego (de uma antiga escola,&lt;br /&gt;um amigo desaparecido, alguma&lt;br /&gt;cidade noutro canto do mundo)&lt;br /&gt;e em breve me lembrarão apenas&lt;br /&gt;de mim mesmo, dos meus doze&lt;br /&gt;ou vinte ou cinqüenta anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que apavora, o que transforma&lt;br /&gt;madrugadas e dias insones em batalhas&lt;br /&gt;contra a tua lembrança pregada à carne,&lt;br /&gt;não é essa previsão, de mais um&lt;br /&gt;fragmento de passado entre tantos,&lt;br /&gt;mas a oposta: teus estilhaços&lt;br /&gt;a permanecer sempre assim,&lt;br /&gt;as pedras brancas num&lt;br /&gt;caleidoscópio, e eu a encontrar,&lt;br /&gt;ainda surpreso, a tua ausência&lt;br /&gt;a cada movimento impensado&lt;br /&gt;de braço (ou de dedos ou lábios),&lt;br /&gt;a cada olhar que, involuntário,&lt;br /&gt;pousa no vazio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/37817313-116473180956657272?l=dragaonajanela.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/feeds/116473180956657272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=37817313&amp;postID=116473180956657272&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116473180956657272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/37817313/posts/default/116473180956657272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dragaonajanela.blogspot.com/2006/11/estilhaos.html' title='Estilhaços'/><author><name>Geraldo</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
