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5.12.06

An apple a day

Tem um antigo ditado inglês, "An apple a day keeps the doctor away". Aprendi logo bilíngüe, "Pomme du matin éloigne le médecin". Quem sabe um dia tento traduzir, naquele esquema poundiano. Aceito sugestões. O que importa aqui é aquilo que nos meios diplomáticos se deve contar como piadinha de salão aos calouros, com um nome pomposo tipo 'Ressalva Churchill', em alusão ao autor presumido (nunca é certo, bem sabe o Veríssimo):

"An apple a day
keeps the doctor away
- if your aim's good enough"

ou, vertido,

"Pomme du matin
éloigne le médecin
- si l'on vise bien"

Importante mesmo é tirar a lição certa: a sábia mãe natureza instila em seus frutos qualidades que nossa vã mais moderna tecnologia nunca poderá sonhar.

Então vamos ver quantas maçãs tem no estoque. Esta vai sem título - melhor que colocar qualquer coisa em outra língua como assopra inocente o pequeno demônio atrás dos óculos de acetato roxo -, acho que entra pruma série "Persistência da Memória".


***



Permanece algo incompleta,
suspensa no tempo feito o
quadro de Borges, vazada
de espaço como no cubo
oco de Gullar, a carta
sem resposta: admitimos
que existe de algum modo
(e de algum modo talvez
mais que as tantas cartas plenas
que se escrevem neste mundo
com começo, meio e fim)
mas nos atinge mais pela
falta que pela mensagem
perdida. E pelo vazio
atrai - nos faz um pouco
mais humanos (e talvez
mais capazes de promessa).

.

7 comentários:

  1. Caraca, GG, desse poema eu gostei. Enfim, essa coisa da falta e do excesso, creio eu, falam muito sobre muita coisa.

    Bem diferente do que eu ja tinha lido de seu até hj!

    Gostei da falta de título tb!

    Congrats!

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  2. Oi!

    (o que tem a maçã a ver com as calças, não sei, hehe). 2 coisas:
    - está um digno paulo ferraz, não conseguiria distinguir - o que é legal, nada desse troço de originalidade por essas bandas;
    - mas apesar de muito bonito o poema, essa falta de ódio ou esperança me deixa doente. já basta o que o vargas llosa (sic) falou para a folha ontem.

    beijos

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  5. Fábio, o problema da sua adaptação é que se perde a coisa do médico, daí a brincadeira depois fica sem sentido. Queria poder adaptar completo.

    Manu e Carol, obrigado! Mas que doce?

    Ana, sei lá, é coisa velha. De qualquer forma, nem tudo precisa mudar o mundo, e, como alguém já disse, essa coisa de querer ser exatamente aquilo que a gente é ainda vai nos levar além.

    Agradecimentos irônicos a tod@s!

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