29.11.06

Persistência da memória

Bem onde agora é essa rua
entre as duas paineiras – e
tinha uma terceira bem ali –
ficava uma praça, sempre
que passo elas (as árvores
gigantes) me lembram
do caminho da escola
que fazíamos a pé
– ou então ficar olhando
pelo vidro as pessoas debaixo
esperando a chuva passar.
E encostado na da direita
tinha sempre um aleijado
vendendo chiclete e dando risada,
e nós desviávamos dele, primeiro
por medo e no fim por hábito
mais do que por medo.

E sempre nessa época
parávamos aqui para brincar
com a paina que brotava delas
e caía, atirando uns nos outros
a lãzinha branca e correndo.

Engraçado vê-las
florescendo agora
como todos os anos
e a gente passando,
sempre tão ocupados
no caminho do motel.

3 Comments:

Anonymous Anônimo argúi...

Legal mais um blog para eu visitar, parabéns pela iniativa.
Bjo
Ju.

quarta-feira, novembro 29, 2006 11:31:00 AM  
Anonymous Anônimo argúi...

Demorou pra ter um blog mas chegou em alto estilo. Essa história de ficar guardando tudo na gaveta já era. Abraço.

quarta-feira, novembro 29, 2006 2:47:00 PM  
Anonymous Anônimo argúi...

Acho esse poema muito bom

quarta-feira, novembro 29, 2006 3:06:00 PM  

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